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Mudanças à vista no vestibular

Universidade de Brasília retoma as aulas, e sinaliza para a possibilidade de alterar os critérios de seleção dos candidatos, que foram mais rigorosos na última edição. O edital do próximo exame sairá esta semana e deverá trazer as novidades aprovadas pela instituição

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postado em 02/04/2013 11:15 / atualizado em 02/04/2013 11:18

Viola Júnior
O ano letivo na Universidade de Brasília (UnB) teve início, ontem, para mais de 40 mil estudantes de graduação e pós-graduação. Mudanças na última edição do vestibular e do Programa de Avaliação Seriada (PAS), contudo, concorreram para um grande número de vagas ociosas este ano. Na última edição do PAS, por exemplo, a primeira com cotas sociais, apenas 100 das 305 vagas dessa modalidade foram preenchidas. No total de 2.092 oportunidades, foram aprovados 1.417 alunos, ou seja, 675 vagas — inclusive do sistema universal —, deixaram de ser ocupadas. Diante disso, a instituição estuda mudanças no próximo edital do vestibular, previsto para ser divulgado até o fim desta semana pelo Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe).

Segundo o decano de Ensino de Graduação da UnB, Mauro Luiz Rabelo, o incremento no número de alunos vindos de escolas públicas foi pouco expressivo. “Não houve aumento significativo em função do ponto de corte, mas já fizemos uma revisão nisso. As mudanças serão implementadas no próximo edital do vestibular, que deve sair de hoje para amanhã”, adiantou. Ele se referia às exigências incorporadas aos últimos exames. Na prática, para não ser eliminado, o candidato precisava obter 20% de aproveitamento, chamado de escore bruto; 20% nas questões discursivas (tipo D); e mais 40% nas redações nas três etapas. Antes, não havia nota mínima para as questões tipo D e a redação exigia 10% a menos do concorrente.

Viola Júnior
Exigências
O professor de língua portuguesa do Galois Rafael Riemma acredita que o problema não seja a nota de corte, mas sim os critérios de eliminação. “Afinal, a nota de corte depende de cada vestibular”, justificou. “Talvez a questão sejam as exigências. Elas podem estar muito acima do nível compatível ao aluno de escola pública”, analisou. Riemma esclareceu, todavia, que as alterações não afetaram apenas estudantes de escolas públicas. Ele não concorda com as mudanças sinalizadas pela UnB. Na opinião do docente, as alterações devem ser mantidas. “Acho, inclusive que a redação deveria ter um peso maior. Nesse sentido, a UnB deixa a desejar”, acredita. O professor acrescentou ser favorável à melhoria do ensino nas escolas públicas e não à facilitação do acesso.

Joadyson Silva Barbosa, 17 anos, foi um dos alunos que ingressou na UnB pelo sistema de cotas sociais. Ele passou em 1º lugar em medicina, tanto pelo PAS, como pelo vestibular convencional. A história do garoto de família humilde, estudante de uma escola pública de Planaltina, foi contada nas páginas do Correio em 16 de março. No primeiro dia letivo na universidade, a reportagem voltou a conversar com o jovem. Radiante, ele disse ter se encontrado ali. “As primeiras aulas foram ótimas. Tive anatomia e sociologia: adorei tudo. Era muito mais do que eu esperava”, revelou. “Já fiz muitos amigos, inclusive, me chamaram para almoçar”, emendou. O menino salientou não ter sofrido trote. Segundo ele, as boas-vindas foram cordiais na UnB.

Tranquilidade no 1º dia Diferentemente de outros anos, a recepção dos calouros no câmpus Darcy Ribeiro ocorreu de forma tranquila. Não houve registros de episódios violentos, como em 2012, quando mochilas foram furtadas dentro do carro de um estudante de engenharia de redes. Nem todos os alunos, porém, estavam satisfeitos no primeiro dia. Alguns reclamaram da infraestrutura da universidade. Outros, da ausência de professores.

Os calouros, aprovados no último vestibular da UnB, representam 4.041 estudantes este ano. Na estreia, eles foram apresentados às disciplinas, ao cronograma do semestre, mas também aos tradicionais trotes organizados pelos veteranos. Em uma sala do curso de economia, vários novatos tiveram rostos e corpos pintados. Eles também precisaram subir em uma mesa para se apresentar aos colegas, falando, em voz alta, o nome e a idade. Os recém-chegados na agronomia também passaram por vexação pública, mas detalhe: a prenda era paga apenas por aqueles que queriam, esclareceu um dos estudantes do curso que preferiu não se identificar.

“Estou curtindo muito. Não houve nenhuma atitude ofensiva, embora muitos falem que os calouros são submetidos a humilhações. Isso não aconteceu com essa turma”, revelou Matheus de Brito Aguiar, 18 anos. “Só passaram tinta na gente, jogaram água e cortaram o cabelo. Mas era totalmente livre. Quem não queria participar, não participava”, garantiu. O jovem e outros tantos colegas davam vida ao tradicional elefantinho ontem pela manhã — um tipo de brincadeira em que os recém-chegados precisam andar de mãos por entre as pernas.

O grupo passava pelo Instituto Central de Ciências (ICC) Norte quando Matheus foi abordado pela reportagem. Os calouros eram motivados pelos veteranos a entoar gritos de guerra com palavrões direcionados ao curso de biologia. O novato, particularmente, analisou o ato como uma simples brincadeira. O xará Matheus Pereira Nunes, 19 anos, aluno do 3º semestre do curso de geografia, diferentemente, disse se tratar de um ato constrangedor. “Muitas vezes, eles pedem para as pessoas tirarem as blusas e ficaram andando pela UnB. Nem sempre é tranquilo, pelo contrário, na maioria dos episódios é pesado”, argumentou. (ML)

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