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Estratégias para o negócio

Especialistas são unânimes em afirmar que, sem planejamento, as chances de uma empresa dar certo diminuem muito. Colocar na ponta do lápis todas informações sobre o mercado é essencial

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postado em 01/12/2013 17:57 / atualizado em 01/12/2013 18:01

Mariana Niederauer

Bruno Peres
Para abrir um negócio, não basta ter uma boa ideia, é preciso torná-la viável. E isso deve ser feito por meio de planejamento adequado de toda a estrutura da empresa, antes mesmo da formalização. Dessa forma, os riscos do empreendimento serão bem menores, e as chances de sucesso aumentam. É nessa hora que se definem o público-alvo, o produto ou serviço a ser oferecido, o local onde ele será comercializado, quais são os concorrentes e quanto custará o empreendimento. Colocar todos esses itens no papel é a chave para não se perder no futuro da empresa.
Elaborar um plano de negócio (veja o quadro) é o primeiro passo. Nele, estarão descritas todas essas variáveis do empreendimento. Antes, no entanto, é preciso ter certeza de que há mercado para a ideia. “Não adianta nada eu perder um tempo enorme para desenvolver um plano de negócio, que requer muito trabalho, se as pessoas não validam aquela ideia”, alerta a coordenadora do centro de empreendedorismo do Insper, Cynthia Serva. A especialista explica que o ideal é fazer uma pesquisa com o público-alvo.

Outra preocupação importante durante o planejamento é a localização da empresa. “Para aqueles que querem investir num ponto de venda físico, a boa localização pode representar uma grande variação no volume de vendas”, destaca Cynthia. Antes de fechar o contrato, é necessário avaliar como será o acesso dos clientes ao local, se há linhas de metrô ou ônibus próximas ou se há espaço para estacionamento.  Cynthia lembra ainda as vantagens e desvantagens de um comércio de rua e em centros comerciais. Quem decide pela primeira opção tem custos menores. Por outro lado, a segurança também é menor, e a divulgação geralmente mais complicada. No caso de shoppings, ela está incluída no pacote de taxas.
No Distrito Federal, o preço do  aluguel de lojas varia de R$ 700 a R$ 20 mil. A média mais alta do valor de aluguel é de R$ 3,5 mil, em Águas Claras e no Plano Piloto. Ceilândia tem a menor média, de R$ 1,5 mil, de acordo com o último levantamento divulgado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil (Secovi-DF).

Parceria

Encontrar o ponto ideal é o maior desafio do empresário Artur Lima, 48 anos, no momento. Ele está em dúvida entre dois locais, um dentro e outro fora do Plano Piloto, e avalia o nível social dos moradores e o valor que será preciso investir. O objetivo é montar uma padaria ou uma lanchonete. Artur, que já foi dono de outros dois empreendimentos que começaram sem um planejamento formal, desta vez está colocando tudo na ponta do lápis. “Não podemos cravar que vai dar certo, mas, com o planejamento, essa probabilidade é muito maior, e isso teria ajudado nos meus dois negócios anteriores”, relata. No primeiro empreendimento, o problema foi a falta de compatibilidade com o sócio. Dessa vez, ele convidou o amigo Alex Quirino, 50 anos, para fazer parte do negócio. “Temos a mesma idade e compartilhamos pensamentos e objetivos”, observa.

E Artur está seguindo o caminho certo. “Na maioria das vezes, as pessoas buscam um sócio com a preocupação simples de ter um aporte financeiro, o que não é o mais indicado. Empreender sozinho é muito difícil, quase impossível. Por isso, mais do que diluir o risco, é preciso buscar complementariedade”, ressalta Cynthia Serva, do Insper. No entanto, em qualquer caso, mesmo que o sócio seja um amigo ou um parente, é importante ter assessoria jurídica e definir em contrato a responsabilidade legal de cada um e, inclusive, as regras caso uma das partes opte por deixar a sociedade.

Sem pular etapas

Alguns setores que são muito inovadores têm um número limitado de dados, o que dificulta ao empreendedor fazer um plano de negócios enquanto documento formal. Mas, mesmo nesses casos, há opções de planejamento que devem ser usadas para evitar fracassos. No livro Dono (Ed. Alta Books; 323 páginas; R$ 59,90), o especialista Marcelo Toledo traz uma explicação detalhada de como fazer isso por meio do modelo de negócio, usado principalmente para a criação de startups.

Nesse modelo, toda a estrutura da empresa é apresentada no canvas — um quadro dividido em nove blocos. Em cada um deles, o empreendedor cola post-its com as informações relevantes: quem vai ser os clientes e os fornecedores, qual será a fonte de receita e assim por diante. Marcelo Toledo sugere que o empreendedor faça vários desses modelos até encontrar um em que consiga cumprir todas as etapas. “Depois que você passa daí, praticamente deixou de ser uma startup e precisa se preocupar em fazer a empresa crescer e criar os departamentos tradicionais”, destaca. O autor lembra, no entanto, que o plano de negócio formal será necessário para conseguir investidores.


