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Educação

Carreira de professor não atrai estudantes

Salários baixos, falta de estímulo e poucas oportunidades de ascensão na carreira espantam os candidatos ao magistério

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postado em 08/04/2013 12:47 / atualizado em 08/04/2013 13:11

Grasielle Castro /Correio Braziliense

Edilson Rodrigues
O sonho de ser professor tem sido sufocado pela realidade do mercado nas universidades brasileiras. As políticas de valorização dos docentes não avançam. As empresas, por sua vez, disputam especialistas com salários estimulantes e boas condições de trabalho. Quem entra no ensino superior acalentando o plano de dar aulas, acaba desistindo. Em números absolutos, os que mais abandonam o caminho do magistério são os candidatos a professor de português ou matemática. Só em 2011, foram quase 40 mil desistências, segundo dados do último Censo do Ensino Superior. O curso de física é o que tem o maior percentual de alunos desvinculados em comparação com o número de matrículas: 31%.

Todas as disciplinas citadas são obrigatórias nos currículos das escolas brasileiras. Mesmo assim, o desempenho dos estudantes nessas cadeiras deixa muito a desejar, segundo pesquisas oficiais de avaliação, como a Prova Brasil. Especialistas ouvidos pelo Correio acreditam que, para mudar esse quadro, são necessárias políticas capazes de aliar a educação ao crescimento do país.

O alto índice de desistência, segundo a diretora executiva do Movimento Todos pela Educação, Priscila Cruz, mostra que, cada vez mais, os estudantes optam pelo bacharelado em vez da licenciatura.Na opinião dela, o principal chamariz é a possibilidade de o profissional conseguir um emprego mais bem remunerado. “No caso das ciências exatas, por exemplo, como há poucos especialistas na área e uma demanda maior por profissionais, como engenheiros e matemáticos, eles acabam trocando de ramo. Em uma economia aquecida, com pleno emprego, muitas empresas absorvem esses profissionais”, avalia.

A trajetória de Leandro Chiarini, 20 anos, estudante do 5º semestre de matemática da Universidade de Brasília (UnB) reflete essa tese. Ele iniciou a graduação com a intenção de fazer duplo curso (bacharelado e licenciatura), mas, ao longo do curso, descobriu que o campo da matemática era bem mais amplo.“São opções diferentes. É bom ensinar, mas vi que gosto mais de aprender”, destaca. “A quantidade de coisas para fazer na área é grande, e há espaço para quem quer seguir a carreira na pesquisa”, completa. Apesar de considerar a área fascinante, ele destaca que é fácil perceber que muita gente desiste com facilidade do curso. “Quando entrei na UnB, éramos uns 40 calouros. No segundo semestre, só oito permaneceram”, lamenta.

O estudante do 9º semestre do curso de físicaDiegoVeloso, de 24 anos, nem chegou a cogitar a licenciatura. “Optei pelo bacharelado para poderme dedicar com exclusividade à pesquisa, os profissionais da educação básica não são valorizados, principalmente na rede pública”, justifica.

O coordenador do curso de matemática da UnB, Guy Grebot, ressalta que a desistência é um caso histórico, mas que tem se intensificado nos últimos anos. “A remuneração é umdos fatores (da desistência). Tem profissional que ainda leva a carreira como um quebra-galho, e não é. As pessoas se esquecem de reconhecer o magistério. Tem cargos em que basta o ensino médio para que o funcionário ganhe uma fortuna”, desabafa.

O retrato do desestímulo para seguir carreira no magistério também aparece em uma pesquisa feita em 2010 pela Universidade de São Paulo (USP) dentro da própria instituição, a maior do país. O estudo apontou que dar aulas é apenas a quarta razão para escolha da licenciatura.

O diretor jurídico do Sindicato dos Professores do DistritoFederal (Sinpro-DF),Washignton Dourado, argumenta que “a maioria faz outra opção, porque o prestígio de ser professor está caindo”. “Há uma falta crônica desses profissionais, principalmente de (ciências) exatas. A gente percebe que, no momento em que o jovem escolhe a faculdade que ele vai cursar, há uma demanda maior por cursos de áreas saturadas, como direito, em detrimento da licenciatura”, diz Dourado.

O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Luiz Cláudio, assegura que o Ministério da Educação tem acompanhado o problema, mas destaca que o quadro está mudando. Segundo ele, a criação do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) tem dados bons resultados, assim como o Exame Nacional do Ensino Médio e o fortalecimento do programa de assistência estudantil. “O Pibid tem feito com que o estudante se motive, fique no curso. E, com o Enem, a concorrência para os cursos de formação de professor aumentou e tem atraído estudantes com notas mais altas, que permanecem no curso”. As mudanças, segundo ele, devem se refletir nos próximos censos do ensino superior.

A política do piso nacional para os professores e as ações do Plano Nacional de Educação, que tramitam no Senado Federal, também são apontados pelo órgão como políticas eficientes. “Boa escola precisa de bons professores e precisamos tê-los para repor nossa demanda”, resume.
 

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