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O valor de uma ideia

A indústria criativa brasileira cresce em ritmo mais acelerado do que o da economia do país e precisa de profissionais capacitados para garantir a expansão

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postado em 23/06/2013 06:00 / atualizado em 24/06/2013 12:08

Mariana Niederauer

Ed Alves/CB DA Press
A padronização dos produtos não atende mais as necessidades da economia mundial. Para manter a competitividade, os mercados precisam de um insumo que existe desde o início dos tempos: a criatividade. Em todo o país, há mais de 800 mil profissionais na indústria criativa, 19 mil deles estão em Brasília. Os dados são de pesquisa feita pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), que mostra também que o mercado ligado às profissões criativas têm crescido num ritmo maior do que o mercado tradicional. Enquanto o PIB brasileiro cresceu 2,7% em 2011, o chamado PIB criativo subiu 5,7%. Especialistas afirmam que para sustentar o desenvolvimento é preciso ter profissionais capacitados nas diversas áreas incluídas nessa indústria e também em gestão empresarial.

Para o levantamento da Firjan, foram considerados 14 segmentos culturais e da área de pesquisa e desenvolvimento. O de arquitetura e engenharia apresentou o maior número de profissionais no país e no Distrito Federal. O arquiteto recém-formado Wilson Romão, 26 anos, já montou um escritório de arquitetura com um sócio. Para tornar a empreitada viável, os dois dividem o escritório com outros profissionais. “A experiência que estou tendo no mercado está sendo satisfatória. O mercado está aquecido, tem bastante clientes”, afirma. Wilson sentiu falta de uma preparação para o negócio durante a faculdade, que tem um foco mais artístico. Ele teve que aprender a ser empreendedor na prática. Hoje, o escritório faz projetos dos mais variados, de residenciais a comerciais.

O coordenador dos cursos de arquitetura e de design de interiores do Centro Universitário Iesb, Eliton Brandão, explica que, para seguir carreira, a criatividade é mesmo essencial. Saber dar um uso sustentável aos materiais também é uma característica valorizada. “É importante saber embasar o seu projeto, o seu conhecimento e a sua criação na sustentabilidade, saber reutilizar e dar novos usos a materiais que poluem pouco”, coloca Brandão. O mercado em Brasília, segundo ele, tem várias oportunidades. Prédios que completam mais de 50 anos precisam passar por atualizações que dependem de arquitetos, além das novas construções em bairros como Águas Claras e Noroeste. A reitora do Iesb, Eda Coutinho, que oferece outros cursos na área de economia criativa, percebe que o perfil dos alunos que buscam essas formações é de jovens que querem desafios e estão dispostos a sair da zona de conforto. “O jovem dessa área é mais inquieto, não tem medo de arriscar e precisa ter conhecimento na área de tecnologia”, lembra.

Tecnologia
Gabriel Pinto, especialista de indústria criativa do Sistema Firjan, reforça que a tecnologia é essencial para o desenvolvimento do setor, pois expande os canais de distribuição e de consumo. Ele explica que as indústrias criativas são aquelas que geram produtos que têm propriedade intelectual e valor simbólico. Outro ponto importante é que elas agregam valor aos produtos, o que, hoje em dia, representa um diferencial, uma vez que concorrer com a produção em larga escala de economias como as das China e dos Estados Unidos é quase impossível. “O padrão é a antítese da indústria criativa”, afirma o especialista. “Essa é uma atividade cujo principal insumo são as ideias”, completa.

Apesar de cada setor ter características específicas, uma delas é comum e essencial a qualquer profissional da indústria criativa: a capacidade empresarial. Luciana Santana, coordenadora da Unidade de Economia Criativa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) da Bahia, explica que as fragilidades da maioria dos setores relacionados à economia criativa são o alto grau de informalidade, pouca qualificação profissional e empresarial e a falta de estratégias para difusão e distribuição dos produtos e serviços oferecidos. O sucesso depende, portanto, da capacitação e também de estar atento às tendências do mercado. “Buscar informações e pesquisas, analisar cenários econômicos e sociais e destacar alternativas para fidelizar o público e atrair novos mercados deve ser uma ação permanente em uma gestão empresarial criativa”, afirma Luciana.

