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Educação

A saída do ensino integrado

Escola pública do Gama, que concilia disciplinas do ensino médio como profissionalizante, fica na primeira colocação do Enem entre os colégios da rede oficial do Distrito Federal

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postado em 26/11/2012 13:00 / atualizado em 26/11/2012 13:14

Ana Pompeu

Apenas três escolas públicas brasilienses têm média acima da geral registrada do Distrito Federal. Dessas, duas pertencem à rede de ensino mantida pelo Governo Do Distrito  Federal (GDF).O ranking elaborado pelo Correio com base nos dados do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais AnísioTeixeira (Inep)mostra que, enquanto a escola com melhor média do DF, o Olimpo, obteve 675,08 pontos, a primeira da lista da redepública, o Centro de Ensino Médio Integrado à Educação Profissional do Gama, alcançou 551,01, ou seja, 124,07 amenos. Especialistas e governo admitem que o ensino médio público precisa passar por transformações para ter a qualidade esperada, mas preferem não usar o Enem como base de comparação porque as redes pública e privada
têmprioridades diferentes.

Quando avaliadas dentro da lista nacional, as escolas públicas ficam ainda mais para trás. O Olimpo, um colégio particular, é a as 30 melhores médias, ficando em 21° lugar. O Colégio Militar Dom Pedro II aparece na 1.825ª posição.O Centro de Ensino Médio e Integrado à Educação Profissional do Gama ficou no 3.326º lugar no ranking nacional,mas na primeira posição entre os colégios da rede pública local. A escola ultrapassou o Centro de Ensino Médio Setor Oeste, da Asa Sul, que aparece na segunda posição do grupo de escolas públicas do GDF, ou na 37ª na lista geral do DF e na 3.681ªno Brasil.Ainda que distantes do topo, essas escolas não deixam de comemorar os resultados.

Inaugurado em 2006, o Cemi do Gama conquistou a boa colocação no ranking dentre as escolas geridas pelo GDF em 2010 e repetiu o resultado nesta edição do teste. A instituição funciona em tempo integral e concilia disciplinas do currículo regular da etapa de ensino e de educação profissionalizante. Essa união aumenta a carga horária de alunos. “A escola é bastante puxada. A gente perde algumas horas de sono, mas depois vê que vale a pena”, diz o estudante do 3° ano Victor Simões, 16 anos. Colega dele, Thaynara Barcelar, 18, levanta outro ponto de destaque do Cemi Gama. “A relação entre alunos e professores é muito legal. A gente passa mais tempo na escola do que em casa, então isso é muito importante”, afirma.

O modelo aplicadona unidade prevê número médio de 40 alunos por turma, totalizando 480 estudantes. “Temos muitos projetos que não ficamsó no desenvolvimento curricular, mas se voltam também para outras aptidões dos estudantes. Por isso, eles gostam de estar aqui”, avalia o vice-diretor, Luís Cláudio Morais. Ainda assim, o professor avalia que o rendimento poderia sermelhor se o investimento fosse maior. “Temos laboratórios que viraram depósito. A quadra não tem cobertura e o refeitório não comporta todo mundo. Alguns alunos comem no chão”, lamenta.

Extremo

Do outro extremo da tabela, o Centro de Ensino Médio 304 de Samambaia apresentou uma das médias mais baixas do Distrito Federal. A vice-diretora, Rosângela Alves Pereira, argumenta que o resultado não condiz com a realidade do colégio. “Nossa escola é bem-vista pela comunidade. Temos um projeto estruturado, bons professores. Mas, muitas vezes, a Secretaria de Educação deixa o ensino médio muito solto, sem foco. Não temos apoio para essas provas”, defende. De acordo comela, outro problema que interferiu no resultado foi o local de realização do teste, em Santo Antônio do Descoberto (GO), que fez com que muitos alunos desistissem da avaliação.

Especialista empolíticas educacionais, Erasto Mendonça Fortes acredita que as redes privada e pública têm naturezas diferentes e, portanto, não poderiam ser comparadas. “É claro que sabemos que existem problemas na escola pública, mas ela é muito mais democrática que a particular, porque permite a entrada de uma população mais heterogênea. Além disso, tem um papel de formador de cidadania mais forte”, analisa.Mas o professor reconhece que a funçãode transmitir conteúdos tambémdeve ser atendida e termais cuidado por parte dos gestores.

Embusca de melhorias


Tanto o governo quanto o Sindicato dos Professores do DF pedem cuidado ao avaliar o ranking isoladamente. Apesar de 1.804 escolas separarema primeira colocada da rede privada e a líder da pública, o coordenador de Ensino Médio da Secretaria de Educação,Gilmar de Souza Ribeiro, admite que os dados do Enem apontam a necessidade de melhorar o processo pedagógico das escolas,mas observa  que aprova não é obrigatória.

“O resultado está dentro do esperado em função do históricoque a gente tem em relação a políticas para ensino médio, como em outros estados.O ensino médio é o fim de um processo de educação.O  que aconteceu com esse aluno nesses anos tem que ser levado em conta”, afirma Ribeiro.De acordo comele, as escolas da redenão são pautadaspor exames.Ainda assim, o coordenador de ensino médio afirma que a rede está reformulando o currículo e que existe a possibilidadede incluir açõesque visem ao melhor desempenho dos alunos nesses exames. “Estamos preocupados, sim, edesenvolvendo ações de melhorias, como aprofundando de projetosque vêmda esfera federal, e incrementando os nossos voltados para a área cultural”, diz.

Para o Sinpro, os rankings elaborados em cima do Enem são limitadores.“ Não épossível comparar por médias as escolas da periferia comas do Lago Sul. Issonão leva em conta a condição socioeconômica dos alunos nemas condições de trabalho dos professores”, aponta o diretor de Políticas Públicas do sindicato,  Júlio Barros. (AP)

Palavra de Especialista
“O enem ainda peca”

“Nacionalmente, o Distrito Federal continua no quarto lugar e as escolas públicas permanecem piores que as particulares. O problema ainda é a identidade do ensino médio, que não tem uma formulação sobre para que serve e de que forma trabalhá-lo. A crise está emse o ensino médio orienta para o mercado de trabalho ou se é uma etapa anterior ao ensino superior. A própria formação dos professores é um dos problemas para mudar o currículo de disciplinar em áreas do conhecimento. Eles teriam que ser instruídos a fimde trabalhar interdisciplinarmente. Embora a matrícula bruta seja animadora, o percentual de jovens comidade entre 15 e 17 anos que deveriam estar realmente nesta fase do ensino é de 50%. Existe uma defasagem série- ano muito grande. E a dos que passam dessa faixa etária sem o ensino médio e não retornam à escola é ainda maior. Como sistema de avaliação,o Enem ainda peca por não ter uma metodologia que possibilita a comparação geral. O máximo que podemos afirmar é que, entre os que fizerama prova e tiveram suas notas divulgadas, os alunos de Brasília conseguirama quart  melhor notanacional.”
Carlos Augusto deMedeiros, professor colaborador da Universidade de Brasília (UnB)

 

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