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Ano novo, carreira nova

Brasileiros querem trocar de emprego em busca de cargos e salários mais atraentes em 2014. No entanto, a mudança deve ser muito bem planejada

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postado em 20/01/2014 10:28 / atualizado em 20/01/2014 10:30

Ed Alves

Com o fim das férias, muitos brasileiros pretendem colocar em prática a promessa de ano-novo de deixar a colocação atual e procurar uma nova posição no mercado. Segundo pesquisa feita pela empresa de recrutamento e seleção Boucinhas Consultoria, 80% dos entrevistados querem mudar de emprego em 2014. Desses, 73% afirmam que têm o objetivo de partir nessa nova empreitada ainda no primeiro semestre (veja os gráficos). Entre os principais estímulos para a mudança de posto estão a busca por melhores salários e por planos de carreira mais atraentes. O momento de lazer longe do trabalho parece propício para se repensar a vida e as escolhas na carreira: outro levantamento, promovido pelo site internacional Monster.com junto a 1,2 mil visitantes entre julho e agosto de 2013, mostrou que cerca de 70% se dizem mais propensos a mudar de emprego após aproveitar o período de recesso.

A diretora de RH da Spot Soluções em Recursos Humanos Katiane Matos explica que, ao sair de férias, o funcionário ainda costuma sentir os efeitos do estresse e das pressões do cotidiano. Por conta dessas influências, as decisões nesse período devem ser tomadas de maneira racional e responsável. “Não se pode tomar decisões por impulso ou sem um direcionamento com o pé no chão”, afirma.

Breno Fortes
 

Escolhas calculadas
O desejo de trabalhar na área em que fazia graduação levou Jackson Greick, 25 anos, a usar as férias para trocar de emprego há cerca de cinco anos. Na época, Jackson atuava como caixa em uma farmácia e cursava ciência da computação. “Eu me senti aliviado ao sair de recesso, pois pensava em fazer algo relacionado aos meus estudos”, lembra Jackson, que encontrou a oportunidade para mudança ao se candidatar a um estágio em tecnologia da informação. “Fiquei lá durante um tempo e, ao verem o meu progresso, fui contratado. Acredito que as férias ajudam a refletir sobre aquilo que se quer”, diz.

Para o consultor de gestão de pessoas Eduardo Ferraz, quando a insatisfação com o emprego ficar definida, a procura por um novo posto de trabalho deve começar o quanto antes, mas com cuidado. “Voltou de férias e está decidido a mudar? A dica é: não faça isso imediatamente. Prepare seu currículo, consulte as ofertas existentes no mercado e só tome uma atitude quanto tiver certeza”, aconselha. Ferraz explica que a figura do profissional desempregado é menos atraente para outras empresas e que o ideal é dedicar, no mínimo, três meses para se preparar antes de pedir demissão. “Mudar demais também queima o currículo. Quem tem sete ou oito empregos em uma carreira curta, por exemplo, levanta suspeitas e é malvisto no setor”, avisa.

Certas atitudes são necessárias para manter o bom relacionamento com os antigos empregadores. A diretora de RH Katiane Matos lembra que o profissionalismo deve influenciar todas as atitudes nesses casos. “É preciso deixar claros os motivos que levaram a sair do local e explicar a situação sem agredir ninguém. Não se pode perder a razão, pois sair do trabalho é um risco calculado, até mesmo para manter as portas abertas para possíveis indicações”, diz.

Reflexão
Outro ponto a ser levado em consideração durante o período de descanso é a possibilidade de rever as prioridades de vida e escolher o que se deseja para o futuro. Devido a cobranças, a necessidades ou mesmo a falta de perspectiva a longo prazo, é comum tomar decisões com base em motivos superficiais, e que pouco condizem com a vocação de cada um. “O que motiva a continuar no emprego atual é ter objetivos, uma missão maior a atingir com aquilo que se executa. Quando o funcionário ainda consegue enxergar os objetivos ou os desafios na empresa, a chance de se sentir tentado a deixar a vaga é menor”, analisa Gilberto Guimarães, professor de liderança da Business School São Paulo (BSP).