A especialista lembra que todas as empresas de sucesso precisam de criatividade e de inovação. Dessa forma, os profissionais criativos já saem na frente na hora de montar o próprio negócio e se destacam ainda mais por terem como base recursos que são inesgotáveis, as ideias. A dificuldade para conseguir investimento, no entanto, pode ser maior, pois eles não têm as garantias de retorno tradicionalmente exigidas pelos agentes financeiros.
A estilista Cintia Taira, 29 anos, chegou a procurar um imóvel comercial para alugar e expor as peças que produz. Mas o valor alto a fez optar por atender os clientes em casa, com hora marcada, e a investir na venda e divulgação pela internet. Cintia abriu uma camisaria há dois anos e aposta na exclusividade das peças para atrair as clientes de Brasília. “Eu sempre quero colocar algo diferente, até porque camisa é uma peça que está muito na moda. A produção é pequena, porque quero exclusividade”, conta.

Abrangência
Todas as profissões podem inovar de alguma forma, mas há aquelas que estão dentro da chamada indústria criativa. A especialista Ana Carla Fonseca Reis, assessora em economia criativa para a Organização das Nações Unidas (ONU), explica que essa indústria inclui os setores com maior carga de criatividade, tanto os ligados à cultura quanto aqueles relacionados à ciência e à tecnologia. O conceito de economia criativa é ainda mais abrangente, pois inclui também o impacto dessa indústrias nos setores tradicionais: a moda estimula o setor têxtil a produzir tecidos novos que estimula os produtores a fornecerem matérias-primas diferentes. “Esse efeito multiplicador quebra com aquela lógica de que o criativo é apenas o artista e o cientista. Para a indústria dar certo, precisamos que todos os que trabalham ali sejam mais criativos”, destaca Ana Carla. “O mundo inteiro está indo atrás do que é diferente. Ou você começa a se diferenciar ou não consegue vender o produto e o serviço”, completa.

Em alguns segmentos, ainda é difícil provar que a carreira criativa é um trabalho de verdade. Foi o que aconteceu com Thanise Silva, 23 anos, quando ela escolheu a profissão. A jovem estuda música desde os 8 anos de idade. Ela tem formação de nível técnico pela Escola de Música de Brasília, onde atualmente dá aulas, e é bacharel em música pela Universidade de Brasília (UnB). Apesar de nunca ter pensado em seguir outra carreira, Thanise enfrentou resistência de alguns colegas. “Não é o tipo de coisa que você escolhe necessariamente, é uma coisa que você sente”, diz ela sobre a opção pela profissão. O fato de viver apenas de música — ela também faz parte de um grupo de Choro — continua a causar estranhamento. “Ainda existe a ideia de que música é uma profissão à parte. As pessoas perguntam ‘mas o que mais você faz?’”, relata.

Desafios constantes
Há cerca de um ano o governo federal instituiu a Secretaria da Economia Criativa, ligada ao Ministério da Cultura. Uma das prioridades no momento é a criação de um instituto para formação de profissionais para a economia criativa, resultado de parceria com o Ministério da Educação. O edital será lançado no segundo semestre deste ano, e todos os estados poderão fazer propostas de instalação da instituição. O melhor projeto será selecionado e servirá de piloto para outros câmpus que poderão ser instalados no resto do país. “Nós não temos uma formação que seja coerente com os desafios de um mercado de trabalho novo, voltada para esses empreendimentos que são cada vez mais importantes estrategicamente para o país”, explica a secretária da pasta, Cláudia Leitão. A falta de preparação para a gestão também é apontada por Cláudia como um dos principais problemas, além da dificuldade em quantificar esses produtores, já que a informalidade é muito alta.

Na opinião da secretária, é necessário estabelecer um marco regulatório para definir as características de cada setor e melhorar as oportunidades de financiamento. Cláudia afirma que está em processo avançado negociação com a Caixa Econômica Federal para o lançamento de uma linha de crédito orientado para os profissionais criativos. “Precisamos abrir um caminho. Para haver inclusão criativa, é preciso de inclusão econômica”, destaca. Em relação à falta de dados para o setor, ela explica que há um plano de implementar observatórios nas cinco regiões do país para obter informações. A secretária defende que o investimento em políticas públicas para a área será importante para aumentar a competitividade dos produtos brasileiros e diversificar a produção, complementando o modelo tradicional. “Temos que apostar numa economia que não seja poluidora, que não destrua o meio ambiente e que não dificulte a mobilidade social”, finaliza.

