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Tempo de reflexão

Profissional deve avaliar a trajetória no último ano para evitar a acomodação e seguir em frente na conquista dos objetivos da carreira

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postado em 27/01/2014 10:17 / atualizado em 27/01/2014 10:21

Ana Paula Lisboa

Gustavo Moreno
A velha máxima diz que é preciso analisar a própria história para não repetir erros já amargados. Pois essa regra também se aplica à vida profissional. Para começar bem o ano, especialistas indicam uma revisão da trajetória profissional na empresa atual. Analisar resultados, nível de satisfação, salário e evolução pode revelar o que precisa ser alterado. Em casos críticos, pode ser necessário considerar a possibilidade de mudar de cargo, de emprego e até mesmo de atividade.

Para Débora Barem, professora de administração da Universidade de Brasília (UnB), estabelecer metas e fazer uma autoavaliação é necessário para evitar a acomodação. “Faça uma projeção honesta e imagine-se daqui a cinco ou 10 anos, e pense onde gostaria de estar. A partir daí, defina o que é necessário para alcançar o objetivo”, recomenda. A professora destaca que sistemas de avaliação de desempenho aplicados por empresas ajudam, mas o próprio funcionário pode testar a si mesmo. “A falta de diagnóstico condena a pessoa a uma zona de conforto. Esses testes servem para elaborar um inventário de habilidades e comportamentos e descobrir o que falta para exercer melhor a função”, esclarece.

O assessor especial legislativo da Confederação Nacional do Comércio (CNC) Reiner Leite, 42 anos, representa a organização na Câmara dos Deputados e utiliza a avaliação interna para se reposicionar. “É importante receber um feedback da chefia e ter a oportunidade de perceber falhas, mas eu também avalio a mim mesmo constantemente”, conta. Depois de entrar na organização como auxiliar administrativo, Reiner fez faculdade de administração e de direito. A capacitação foi reconhecida com várias promoções na carreira. Ao refletir sobre os 19 anos de trabalho na instituição, Reiner se sente satisfeito e valorizado.

 

 

Reconhecimento
Trabalhando há cinco anos como analista financeira, a contadora Mayana Nascimento, 30 anos, fez especialização em gestão empreendedora de negócios. “Adquiri habilidades úteis, mas não houve nenhum reconhecimento. Não  fiquei frustrada, porque isso é comum na empresa”, admite. Ela almeja ocupar um cargo de gerência no futuro e se arrepende de nunta ter trabalhado como contadora.

João Xavier, diretor-geral da Ricardo Xavier Recursos Humanos, recomenda que Mayana repense essa frustração. “O objetivo de ser executiva está mais ligado à área financeira e administrativa em que ela já atua do que à contabilidade. Talvez ela esteja no melhor setor e nem tenha se dado conta. Por isso, é importante fazer um balanço”, afirma. O consultor esclarece ainda que formação e tempo de serviço não bastam para conquistar um cargo melhor: obter resultados buscados pela empresa e demonstrar conhecimento técnico, motivação, evolução intelectual e emocional fazem diferença. João Xavier recomenda que todo funcionário, independentemente da função, avalie a própria carreira pelo menos uma vez por ano. “É importante olhar para trás para saber se está mesmo saindo do lugar. Apenas trabalhar e ‘deixar a vida me levar’ não é suficiente. É preciso estabelecer metas, com prazos, avaliar o que precisa realizar para alcançá-las e fazer o máximo para cumpri-las.”

No caminho certo

Formada em ciência da computação, Dayane Freire, 27 anos, é analista programadora há três anos numa empresa de tecnologia. Ela identificou áreas em que precisa melhorar e teve a iniciativa de buscar conhecimento. “Em 2014, comecei uma pós-graduação em desenvolvimento de sistemas para me sair melhor na função. Também pretendo fazer um intercâmbio de um mês para adquirir fluência no inglês.  A empresa tem filiais em outros países e surgem oportunidades no exterior. Isso vai abrir portas para mim”, acredita.

O coach Homero Reis sabe que poucos profissionais fazem autoavaliações, mas orienta que mudem de atitude. “É preciso avaliar-se para ter uma visão correta da posição no mercado. Descobrir um ponto fraco  é um desafio a ser enfrentado para seguir em frente”, destaca. Homero pondera que testar a si mesmo é difícil, pois é preciso ter senso de honestidade e controle para não ocorrer autossabotagem.

Um processo de coaching pode ajudar a ter uma avaliação neutra. A professora da UnB Débora Barém afirma, porém, que o serviço não é acessível a todos. “O coaching é sensacional para quem tem condições de pagar, pois ajuda a avaliar o próprio progresso e a atingir metas. Avaliar a si mesmo é a opção mais barata”, explica.

Dono de uma agência de comunicação, Flávio Resende, 36 anos, buscou ajuda de um profissional em 2009. “O coaching revolucionou meu desempenho, pois identifiquei os problemas que tinha.”

Palavra de especialista
Uma escolha particular

Para testar a si mesmo, perceba as oportunidades do trabalho: se a empresa oferece desafios é porque vê potencial em você. Se não, o empregado precisa pensar na percepção que os outros têm dele. Além de medir o próprio rendimento, uma sugestão é consultar a opinião de colegas, chefes e parceiros para obter uma visão clara do que os outros percebem e para não ter ilusões. Apesar de deixar alguns intimidados, pedir feedback é algo bem-visto, porque significa que a pessoa está preocupada com o seu desempenho. Cada vez mais empresas consideram que a carreira é algo individual e depende de escolhas pessoais. Por isso, avaliar a própria trajetória faz toda  diferença para avançar.

Jussara Dutra, gerente de Desenvolvimento Humano e Organizacional da Senior, empresa de gestão

 

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