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Ensino Superior

Escola terá de rever metodologia

Especialistas acreditam que a decisão da Universidade de Brasília de utilizar o Enem como forma de acesso obrigará colégios e cursinhos pré-vestibulares a alterarema forma de ensino. A mudança divide os candidatos

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postado em 15/04/2013 13:06 / atualizado em 15/04/2013 13:30

Ana Pompeu , Gabriella Furquim

Ronaldo de Oliveira
Adecisão da Universidade de Brasília (UnB) de aderir ao Sistema de Seleção Unificada (SISU) lança uma provocação às escolas e aos cursinhos pré-vestibulares: adequar o conteúdo apresentado nas salas de aula à nova possibilidade de ingresso no ensino superior. Coma mudança, passam a existir três formas de entrar na universidade: o vestibular tradicional, o Programa de Avaliação Seriada (PAS) e o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Cada um com conteúdos, questões e métodos de avaliação distintos. Para especialistas, a novidade pode diminuir o tradicional decoreba de fórmulas e datas e forçar os professores a investirem na transmissão de conteúdo mais integrado e interpretativo.

Conhecido por ser um dos vestibulares mais particulares do país, a avaliação da Universidade de Brasília exige conhecimentos
específicos e pontuais. Muitas vezes, ao determinar que o candidato classifique as afirmações como certas ou erradas, exige que os alunos saibam datas exatas e fórmulas. Na contramão da avaliação do Cespe, as provas do Enem contam com questões que abordam temas amplos e que exigem mais interpretação dos candidatos.

O professor da UnB Carlos Augusto De Medeiros, especialista em educação no ensino médio, acredita que a forma como as disciplinas são passadas aos alunos está diretamente ligada ao que é cobrado nas seleções. “É uma fase com carência de identidade e acaba se voltando diretamente para a aprovação no vestibular”,  explica. Medeiros acredita que a mudança vai obrigar as escolas mais tradicionais a reformularem a maneira de apresentar o conteúdo aos alunos. “Com a adesão da UnB ao Enem, a decoreba está com dias contados. A forma tradicional de avaliar os alunos de acordo com a capacidade deles de reter informações e repetir o conteúdo não vai ser mais tão efetiva. Acredito que, aos poucos, será substituída pelo potencial de interpretar os conteúdos e interligá-los. A decoreba pode até permanecer, mas não será suficiente para garantir a aprovação”, explica.

Como é aplicado em todos o país, o Enem pode ser uma forma dos pais avaliarem o investimento que estão fazendo na educação dos filhos, acredita o presidente da Associação de Pais e Alunos das Instituições de Ensino do Distrito Federal (Aspa-DF), Luis Claudio Megiorin. “A maior adesão a esse exame joga luz no serviço oferecido nos colégios do DF. É uma avaliação em massa que permite a comparação e, com isso, deve acirrar a competição entre as instituições. As escolas vão ter que se esforçar para oferecer os conteúdos cobrados pela prova unificada e, como mais alunos vão participar, será possível ver quais instituições públicas e privadas estão oferecendo o que é cobrado”, explica. Megiorin também acredita que a novidade terá reflexos no planejamento das aulas dos professores. “O currículo do ensino médio é amarrado aos conteúdos estipulados pelo Cespe, principalmente nos colégios particulares. Será necessário ampliar”, afirma.

O diretor do Centro de Ensino Médio do Setor Oeste, Augusto Neto, acredita que os métodos de ensino realmente vão mudar. “A alteração pode ser benéfica aos estudantes. A prova do Enem é mais abrangente e diversificada em termos de conteúdo”, explica. Para ele, a novidade aumenta as chances de os alunos do ensino público ingressar em na UnB.“Nós já temos uma participação alta no exame. Acredito que a aprovação da escola vai aumentar, já que o nosso estudante que não  conseguir ser aprovado no vestibular, terá também essa opção.”

Temores

Os estudantes do colégio forampegos de surpresa pela notícia, mas, de modo geral, aprovarama novidade. Jade Christinne daCosta, 16 anos, sonhaemestudar direito na UnB e comemorou o fato de ter mais uma chance de entrar na universidade. A jovem teme, porém, que as notas necessárias para a aprovação aumentem. “A UnB é referência em direito no país todo, então, bons alunos de vários lugares podem concorrer sem sair de sua cidade”, explica. Já André Elias Paiva, 16,que quer cursar biologia, acredita que será mais fácil ser aprovado. “O PAS e o vestibular cobram conteúdos específicos, como obras literárias, além de ter o fator de correção. Acho a prova do Enem mais fácil.”Maria Luiza Saraiva, 16, discorda do colega.“É um exame mais cansativo. Exige mais interpretação”, conta a estudante. Ela afirmaque não pretende mudar a rotina de estudos por causa da mudança. Já Thaina Macena, 17, vai rever o método. “Vou ter que fazer muitos simulados diferentes parame preparar as duas avaliações”, destaca a estudante que pretende cursar letras tradução.

Palavra de especialista

Ingresso mais Democrático

“AUnB ter aderido ao Enem dá mais credibilidade ao sistema único de avaliação.Nesse sentido, ganha o Enem,já que está cercado de polêmicas e escândalos, enquanto a UnB é uma das universidade mais tradicionais e mais bem conceituadas e sólidas do país.Mas acima dos escândalos, a prova é um exame que reúne o que há de melhor e mais moderno hoje noBrasil.Coma adesão,aliada ao PAS e ao vestibular tradicional, a UnB diversifica e democratiza o ingresso, o que é muito importante e positivo.”  Estella Maris, professora da Universidade de Brasília, especialista em educação  Adesão nacional

Na última aplicação do Enem, em janeiro, participaram 101 instituições de ensino superior públicas, incluindo universidades federais e estaduais, além de institutos federais de educação superior. No total, foramoferecidas 129 mil vagas para o ingresso no primeiro semestre de 2013. No Distrito Federal, apenas o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília (IFB) participou da seleção unificada.

No início do ano, outras grandes universidades anunciaram a adesão ao projeto do Ministério da Educação (MEC), como a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que acabou com o vestibular e passa a ter o Enem como única forma de acesso. Outras instituições renomadas, como a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e a Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), haviam tomado a mesma decisão.

Apesar da crescente participação das universidades, a avaliação por meio do Enem é marcada por diversos problemas. Durante o último certame, redações com notas altas tinham trechos do Hino do Palmeiras e uma receita de macarrão instantâneo. Em 2009, as provas chegaram a ser canceladas após as avaliações vazarem e chegarem até a redação do jornal O Estado de São Paulo. Cerca de 4,1 milhões de estudantes acabaram prejudicados.Os testes teriam sido furtados da Gráfica Plural por funcionários da empresa. Em 2010, por pouco a avaliação não teve  o  mesmo destino ao surgirem rumores de falhas em algumas questões.
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