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Para virar a mesa em 2014

A velha lista de resoluções para o ano-novo ainda é a melhor maneira de dar um novo rumo à vida profissional, mas é necessário traçar metas claras e realistas

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postado em 29/12/2013 14:00 / atualizado em 30/12/2013 11:55

Gustavo Moreno/CB/D.A Press
O ano se encerra e, como sempre, é hora de colocar na balança as ações dos últimos 12 meses. Na hora de montar a lista de objetivos para o ano-novo, as metas relacionadas à carreira também devem ser consideradas e, de acordo com especialistas, sair da zona de conforto e traçar definições claras a serem seguidas é a chave para alcançar a maioria delas. Contudo, alguns cuidados são necessários para que o sucesso seja garantido e que os objetivos não se afoguem antes mesmo do momento de pular as sete ondas.

A engenheira de segurança Marcia Brito, 41 anos, teve de mudar de atitude para manter o cargo de gestão. Algumas posições dentro da empresa em que atua foram extintas. A profissional, recém-contratada, precisou demonstrar ainda mais eficiência e habilidade de liderança, características que deixavam a desejar antes de traçar as metas para o novo ano. “A companhia em que trabalho passou por inúmeras alterações e houve grande necessidade de adaptação. Ao me concentrar em liderar mais, encabeçar mais projetos e ser mais bem-vista dentro da organização, consegui passar pelos novos processos. Começarei 2014 como uma profissional melhor do que no último réveillon”, analisa.

O momento de mudanças enfrentado pela empresa coincidiu com uma turbulência na vida pessoal da engenheira, que procurou a orientação de um coach e, sentindo-se mais segura em suas interações pessoais, conquistou ainda metas profissionais. “Empolgada, comecei 2013 com a orientação também focada no trabalho e as transformações foram grandes”, explica. No entanto, para colher os bons frutos da nova rotina, a engenheira precisou se esforçar. “Não adianta os outros apontarem o caminho, o desejo de mudar deve partir de nós mesmos. No início, é mais complicado, ouvir as críticas dos outros não é algo fácil, mas vamos aprendendo. Tracei várias metas nos últimos meses e a cada uma delas dediquei uma transformação de atitude”, ressalta.

Como começar

A especialista Lyrian Faria, sócia-diretora da Dynamica Consultoria, destaca a importância de se ter uma meta inicial. “Grande parte do êxito pretendido por um funcionário depende do primeiro passo dado. Para que o sucesso chegue, é preciso escolher um alvo bem definido e que possa ser quantificado. Sabendo aquilo que se quer e quando se quer, aí sim é hora de traçar estratégias e pensar o que pode ser feito”, pondera. Nesse sentido, entender o desafio aceito e os obstáculos inerentes à nova empreitada é indispensável para construir um bom plano de ação. “O profissional deve ter em mente que o objetivo não será alcançado de uma hora para outra”, alerta. “Por isso, devemos dividir nossa jornada em pequenos trechos e identificar as competências exigidas em cada um deles”, completa Lyrian. Uma aplicação dos conselhos da especialista é compatível a um vendedor que deseja se tornar gerente, por exemplo. Após estabelecer a promoção como meta maior, o profissional define alguns tópicos, como elevar o número de vendas, receber mais elogios e propor, pelo menos, duas melhorias para a empresa durante o semestre.

Além de permitir uma melhor autoavaliação, os objetivos intermediários exercem um papel motivador. “A missão deve ser fragmentada em várias etapas. Quando miramos algo muito distante, a chance de nos frustramos é grande, por isso, é essencial vivenciarmos pequenas vitórias ao longo do processo. Várias metas menores dentro de uma principal nos permitem visualizar nossos avanços de pouco a pouco e ter certeza de que estamos no rumo certo”, pontua a consultora. À medida que o profissional segue em frente, reforça-se a necessidade de se preparar o próximo passo e construir medidas favoráveis para a conquista seguinte. Cursos de especialização, participação em treinamentos internos e um olhar cuidadoso sobre as próprias atitudes figuram como ações primordiais.

Assumir riscos

Já para os profissionais que estão estagnados e buscam nova motivação em 2014, o conselho é mudar e assumir riscos. Segundo Vilella da Matta, presidente da Sociedade Brasileira de Coaching (SBCoaching), sair da zona de conforto pode significar, para muitos, uma atitude de ousadia. “Às vezes, a pessoa está parada na empresa e não consegue entender o porquê. Em algumas situações, que não são raras, o profissional é excelente, mas está no lugar errado, fazendo o que não combina com ele. Nesses casos, o melhor é repensar a rotina e, quem sabe, trocar de emprego”, pondera Vilella. No entanto, se a ideia parecer muito arriscada, o especialista sugere alguns caminhos alternativos. “Para quem deseja permanecer na empresa, a primeira mudança deve ocorrer na postura. O profissional precisa identificar dentro da própria instituição algo que goste de fazer — seja um cargo novo, seja algum projeto que lhe chame atenção”, afirma.

É necessário, no entanto, tomar alguns cuidados durante esse processo. “Culpar o chefe ou os colegas pelo insucesso é a pior coisa a se fazer. Devemos nos responsabilizar por nosso contentamento. Com esse ponto de partida, o profissional deve buscar uma posição de destaque no ambiente de trabalho: encabeçar equipes, propor ideias, assumir responsabilidades. Somente ouvir e não agir é característica de um acomodado”, adverte Vilella. Quem deseja um cargo de liderança, por exemplo, deve evitar atitudes de passividade. Um bom gestor, destacam os especialistas, é aquele consciente de suas próprias habilidades, que não tem medo de desafios e que é capaz de transmitir motivação àqueles que os cercam. Ser organizado e flexível também são fatores importantes para alcançar o sucesso.

Movido pelo sonho de um dia se tornar diretor da multinacional em que trabalha, o representante de canais Rafael Vicente, 25 anos, aposta no relacionamento com as pessoas como um bom mecanismo para o sucesso. “Percebo que grande parte dos funcionários menospreza o poder de influência dos parceiros de equipe em suas carreiras. Relacionar-se bem não só contribui para um ambiente organizacional melhor, como também alavanca inúmeras oportunidades profissionais. Ao nos aproximarmos das pessoas, adquirimos conhecimento, ouvimos novas ideias, estabelecemos contatos e, até mesmo, futuras indicações”, acredita.

Na hora de listar os principais desejos para 2014, não pensar somente em si mesmo demonstra, além de tudo, um bom entendimento das novas dinâmicas de trabalho, adverte o consultor em Recursos Humanos Alexandre Gomes. “Toda companhia quer um profissional motivado e comprometido com seu desenvolvimento individual. Contudo, alguns novos aspectos são importantes e devem estar presentes entre os fatores que instigam o trabalhador, como o compromisso com a sustentabilidade e o respeito à diversidade da empresa”, destaca. De acordo com o especialista, o sucesso pode ser individual, mas a construção dele é coletiva. “O chefe quer enxergar no colaborador alguém comprometido com as metas da empresa. É essencial nos sentirmos parte do todo”, aconselha. Assim, ganha o profissional que compreende os ciclos da instituição e o planejamento estratégico elaborado por ela e que procura assimilar os interesses da companhia com os alvos a serem atingidos na própria carreira.

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