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Mercado em expansão

Regulamentada no ano passado, a profissão de turismólogo oferece oportunidade de trabalho em áreas diversas, como hotelaria, gastronomia, marketing e economia. Falta mão de obra qualificada

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postado em 20/08/2012 10:10 / atualizado em 21/08/2012 19:22

Lano Andrade
De acordo com o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, turismo é a prática de viajar por puro prazer. Além do significado primordial, o livro traz uma segunda definição: atividade comercial que envolve a operacionalização de viagens de lazer. Mesmo assim, nenhuma delas consegue chegar à ocupação do turismólogo, nome dado ao bacharel em turismo. A proliferação dos cursos de graduação na área é relativamente recente, mas a primeira formação em instituição de ensino superior surgiu na década de 1970.

Para esse profissional, o céu é o limite. Ele pode ser encontrado planejando, estudando, pesquisando ou vendendo. É o caso de Carlos Vieira, 47 anos. Formado em turismo em 1982, quando havia apenas uma faculdade que oferecia a graduação na cidade, tem uma agência de viagens há 12 anos. Além disso, esse aventureiro — como ele mesmo diz — que passou por diversas áreas do turismo, hoje, é vice-presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav). Ele foi entrevistado pela estudante Jasmim Farias Caetano, 19 anos, que cursa o quarto semestre de turismo na Universidade de Brasília (UnB).

A aluna sonha em trilhar pelo caminho da hotelaria e da gastronomia, mas sabe que a formação universitária garante uma bagagem que permite múltiplas opções. Ela aproveitou a conversa para tirar dúvidas sobre o mercado de trabalho e sobre como definir um plano para a carreira. Carlos destacou a necessidade de se formarem cada vez mais bacharéis em turismo interessados nos diferentes ramos da profissão para o desenvolvimento do setor no país. “O Brasil apresenta um enorme potencial turístico e não podemos deixar passar o grande momento que vamos viver com a Copa do Mundo de 2014 e com as Olimpíadas de 2016”, alerta.

Jasmim: Quais são as maiores dificuldades enfrentadas por um bacharel em turismo?
Carlos: Muitas pessoas entram na universidade para estudar turismo pensando que é um curso fácil, que dá um passaporte para viagens. Há um mito de que não é preciso estudar, pesquisar, dar duro. E logo vem a surpresa: o turismo é uma ciência, é um saber que exige dedicação. Fui professor de ensino superior durante alguns anos e via muita gente que queria apenas um diploma. Portanto, eu recomendo conhecer exatamente a área e o currículo dos cursos oferecidos. Assim, as dificuldades encontradas podem ser mais facilmente superadas.

Jasmim: Ter um diploma de turismólogo é importante para se destacar na área?
Carlos: É essencial, pois a universidade oferece uma formação múltipla, variada. O bacharel em turismo deve conhecer desde história e geografia até economia e marketing. Em alguns casos, ele vai entrar em contato com conceitos ambientais — para trabalhar com ecoturismo, por exemplo — e, em outros, com conceitos arquitetônicos. Claro que nem todo mundo gosta de todas as áreas, mas o diploma funciona como um termômetro. O mercado precisa e valoriza quem busca esse conhecimento.

Jasmim: O mercado mudou muito nos últimos anos?
Carlos: Com certeza. Hoje, não se viaja mais da mesma forma que antigamente. Temos atualmente o que se chama de segmentação. São nichos de mercado que unem todas as áreas do turismo — hotelaria, gastronomia, marketing, economia. As pessoas têm vontades particulares, e precisamos saber para quem e como estamos vendendo nossos produtos. E há mercado para cada tipo de pessoa: do hotel cinco estrelas aos albergues. Em Brasília, são 350 agências cadastradas e cada uma oferece um serviço diferente.