Quando o profissional começa a julgar se realmente está no ambiente e no ramo certos para alcançar a carreira dos sonhos, o coach Monclair Cammarota lembra que é preciso considerar o caminho e o tempo a ser traçado para atingir as metas. “Além de se perguntar se está no caminho certo, é preciso se indagar se há condições, sejam elas financeiras ou pessoais, de continuar no processo”, completa. Segundo Cammarota, um dos desafios das atuais gerações é ter persistência e lidar com a espera para atingir os objetivos planejados.

Ainda de acordo com o coach, todo posto de trabalho possui situações desagradáveis que podem influenciar a permanência ou a saída do emprego e o profissional precisa ter bom senso para avaliar cada uma delas.

A procura por realização profissional e a oportunidade de ingressar em uma área em crescimento foram  responsáveis pela  decisão tomada  no ínicio do ano por Vinícius Lima, 22 anos. Formado em educação física, ele conta que, desde a metade do curso, tinha  interesse em trabalhar na área de gestão de esportes.”Apareceu uma chance  no Ministério do Esporte quando me formei na metade do ano passado, mas o processo seletivo é longo e, no meio do caminho, me tornei professor de tênis enquanto esperava assumir o cargo”, conta Vinícius. Quando foi selecionado no fim de novembro, ele estava para assinar contrato como professor integral da escolinha. Mas o ideal de ocupar um cargo na área de gestão foi mais forte. Para não deixar as quadras,  ele passou a dar aulas no período noturno e a trabalhar durante o dia no Ministério.

Saiba mais
O papel do empregador

Embora seja normal os funcionários usarem as férias para rever em a carreira, as empresas também precisam estar atentas para reter os talentos. Em pesquisa feita com 871 funcionários nos Estados Unidos e no Canadá pela empresa de consultoria Right Management, 83% dos entrevistados possuem como meta em 2014 trocar de emprego. Entre os fatores registrados, está a insatisfação com a chefia. A consultora em transição de carreiras da Right Management BR Sueli Aznar explica que os comportamentos para enfrentar esse problema devem levar em conta a educação corporativa, que deve englobar o estímulo do engajamento e a motivação dos indivíduos. “Todo ato de retenção de mão de obra tem de incluir a figura do líder, pois ele é o responsável por motivar e fornecer orientação ao funcionário”, enfatiza. Devido ao papel que a liderança exerce no bom relacionamento com a força de trabalho, Sueli esclarece que a formação dos chefes de equipe deve ser uma prioridade dos departamentos de Recursos Humanos. “Ele precisa estar presente para lidar com os empregados, fornecer alternativas e saber ouvir e encontrar soluções.”


Pense bem antes de mudar
Antes de colocar em prática as decisões pensadas durante o recesso, certas atitudes precisam ser levadas em conta para que o funcionário não se prejudique

Cuidado com os impulsos
Atitudes tomadas no calor da emoção têm altas margens de erro. Faça uma análise para entender qual é a origem real do problema. Seguir o impulso é válido quando há um sonho em jogo. Caso não dê certo, na pior das hipóteses, ao menos você tentou colocar em prática a vocação que acredita ter.

Avalie os prós e os contras da troca

Ficar desempregado atrai a desconfiança de quem contrata. Se decidir procurar um novo cargo, pesquise o que o trabalho pode oferecer. Caso o atual emprego ofereça oportunidades de crescimento e aprendizado, é bom ficar. Só mude se sentir estagnado ou se não se identificar com a função.

Seja profissional na hora de pedir demissão
Deixar o local de trabalho envolve lidar com os superiores. Se a raiz dos problemas parte da chefia, evite conversar sobre o assunto em momentos inadequados e planeje os argumentos para não perder o controle e manter a postura profissional e equilibrada.

Fontes: Gilberto Guimarães, Eduardo Ferraz e Katiane Matos.
 

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