Recrutamento

Braços abertos para o voluntariado

Intensos e difíceis, eventos esportivos de grande porte contam com a dedicação de quem se gratifica em doar seu trabalho. As oportunidades na Copa de 2014 chegam a 15 mil

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postado em 27/08/2012 10:01 / atualizado em 27/08/2012 10:04

Gustavo Moreno
Mal foi lançado o processo de seleção para trabalhar como voluntário na Copa das Confederações de 2013 e na Copa do Mundo de 2014 e o estudante de publicidade paraense Diego Borges correu para se inscrever. Na bagagem dos seus 22 anos, o rapaz carrega duas experiências de voluntariado em eventos de grande porte. Em 2009, colaborou com a organização do Fórum Social Mundial — sediado pela primeira vez na cidade onde mora, Belém. Dois anos depois, em 2011, ele participou da organização do Rock in Rio. “Ambas as oportunidades foram bastante enriquecedoras para mim e mais preciosas que qualquer remuneração”, diz. Esta é a primeira vez que Diego doará seu trabalho para um evento esportivo. Por isso, a expectativa para o processo seletivo é grande. “A Copa será marcante para o Brasil e participar disso sendo mais que um espectador é a melhor escolha”, diz o rapaz, que escolheu Brasília e Rio de Janeiro como as duas cidades sedes onde gostaria de atuar como colaborador.

O mesmo entusiasmo tomou conta da estudante de relações internacionais Juliana Grangeiro, 21 anos. Ela também se mobilizou para garantir sua participação, mas não conseguiu se inscrever logo no primeiro dia. “Mesmo assim, fiz questão de tentar na manhã seguinte, e já deu tudo certo”, conta. Para ela, o maior trunfo de fazer parte do grupo de voluntários da Copa será poder vivenciar como um evento de grande porte funciona. “Imagino que exista uma logística incrível, e gostaria de poder contribuir para que ela dê certo.” A jovem disse que, caso seja aprovada na seleção, espera ter contato com pessoas de diferentes nacionalidades e colaborar para a formação da sua rede de contatos pelo mundo. “Já penso nas amizades e nos contatos, até mesmo profissionais, que posso fazer.” Juliana candidatou-se, em primeiro lugar, para a área de atendimento aos turistas. Sua segunda opção é trabalhar com o setor reservado à imprensa.

A Fifa e o Comitê Organizador Local (COL) calculam que, para conseguir atingir o número desejado de 7 mil voluntários na Copa das Confederações e 15 mil na Copa do Mundo, seja necessário construir um banco de dados com cerca de 90 mil inscritos. A princípio, as inscrições ficarão abertas por um período inicial de 15 dias — até 5 de setembro. O número de candidatos será avaliado pela equipe técnica do COL, que decidirá se vai prorrogar o prazo. No entanto, o entusiasmo dos interessados em participar do programa de voluntários deve tranquilizar o COL. De acordo com informações divulgadas pela Fifa, nas primeiras 24 horas de funcionamento a página de cadastro recebeu 37 mil inscrições.

De acordo com Luiz Edmundo Rosa, diretor de Educação da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), a motivação para realizar o trabalho voluntário nesse tipo de evento vem da perspectiva de fazer parte da organização de algo que tem grande relevância. “No caso dos eventos esportivos, é a imagem do Brasil que está em jogo. A possibilidade de contribuir com o sucesso dessa experiência é o maior atrativo”, explica. Para Rosa, o papel da educação é central. Segundo ele, eventos que fornecem treinamento e auxílio aos participantes traçam o caminho para o sucesso dos serviços prestados. “Quando a pessoa sabe o que se espera dela e qual é a sua função no evento, ela tende a desempenhar seu papel com ampla eficácia.”

Peso no currículo
Para a presidente do Centro de Voluntariado do Distrito Federal, Olívia Volker, a doação do trabalho para a Copa do Mundo servirá como incentivo a uma nova leva de pessoas. “Eu espero que depois do evento esses voluntários tenham sentido o gostinho dessa atividade e continuem querendo seguir por esse caminho.” O trabalho voluntário tem um leque amplo e há espaço para praticamente todas as pessoas e formações. “Não importa tanto o que a pessoa sabe fazer, mas o que ela está disposta a aprender. Então, podemos unir conhecimentos passados e adquiridos e aproveitar o melhor dos dois”, avalia Olívia.

