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Capacitação

Por trás do clique

Em 2013, o comércio eletrônico deve faturar R$ 28 bilhões no Brasil, mas não encontra profissionais no mercado. Empresas e candidatos alegam que ainda faltam opções de qualificação acessíveis

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postado em 25/03/2013 10:20 / atualizado em 25/03/2013 10:22

Sarita González

Gustavo Moreno
Eletrodomésticos, livros e até mesmo roupas e sapatos. Hoje em dia, não faltam produtos que podem ser adquiridos com apenas um clique. Pesquisas feitas pela e-bit, empresa especializada em informações do setor, mostram que, em 2012, existiam mais de 37,6 milhões de e-consumidores no país. Entretanto, essa expansão não se aplica ao número de profissionais na hora de se contratar mão de obra: no ano passado, das empresas que precisaram de profissionais para trabalhar com e-commerce, 65% alegaram não ter encontrado candidatos com as habilidades necessárias. Eles são ainda mais raros no Distrito Federal, que conta com apenas 1% dos trabalhadores do setor no país, enquanto o estado de São Paulo tem 76% deles.

Em setembro do ano passado, a brasiliense Mariana De’Carli, 24 anos, chegou com a mãe e o irmão de Londres, onde moravam, para abrir uma loja virtual de moda feminina. “Preferimos um site, pois é mais interessante para a liberdade do consumidor ao comprar”, conta. O maior desafio da empresária foi encontrar profissionais para trabalhar na London Republic. “Anunciamos as vagas de emprego para achar quem tivesse conhecimento em estoque e logística, mas apareceram muitos candidatos com experiência em venda tradicional, o que não adianta muito para a nossa plataforma”, explica.

Após a contratação, 63% das companhias que selecionaram candidatos ficaram encarregadas de treinar o novo funcionário. No caso de Mariana e de seus sócios, após seis meses, eles conseguiram formar uma equipe com 10 pessoas, mas, ainda assim, ofereceram treinamento em contabilidade e sistema de software para os contratados. “O sistema é suscetível a erros, portanto, o profissional deve entender de informática e se sentir extremamente confortável com o trabalho virtual. Se o cliente fez uma compra no site, a empresa não pode perder prazos. Caso contrário, o profissionalismo da loja será colocado em xeque”, alerta.

Aprendendo na prática

A indicação por meio de amigos e parentes ainda é o principal recurso utilizado para encontrar candidatos a vagas de emprego na área. Com o analista de sistemas Eliézer Rocha, 39 anos, não foi diferente. Ele soube da vaga na London Republic por acaso, após conversar com uma amiga de Mariana. “Eu não tinha uma formação específica para trabalhar com e-commerce, mas fui aprendendo na raça, além de contar com o treinamento oferecido”, revela. Ele faz parte de 66% dos funcionários que aprendem a trabalhar com e-commerce na própria empresa.
Há seis meses na função de gerente operacional da loja virtual, Eliézer conta que, depois de entrar para a equipe, passou a observar a seleção de novos candidatos e percebeu a dificuldade de encontrar profissionais. “Já chegamos a receber mais de 100 currículos de uma vez, mas, na prática, vimos que a maioria dos candidatos não tem noções básicas de matemática, por exemplo”, lamenta. Ele, que até então nem imaginava trabalhar na área, hoje acredita que os desafios do e-commerce são atraentes. “Um dia nunca é como o outro, mas, para seguir na área, é necessário buscar conhecimento”, atesta.

O perfil do profissional de e-commerce é de homens com idade média de 36 anos. Do total, 59% são graduados e têm renda média de R$ 5.262. Com relação à função, 69% dos profissionais são sócios ou proprietários e 13% são gerentes. Daniel Cardoso, diretor da Universidade Buscapé, em São Paulo, explica que o perfil do público que procura capacitação em e-commerce está se ampliando. “Se, antes, a busca por cursos se dava mais por parte de empresas que queriam entrar para o varejo on-line, hoje, profissionais de grandes organizações e com diferentes tipos de formação também se interessam”, destaca. Cardoso também explica que os produtos que mais atraem os e-consumidores vêm mudando. “Entre 2007 e 2012, a categoria vestuário passou do 26º para o 2º lugar entre os produtos mais vendidos no mercado virtual”, acrescenta.

Em busca de preparação

Com o setor em alta, a previsão da e-bit é de que o comércio eletrônico fature R$ 28 bilhões neste ano, aumento de 25% em relação a 2012. Para que mais profissionais cheguem a esse mercado em expansão, é necessário que as empresas e os interessados no setor busquem capacitação. Maurício Salvador, fundador da escola brasileira especializada em comércio eletrônico Ecommerce School, percebeu a dificuldade das micro e pequenas empresas em compreender o mercado e, em 2007, começou a abrir cursos para pequenas lojas virtuais. “Trata-se de um fenômeno que começou a ganhar força há cerca de cinco anos. O mercado ainda não teve tempo de se preparar”, justifica Maurício, que também é presidente da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm).

Quem precisa de consultoria para abrir uma empresa de e-commerce pode contar com o Programa SebraeTec de Inovação Tecnológica, uma das iniciativas do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). “A procura por apoio para abrir loja virtual vem aumentando significativamente em Brasília, sobretudo entre empresas de prestação de serviços”, conta Cristina Sá, gerente da Unidade de Atendimento Coletivo de Serviços do Sebrae no DF.

Onde encontrar formação
  Em Brasília
No DF, o Sebrae promove o ciclo de palestras Circuito Empreendedor, que oferece oficinas voltadas para o comércio virtual. A próxima — Como abrir uma loja virtual — será em 9 de maio. Informações pelo site www.df.sebrae.com.br.
O Sebrae também desenvolveu o projeto Primeiro E-commerce, em parceria com o Mercado Livre. A plataforma tecnológica permite que micro e pequenas empresas criem, de graça, lojas virtuais. Informações pelo site www.primeiroecommerce.com.br.

  Em São Paulo
A Universidade Buscapé, em São Paulo, oferece cursos a distância e presenciais, como de e-commerce para pequenas empresas, gerentes de e-commerce e marketing digital e engenharia de vendas on-line, cada um com um tipo de público. Informações pelo site www.unibuscapecompany.com ou pelo telefone (11) 3848-8700.

  Em todo o Brasil
A E-commerce School oferece mais de 30 cursos para todos os níveis de e-commerce. No mês que vem, a instituição abrirá cursos presenciais em sete cidades — Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Florianópolis, Blumenau, Porto Alegre, Recife e Curitiba. Informações pelo site www.ecommerceschool.com.br ou pelo telefone (11) 3405-4221.

Direitos garantidos
No último dia 15 de março, em edição extra do Diário Oficial da União (DOU), o governo editou o decreto nº 7.962, que regulamenta o comércio eletrônico no país. De acordo com o texto, o setor deve disponibilizar aos consumidores informações claras a respeito do produto, do serviço e do fornecedor. Além disso, as empresas devem promover atendimento facilitado aos consumidores e garantir o direito de arrependimento da compra. Com o decreto, o comércio eletrônico passa a fazer parte dos serviços regulados pela Lei nº 8.078, de 1990, o Código de
Defesa do Consumidor.
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