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Indústria cobiçada

Apesar da retração na atividade industrial, o setor é o preferido pelos brasileiros para começar a carreira

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postado em 06/07/2014 13:11 / atualizado em 06/07/2014 13:13

Pesquisa aponta que a indústria de transformação e extrativista é o setor de preferência da população para iniciar a vida profissional. Com o voto de 23% dos trabalhadores, fica à frente até mesmo da administração pública, escolhida por 18% dos entrevistados. O percentual varia de acordo com o grau de instrução. Os dados são da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Ao contrário de muitos colegas de curso que optaram pelo serviço público, o engenheiro elétrico Gabriel Paschoal de Ferrarezi, 26 anos, decidiu trabalhar no ramo industrial após concluir a faculdade, em 2010. “Por mais que, durante três anos, eu tenha tido salário menor que amigos que seguiram carreira pública, daqui para frente, consigo evoluir muito mais que eles”, compara o paulista de Araraquara. Ele veio para Brasília há três anos e meio e hoje é gerente de engenharia da fábrica da Companhia de Bebidas das Américas (Ambev) no Distrito Federal.

A professora de administração da Universidade de Brasília (UnB) e especialista em mercado de trabalho Débora Barem destaca que, com curso técnico, o trabalhador pode estar empregado com salário bastante razoável. “O setor paga bem e dá para achar emprego com facilidade. Cursos e escolas profissionalizantes formam o indivíduo para atuar direto no mercado”, explica. “A indústria consegue abarcar todo o rol de competências que possamos imaginar. Em uma situação de incerteza, ela é sólida. Tendo conhecimento, o trabalhador consegue se estabelecer.” Segundo a especialista, a capacitação é o diferencial para se destacar na área. “A indústria requer pessoas capacitadas sempre. É importante que o trabalhador continue estudando.”

Em baixa

Apesar do prestígio das carreiras na área, a atividade indutrial brasileira apresenta menos fôlego para se desenvolver. O Indicador de Utilização de Capacidade Instalada (UCI), medido pela CNI, caiu em maio pelo terceiro mês seguido. Ficou em 80,5%.

No último mês, houve queda de 0,4% nas horas trabalhadas no setor em relação a abril. O emprego, a massa salarial e o rendimento médio do trabalhador também diminuíram, respectivamente, para 0,3%, 0,9% e 0,2%. Apesar da retração na atividade industrial, o faturamento aumentou 0,3% em relação a abril.

Para junho e julho, as previsões não são animadoras, ao menos para o setor eletroeletrônico. Levantamento da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) aponta que 58% das empresas do setor preveem queda da produção durante a Copa do Mundo.

“Brigamos por uma agenda de medidas para aumentar a competitividade nacional. A população brasileira está consciente de que, para haver crescimento da economia, é preciso uma indústria forte. O setor não está na melhor fase, mesmo assim, há preferência pelo trabalho no ramo”, diz o gerente executivo de pesquisa e competitividade da CNI, Renato da Fonseca.

Se 2014 traz poucos bons frutos para o setor industrial, o mesmo ocorre com o Produto Interno Bruto (PIB), que deve crescer 1,1% este ano, segundo previsão do Banco Central — em 2010, o PIB teve aumento de 7,5%. O professor Márcio Salvato, do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais de Minas Gerais (Ibmec-MG), explica o desempenho reduzido da economia brasileira. “A indústria tem puxado o crescimento do PIB para baixo. Para o Brasil voltar a ter taxas maiores, tem que ser por meio de investimento industrial”, afirma o economista.

Palavra de especialista
 Capacitação e competitividade

A produtividade da nossa indústria é menor que a de fora. É preciso investir em tecnologias e na qualificação dos funcionários para sermos mais competitivos. Existe demanda grande de profissionais qualificados no setor industrial. Hoje, mesmo para atuar no chão de fábrica, ou seja, aquela pessoa que trabalha na produção, tem que ter qualificação maior. Ser capacitado não significa ter curso superior, pois a demanda se dá em todos os níveis. Quem possui nível técnico ou tecnólogo e é qualificado terá oportunidade.

 

 

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