Leia

No site da empresa de economia, cultura e desenvolvimento Garimpo de Soluções é possível encontrar várias obras sobre economia criativa com download gratuito. Os links estão disponíveis no site garimpodesolucoes.com.br.

Confira a lista de instituições do DF que oferecem cursos ligados à indústria criativa:

Universidade Católica de Brasília (UCB)
- Arquitetura e urbanismo
- Biomedicina
- Ciência da computação
- Comunicação social – publicidade e propaganda
- Sistemas de informação
- Análise e desenvolvimento de sistemas
- Gastronomia
- Gestão da tecnologia da informação
- Redes de computadores
- Pós-gradução em várias áreas

Confira a lista completa de cursos no site: www.ucb.br

Centro Universitário Iesb

Graduação
- Arquitetura e urbanismo
- Ciência da computação
- Comunicação social – cinema e mídias digitais
- Comunicação social – publicidade e propaganda
- Engenharia da computação
- Engenharia de produção
- Teatro

Graduação tecnológica
- Análise e desenvolvimento de sistemas
- Design gráfico
- Design de interiores
- Design de moda
- Fotografia
- Gastronomia
- Jogos digitais
- Produção multimídia

Confira a lista completa de cursos no site: www.iesb.br

Centro Universitário de Brasília (Ceub)

- Análise e desenvolvimento de sistemas – noturno
- Arquitetura e urbanismo – matutino
- Biomedicina – matutino
- Ciência da computação – noturno
- Gastronomia – noturno
- Publicidade e propaganda – matutino

Confira a lista completa de cursos no site: www.uniceub.br

Unip

Graduação tecnológica
- Gestão e negócios
- Gastronomia
- Gestão de turismo (antigo turismo receptivo)
- Hotelaria
- Análise e desenvolvimento de sistemas (antigo desenvolvimento de software)
- Banco de dados
- Gestão da tecnologia da informação (antigo gestão de sistemas de informação)
- Jogos digitais
- Redes de computadores (antigo gerenciamento de redes de computadores)
- Segurança da informação
- Sistemas para internet
- Design de interiores
- Design de moda (antigo gestão em moda, estilismo e design)
- Design de produto
- Design gráfico (antigos criação e produção gráfica digital e comunicação em computação gráfica)
- Fotografia (antigo fotografia digital)
- Produção audiovisual (antigo vídeo digital)
- Produção multimídia (antigo comunicação para web)
- Produção publicitária

Graduação tradicional
- Biomedicina
- Arquitetura e urbanismo
- Ciência da computação
- Desenho industrial
- Sistemas de informação
- Comunicação social (publicidade e propaganda)
- Moda
- Propaganda e marketing
- Turismo

Confira a lista completa de cursos no site: www.unip.br


Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac)
- Costureiro – 200h
- Organizador de eventos – 200h
- Recepcionista – 200h
- Técnico em design de interiores – 1.120h
- Técnico em guia de turismo – 1.000h
- Técnico em informática – 1.360h
- Web designer – 220h

Informações no site: www.senacdf.com.br


Universidade de Brasília (UnB)
- Engenharia de software
- Arquitetura e urbanismo
- Artes cênicas
- Artes plásticas
- Ciência da computação
- Comunicação social
- Desenho industrial
- Engenharia de computação
- Engenharia de redes de comunicação
- Engenharia de produção
- Música
- Turismo

Confira a lista completa de cursos no site: www.unb.br


Instituto Federal Brasília (IFB)
Cursos técnicos subsequentes (pós-médio)
- Técnico em comércio
- Técnico em eventos
- Técnico em informática: desenvolvimento de sistemas
- Técnico em manutenção e suporte em informática
- Técnico em vestuário

- Licenciatura em dança

Confira a lista completa de cursos no site: www.ifb.edu.br


Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/DF)
O Sebraer oferece diversos cursos para micro e pequenos empresários. Confira o calendário.
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