O interesse em contabilizar as experiências de voluntariado passa também pelo currículo. Segundo a gerente de recursos humanos de uma rede de laboratórios brasiliense, Juliana Alcântara, ter atuado como voluntário é algo que pesa hoje em dia. “Especialmente se for em algo de grande porte, como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos.” Ela chama a atenção para o fato de muitas empresas explicitarem o diferencial que o trabalho não remunerado tem. “É frequente que em processos de seleção de trainees ou estagiários os recrutadores digam que é desejável ter experiência como voluntário”, diz a especialista.

Esquema reforçado

No Centro Interescolar de Idiomas (CIL) nº 1 de Brasília, uma verdadeira força-tarefa de voluntários está em fase de preparação. São mil adolescentes, todos alunos da instituição, que fazem parte de um grupo cujo principal objetivo é adquirir experiência de voluntariado. Eles falam inglês, espanhol, francês e alemão e, regidos pela professora Regilene Santos, aprendem mais sobre a cultura brasileira, se informam sobre os países e estudam os monumentos de Brasília. Regilene é coordenadora do programa de voluntariado da escola, e diz que todo o conhecimento obtido pela turma já foi colocado em prática. Só no ano passado, os alunos atuaram como voluntários em dois grandes eventos esportivos sediados em Brasília — o Campeonato Mundial de Patinação Artística e o Torneio Internacional de Vôlei.

A possibilidade de entrar em contato com pessoas de outros países e de aperfeiçoar uma língua estrangeira fascina quem deseja se voluntariar para o trabalho na Copa de 2014 e nos Jogos Olímpicos de 2016. “Os jovens que estudam no CIL querem agarrar essa oportunidade a qualquer custo”, conta Regilene. Orgulhosa da grande adesão por parte dos estudantes, ela diz que tão logo as inscrições para a seleção de voluntários da Copa abriram, uma comoção entre os jovens aconteceu. “Passei a tarde desta quarta-feira (23) por conta do cadastro dos alunos, que não queriam perder sequer um minuto.” Segundo ela, o fato de já terem participado como voluntários em outros eventos esportivos serviu como trunfo para os alunos. “Eles comentaram comigo que se sentem mais confiantes e perceberam que a experiência que têm é valorizada pela Fifa”, revela. Para aprimorar o treinamento dado aos alunos que querem se voluntariar, a professora foi até Londres, sede dos Jogos Olímpicos deste ano, para observar como os voluntários trabalharam por lá. Ela espera transferir os relatos e as informações obtidos aos jovens como forma de troca.

Passo a passo
O processo será composto por seis fases: inscrição no site, treinamento geral, dinâmicas de grupo, entrevistas, entrevistas específicas e treinamento específico. A aprovação em todas as etapas é obrigatória.

Mãozinha

De acordo com a Fifa, para o trabalho de 10 horas por dia, por pelo menos 20 dias de dedicação exclusiva, os voluntários têm direito a alimentação, transporte e uniforme.

Expectativa
Para atender a demanda da Copa de 2014, por voluntários, uma parceria especial foi criada.
É o projeto “Um gol de educação”, realizado pelos CILs e pela Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal.

Como fazer para ser um voluntário
Qualquer pessoa que tiver mais de 18 anos de idade, independentemente do sexo e da nacionalidade, pode participar do processo seletivo para atuar como voluntário na Copa. As inscrições são feitas pela internet por meio do site https://ems.fifa.com/Volunteer/Brazil/Login/. Caso seja aprovado na seleção, o candidato pode atuar nos seguintes setores: transporte, segurança, protocolo, atendimento a turistas, departamento médico e serviço de idiomas. Pessoas com deficiência também são estimuladas a participar. Mais informações pelo email: voluntarios@brasil2014.com.br.

Chance de ouro
O COL estima ter aproximadamente
1.500 voluntários
em cada uma das 12 cidades sede na Copa do Mundo

Na Copa das Confederações, o número deve ser de
8.000 voluntários

15mil
é o número de voluntários que trabalharam na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul

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