Jasmim: E como as pessoas fazem turismo agora?
Carlos: Além de fazermos uma viagem mais personalizada, pensamos no seguro, no carro, na bagagem. Para quem está na área de hotelaria, por exemplo, isso significa não mais pensar em um público abrangente, mas sim num mercado consumidor específico. “Quem eu vou receber no meu hotel? Ele vai ter um café da manhã à la carte ou vai ser servido em bufê?.” Todas essas questões devem permear a cabeça de quem trabalha com turismo.

Jasmim: O que você recomenda para um estudante no início do curso?
Carlos: Façam o maior número possível de estágios. É estagiando que a gente aprende e decide qual caminho traçar. Com a vantagem que podemos mudar várias vezes de percurso. Portanto, batam nas portas, botem a cara no mundo. Se você quer saber como funciona um hotel, deixe o seu currículo com o gerente, pergunte se o estabelecimento precisa de estagiários. Se a pessoa sonha em ter uma agência de viagens ou de intercâmbio, procure conhecer como a engrenagem funciona. Se o seu negócio é a gestão em turismo, há oportunidades de estágio na área pública. Oportunidade não falta.

Jasmim: Qual é o maior desafio do Brasil no setor?
Carlos: Falta mão de obra qualificada. As pessoas estão despreparadas, não reconhecem a importância de qualidades básicas, como o domínio de uma língua estrangeira. Precisamos dar mais valor a esse tipo de qualificação, pois isso funciona como atrativo. Um país que não está preparado para o turismo é aquele que faz de conta que os turistas vêm de diferentes lugares, diferentes culturas. Além, é claro, da falta de estruturas físicas. Brasília não tem hotéis em quantidade suficiente para receber o número de turistas previsto para a Copa, por exemplo. Mas a falta de capital humano é o maior desafio.

Jasmim: O que um turismólogo pode ter de diferencial no currículo?
Carlos: Não pode começar a carreira pensando em retorno financeiro, pois os salários não são atraentes no início. Além do domínio de pelo menos uma língua estrangeira e dos estágios, é preciso ter força de vontade e humildade para ver que há sempre espaço para melhorar. Recomendo também querer conhecer áreas muitas vezes ignoradas pelo turismólogo, como noções de direito e de captação de recursos. O mundo é grande, e a viagem é sempre uma aventura — desde que muito bem planejada.

Reconhecimento
O Projeto de Lei 290 de 2011, que propõe o reconhecimento da profissão de turismólogo, foi aprovado no ano passado e transformado na Lei Ordinária 12.591/2012.

Remuneração
De acordo com a Associação Brasileira de Turismólogos e Profissionais de Turismo, o salário inicial de um turismólogo é de R$ 2.779,50.

Perfis
Carlos Vieira


Idade: 47 anos
O que faz: é vice-presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav) e dirige há 12 anos a própria agência de turismo
O que pretende: ampliar os negócios da agência e incrementar as vendas on-line. Além disso, quer voltar a lecionar na universidade. As viagens, é claro, fazem parte do planejamento

Jasmim Farias Caetano
Idade: 19 anos

O que faz: quarto semestre de turismo na Universidade de Brasília (UnB) e estagiária no Centro de Excelência em Turismo da universidade, num projeto que envolve turismo e alimentação
O que pretende: fazer intercâmbios, não necessariamente relacionados à graduação. Depois de formada, quer cursar pós-graduação em hotelaria. Seu sonho é comandar um restaurante

Onde estudar

Centro Universitário Planalto do
Distrito Federal (Uniplan)
www.uniplandf.edu.br
Telefone: 3435-2200

Faculdade Alvorada
www.alvorada.com.br
Telefone: 3425-5600

Faculdade de Ciências Sociais e
Tecnológicas (Facitec)
www.facitec.br - Telefone: 3038-9700

Instituto de Ensino Superior
de Brasília (IESB)
www.iesb.br - Telefone: 3340-3747

Universidade de Brasília (UnB) -
Centro de Excelência em Turismo
www.cet.unb.br - Telefone: 3107-5983

 

 

 Upis Faculdades Integradas

www.upis.br

Telefone: 3445-6767

 

Universidade Paulista (Unip)

 www.unip.br

 Telefone: 2192-7000

 

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