A primeira impressão é a que fica

Toda atenção é pouca na hora de estabelecer o contato inicial com a empresa por meio do currículo

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postado em 15/04/2013 10:19 / atualizado em 15/04/2013 14:58

Viola Júnior
Na hora de procurar emprego, possuir as qualificações necessárias, ser articulado e estar apresentável são requisitos importantes para chamar a atenção do recrutador. Não adianta, porém, querer pular etapas. Antes de enfrentar uma entrevista, o candidato deve voltar a atenção para a primeira forma de contato entre a empresa e o aspirante a um cargo: o currículo. Selecionar as informações que serão mais importantes para cada empregador é imprescindível, até mesmo para manter a objetividade. Alguns erros cometidos na elaboração desse documento (veja a ilustração) podem fazer o sonho do trabalho tão esperado ir por água abaixo. A coach de carreiras do grupo Axia Coaching Iracylka Liberato conta que a seleção de currículos tem como objetivo identificar o perfil dos candidatos. Se a incompatibilidade entre empresa e profissional for identificada nessa fase, o currículo pode ser descartado logo de início. Ela explica que há dois perfis distintos de candidatos. O documento deve seguir um determinado modelo para alguém com pouca experiência e outro padrão para quem traz muita bagagem profissional a ser apresentada. “Se a pessoa estiver em início de carreira, deve dar destaque à formação. Se já é um executivo com muita experiência, o foco deverá estar nos resultados que obteve ao longo da carreira profissional”, pontua a especialista. Já Alexsandra Bentemuller, gerente de conteúdo do portal Universia Brasil, acredita que qualquer conhecimento pode ser útil, e a experiência, seja ela de vida ou profissional, precisa ser citada no currículo e atestada durante a entrevista de emprego. Além disso, as informações, é claro, precisam ser verdadeiras. “Em um mercado competitivo como o nosso, é comum vermos pessoas mentindo no currículo, achando que isso vai passar sem que o recrutador perceba. É melhor sempre ser honesto”, atesta Alexsandra. A especialista, que tem experiência em recrutamento de profissionais, lembra que as informações falsas criam uma situação constrangedora quando o candidato fica cara a cara com o recrutador. Apresentação on-line Na era da internet, ter um currículo on-line bem estruturado, com informações recentes, pode atrair empresas. “É importante criar sua marca on-line, pois um currículo social aumenta em muito as chances de contratação”, conta Alexsandra. Redes sociais dedicadas a manter contatos profissionais, como o LinkedIn, também são uma boa opção. No entanto, o mais importante não é o meio em que as informações são disponibilizadas, e, sim, a imagem que o candidato pretende passar. Referências profissionais de antigos empregadores, de colegas de faculdade e de trabalho também podem auxiliar o recrutador a visualizar as competências profissionais. Levantamento feito pelo site de carreiras Vagas.com.br mostra que trabalhadores em início de carreira demoram cerca de seis meses para incluir novas informações nos currículos on-line. A pesquisa, feita em dezembro de 2012, teve como base cinco milhões de currículos cadastrados no site, que abastece a área de Recursos Humanos de duas mil empresas em todo o país. Entre os profissionais de 21 a 30 anos de idade, 54,7% declararam que passam mais de 180 dias sem incluir novas informações sobre a evolução na carreira. A gerente de relacionamento Fernanda Diez, da Vagas Tecnologia, companhia que controla o site Vagas.com.br, afirma que cada vez menos as empresas recebem currículos em papel ou mesmo por e-mail, enviado como anexo. Os documentos preenchidos eletronicamente entram em um banco de dados que será cruzado de acordo com as necessidades da empresa. “O ideal é que o currículo on-line seja um instrumento de acompanhamento da sua carreira, garantindo que as informações estejam sempre completas e de acordo com o perfil buscado”, explica Fernanda. Segundo ela, não há quantidade limite de informações em um currículo on-line, e, por isso, ele não precisa ser tão sucinto quanto o impresso. Bagagem A peruana Katherine Renteria, 18 anos, mudou-se para o Brasil no ano passado e está à procura de emprego como recepcionista. Ela tem formação equivalente ao ensino médio completo e recebeu a ajuda de uma amiga para elaborar o currículo, em que colocou uma foto 3x4, dados pessoais e nível de escolaridade, além de informações sobre atividades extracurriculares, como conhecimentos em informática e um curso de técnicas administrativas. Ela afirma que a maior dificuldade não é o fato de ser estrangeira, pois se comunica bem em português e o domínio do espanhol conta como um diferencial. O principal empecilho para ser admitida é a falta de experiência. “Se não me derem uma primeira chance, como eu vou colocar isso no currículo?”, reclama. Para muitos recrutadores, infelizmente, a falta de experiência é vista como fraqueza, de acordo com Alexsandra Bentemuller. Ainda assim, o candidato ao primeiro emprego deve relatar alguma experiência relevante, seja durante a vida escolar ou por meio de cursos que tenha feito, explica a especialista. Ela relata que a experiência não precisa ser necessariamente quantitativa. “A pessoa deve pensar em como aquela experiência traduzirá a essência do que ela é ou o que pode contribuir para a vaga”, comenta. Segundo Fernanda Diez, vale a pena o candidato citar um projeto que tenha liderado na escola ou alguma ação comunitária da qual participe. Objetividade é tudo Mesmo que a falta de experiência dificulte a seleção do currículo, não adianta tentar enrolar o recrutador. A coach Iracylka atenta para o fato de muitos iniciantes pecarem ao informar o objetivo profissional. “Se a pessoa é jovem e ainda não tem um objetivo bem definido para a carreira, o ideal é que coloque, no mínimo, a área em que pretende atuar”, explica. Clichês, adjetivos em excesso e informações desnecessárias devem ser cortados. Frases como “Quero ingressar nessa estimada empresa e fazer um trabalho para que eu possa crescer” não têm vez. “Isso está subentendido. A empresa já espera que você queira crescer.” No ano passado, o executivo de shopping center Marcelo Krob, 40 anos, decidiu trocar de emprego. Seu maior desafio passou a ser elaborar um currículo sucinto e atraente, que refletisse uma ampla experiência profissional, mas que preservasse as principais competências e experiências obtidas ao longo da trajetória. Segundo ele, a dificuldade era eleger o que seria mais relevante para acrescentar ao documento. “Havia muita informação, o que tornava o currículo extenso demais”, conta. Por isso, buscou a orientação de um profissional de coaching e teve sucesso na mudança. “Uma boa maneira de chamar a atenção é trazer os cases e resultados alcançados de forma objetiva”, relata Marcelo. A dica para quem possui muita experiência, de acordo com a coach Iracylka, é indicar o cargo que ocupava, um resumo das principais funções que executava e os resultados que alcançou durante o período. “Não incluir esses dados é o maior erro que as pessoas com mais experiência cometem. Elas sabem como realizar o trabalho e já alcançaram excelentes resultados, mas, na hora de contar isso no currículo, não conseguem”, explica.

 

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