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PERFIS DE SUCESSO//ELIANE GUIMARãES GONçALVES »

Inovar com tradição

O ofício clássico de barbeiro ganhou novo ambiente na loja da empresária, que tem outros três empreendimentos

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postado em 13/01/2014 10:28 / atualizado em 13/01/2014 10:30

Antonio Cunha
Mesmo em negócios tradicionais, é possível inovar. Foi o que provou a empresária Eliane Guimarães Gonçalves, 35 anos, dona da barbearia Bandeira. O ambiente old school — com placas, objetos e móveis em estilo retrô — atende exclusivamente o público masculino. Os clientes que passam por lá encontram café fresco, jornal do dia, revista de carros e têm acesso gratuito à internet. O serviço especializado, diferente daquele oferecido nas entrequadras, atrai de 15 a 60 fregueses por dia. No entanto, para se manter no comércio, Eliane destaca que é preciso estar preparado para as temporadas com menos vendas, que podem durar até três meses. Hoje, a empresária tem duas unidades do negócio e outros duas de uma relojoaria.

A ideia do empreendimento foi do marido de Eliane, Rone Bandeira, que morreu alguns meses após a inauguração, em 2012. O casal já tinha duas relojoarias, a primeira delas aberta em 2001, e decidiu aproveitar a oportunidade de estrear a barbearia. Um ano depois, Eliane foi convidada a instalar uma nova unidade em um shopping do mesmo grupo. Um dos principais atrativos é a moto que fica exposta na vitrine da loja, que muda a cada dois meses. Alguns clientes ficam ansiosos aguardando o próximo modelo e visitam o estabelecimento só para vê-lo.

Com a morte do marido, Eliane precisou assumir todas as tarefas das quatro unidades e ainda gerenciar o tempo para cuidar dos dois filhos. “Eu já administrava o negócio, mas não lidava com funcionários nem com a administração do shopping”, explica. No total, são 17 empregados contratados, que atendem em turnos diferentes nos quatro empreendimentos.

Após essa fase de adaptação, o principal desafio da empresária  é encontrar mão de obra qualificada para os dois negócios. “Na relojoaria, nós fazemos consertos. É uma profissão que não está tendo mais procura, assim como os barbeiros”, relata. Na época em que abriram a barbearia, Eliane e o marido chegaram a buscar cursos de qualificação na cidade para capacitar os funcionários ou até mesmo contratar alunos, mas só há formação para cabeleireiros, função semelhante, mas que não tem as mesmas particularidades da de um barbeiro, que precisa manusear a navalha, por exemplo. “É um trabalho delicado”, lembra.

Acompanhamento
Para manter o padrão de qualidade nas quatro lojas, Eliane diz ser fundamental estar presente a maior parte do tempo, pois, assim, os fregueses não se sentem abandonados. “Nós estamos aqui para prestar um serviço e ele tem de ser de boa qualidade. Quando você ganha um cliente, ganha também centenas de elogios, e várias das pessoas que os ouviram vão vir até a loja para saber se são verdadeiros. Mas da mesma maneira funciona quando você perde um cliente: não perde apenas um, perde vários”, observa a empresária. O único tempo que ela tira para descansar é às quintas-feiras. Os horários de pico na barbearia são no almoço e após as 18h, quando os fregueses saem do trabalho, até as 22h.

No entanto, essa rotina muda bastante durante o ano, e é preciso estar preparado para a sazonalidade do setor. Segundo ela, a partir das festas de fim de ano o movimento fica mais fraco e só normaliza após o carnaval. “Sempre tem que ter um capital guardado, porque, quando se está no comércio, tem meses que são muito bons, tem meses que você paga as contas e tem meses que você fica no vermelho”, explica a empresária. “O comércio não é algo fácil, mas pode dar certo se você tiver bom senso e não se deslumbrar. Tem gente que ganha muito dinheiro no começo, mas que gasta muito também e não consegue se manter no mercado”, completa.

Como dica para os empreendedores que estão no início da empresa, Eliane alerta que é importante ter um planejamento, prever despesas e analisar se realmente é viável, independentemente de ser um novo empreendimento ou uma outra unidade do mesmo negócio, como ocorreu com a barbearia. “Tudo é mais difícil no começo, você não tem clientela, o negócio não está consolidado, as pessoas ainda não confiam no seu trabalho. De nada adianta eu montar uma estrutura bonita e toda decorada se ninguém entrar pela minha porta.”
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