Passo a passo

Depois de avaliar se realmente existe mercado para a ideia, é hora de preparar o plano de negócio,
um documento que reúne os objetivos da empresa e os passos que precisam ser dados para
alcançá-los. Dessa forma, os riscos do empreendimento são minimizados. Confira o resumo das principais etapas desse planejamento:

Plano de marketing
Nessa fase, é preciso buscar informações sobre o setor que se pretende atender. Quem são os potenciais concorrentes e que produtos eles entregam? Essas informações serão úteis para definir o diferencial competitivo do produto ou serviço oferecido e que preço cobrar por ele. É necessário descrever os detalhes, como tamanho, cor, sabores, embalagem, apresentação, entre outros. Escolha a melhor localização para a empresa, de forma a atingir o público-alvo, e prepare estratégias de fidelização.

Plano de gestão e organização
É a parte estratégica do plano de negócio, o momento de definir qual será a estrutura legal, checar quais serão os documentos necessários para abrir a empresa. Também inclui o planejamento do tamanho da equipe e a definição de como será a distribuição dos diversos setores da organização e dos materiais no espaço físico — mercadorias, matérias-primas, estantes, equipamentos e móveis, por exemplo.

Plano financeiro
Muitos empreendedores pecam por subestimarem os gastos que terão com a empresa. Nessa etapa, é necessário determinar o investimento total, formado pelos investimentos fixos e pré-operacionais e pelo capital de giro — reserva de recursos utilizada de acordo com as necessidades financeiras que surgem ao longo do tempo. É preciso fazer uma previsão de vendas e de gastos com funcionários, luz, água, aluguel, telefone, fornecedores, impostos, entre outros. Na hora de buscar recursos, vale recorrer à família e aos amigos e decidir se você terá um sócio. Linhas de crédito bancário também são uma opção.

Análise Swot
É uma ferramenta que ajuda a perceber os pontos fracos e fortes do negócio. Swot é a sigla em inglês que significa Forças (Strengths), Fraquezas (Weaknesses), Oportunidades (Opportunities) e Ameaças (Threats). Para fazer a análise, é necessário montar uma planilha identificando as ameaças e oportunidades do ambiente externo e as forças e fraquezas do ambiente interno.

Canvas de modelo de negócios
É uma ferramenta que auxilia na modelagem de negócios de startups, principalmente, pois não necessita de informações tão detalhadas quanto o plano de negócio. O site www.businessmodelgeneration.com/canvas traz o passo a passo, em inglês, para criar o canvas.


Informe-se
No site do Sebrae está disponível o roteiro completo de como organizar o negócio. Acesse as informações pelo link bit.ly/1hl2O53. Para mais informações, ligue na Central de Relacionamento: 0800 570 0800.

A difícil busca por investidores no Brasil

Um dos maiores desafios na fase inicial de uma startup é encontrar investidores. Cassio A. Spina, fundador do Anjos do Brasil — organização sem fins lucrativos de fomento ao investimento-anjo no país —, explica que, para o estágio inicial do negócio, quando vai montar um protótipo do produto ou serviço, o empreendedor pode usar capital próprio, de aceleradoras ou  de crowdfunding — uma modalidade de financiamento colaborativo em que as pessoas contribuem com cotas.

Depois que o protótipo está pronto, é hora de procurar investidores para as necessidades que terão retorno em longo prazo, que envolvem mais riscos, e empréstimos bancários para aquelas com retorno em curto prazo, como compra de equipamentos. A desvantagem é que serão cobrados juros sobre o valor. Por outro lado, o investidor fica com um pedaço do seu negócio para sempre e influenciará nas decisões estratégicas. “Ele vira um sócio no sentido jurídico, mas é um sócio não executivo, não está lá no dia a dia da empresa”, explica Spina.
Hoje, porém, é difícil encontrar investidores no Brasil, pois faltam estímulos fiscais e maior proteção para incentivá-los. “Em outros países, como Estados Unidos, Inglaterra e França, existem legislações que deixam claro que o patrimônio do investidor nunca pode ser afetado por passivos (dívidas) da empresa.”
Thiago Navarro Amorim e seus sócios usaram a experiência de trabalho no site de compras coletivas Groupon para planejar e atrair investimentos ao novo empreendimento, o aplicativo de tevê social Sappos, criado há dois meses. Eles impressionaram os investidores com a ideia de unir duas paixões dos brasileiros: televisão e redes sociais. “Todos os fundos de capital de risco e investidores com que a gente falava tinham a certeza de que, no Brasil, o potencial podia ser muito grande, pois aqui a televisão dita moda e horários.”

Mentores
O investimento-anjo é feito por uma pessoa física com recursos próprios, que agrega também conhecimento e experiência para o negócio. Normalmente, é voltado para startups.

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