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COMPORTAMENTO »

Está na hora de se encarar

Profissional deve lançar mão da reflexão na hora de identificar maus hábitos que entravam a carreira. Opinião de colegas e de especialistas também é importante para se livrar desses comportamentos

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postado em 03/08/2014 12:24 / atualizado em 05/08/2014 15:44

Ana Paula Lisboa

Gabriela (à esquerda) com a equipe: abandonar atitudes negativas, como não saber trabalhar em equipe e ser fechada para críticas, trouxe promoções (Bruno Peres/CB/D.A Press ) 
Gabriela (à esquerda) com a equipe: abandonar atitudes negativas, como não saber trabalhar em equipe e ser fechada para críticas, trouxe promoções


Constatar posturas negativas em si mesmo é mais difícil do que apontar falhas nos outros. Por isso, é importante conhecer as atitudes que cansam a equipe e o gestor e que se tornam um entrave para a evolução profissional. Falta de interesse, de ética, de responsabilidade e de bom senso e não saber trabalhar em equipe são algumas dessas condutas (veja quadro). Segundo especialistas, mudar é possível, mas antes é preciso conhecer a si mesmo, saber se avaliar e, se preciso, contar com a opinião dos outros para descobrir que hábitos abandonar.

Alguns comportamentos não são tolerados e acabam fazendo o profissional e a equipe regredirem. Para Adriana Marques, presidente do Coaching Club, é o caso da tática de se esquivar da culpa e não se autorresponsabilizar. “Qualquer chefe se cansa e corre de gente que só sabe dar desculpas e que sempre coloca a culpa nos outros.” Segundo Adriana, não saber ouvir é outra característica que atrapalha. “São profissionais que atropelam os outros e tomam atitudes impulsivas sem conhecer a história toda”, critica.

Essas posturas são ruins para qualquer trabalhador, mas, no caso de um gestor, são ainda piores. “Se é um chefe que tem atitudes assim, isso vai gerar cansaço na equipe, o que pode acarretar duas possibilidades. Na primeira, ele perde o respeito e passa a ser ignorado. Na segunda, a equipe desiste dele e faz o que é pedido, mas com desempenho morno", prevê. No caso de profissionais subordinados, o resultado é mal-estar e estagnação na carreira. “A pessoa pode não perceber, mas vai ser isolada. Numa equipe de alto desempenho, não vai se sentir bem e deve pedir para sair por não se encaixar.”

Percepção
Mariana Schwarz, gerente de marketing da empresa de recrutamento e seleção Hays, comenta algumas práticas que prejudicam o profissional. “Perder prazos é dar um tiro no pé. Exagerar no uso do e-mail corporativo e não escrever da maneira correta nas mensagens eletrônicas também mancham a imagem. Não usar uma linguagem condizente com a posição também é muito ruim: evite gírias, mesmo verbalmente”, recomenda. A procrastinação é outro mal. “Tenha foco para terminar uma tarefa. O vício em redes sociais atrapalha porque é uma fonte de interrupção constante.”

O controle emocional também é importante. “Os profissionais já vivem situações de estresse absurdo. O mau humor piora tudo. Procure manter o bom humor e ser cordial”, indica Mariana.

Gabriela Portillo, 30 anos, sabe da importância de enxergar os próprios comportamentos errados. Contratada há cinco anos como técnica de departamento financeiro de uma empresa, foi promovida três vezes: depois de ser analista e supervisora da área, está de mudança para ser gerente em outra unidade da organização. Antes de progredir, porém, precisou identificar, admitir e mudar condutas. “Eu não ligava para os resultados da empresa, via apenas as minhas metas e obrigações. Depois de conversar com a chefia, vi que precisava correr atrás do que é bom para a companhia como um todo”, lembra.

A mudança demorou a ocorrer porque a administradora e advogada era fechada para críticas e não sabia trabalhar em equipe. “Eu encarava o feedback como implicância e não levava a sério. O tempo passava, e eu não saía do lugar. Percebi que precisava me transformar”, conclui.

 Já o uso abusivo de redes sociais acabou atrapalhando o desenvolvimento profissional do publicitário Alexandre Fonseca, 25 anos. “Gasto muito tempo com isso, estou sempre conectado. Meu antigo chefe chamou minha atenção para o problema.” Depois de reduzir o uso com ajuda de um aplicativo de celular que controla o tempo, Alexandre sente que é um profissional melhor. “Não dá para dar mole porque a sua imagem está em jogo.”

Para Flora Victória, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Coaching, o problema é que as pessoas não percebem — ou demoram a perceber, como Gabriela e Alexandre — que estão se prejudicando. Para julgar o próprio trabalho, é interessante fazer perguntas. “Há coisas óbvias que algumas pessoas não percebem. Se você faltou ou se atrasou e não deu satisfação, pergunte a si mesmo: que impacto isso gera para a equipe e para a minha imagem? Se pensar bem, vai se dar conta de que aquilo é ruim”, aconselha Flora. “Normalmente, as pessoas são bem-intencionadas, mas boa intenção não é suficiente. É preciso perceber se está ajudando a equipe”, analisa a coach Adriana Marques.

É preciso refletir e ouvir os outros. “Se uma pessoa resolve oferecer a opinião dela é porque aquilo tem algum fundamento. É preciso estar aberto a críticas para saber o que mudar e conseguir evoluir”, indica.

Correndo atrás
Para a gerente Mariana Schwarz, o comprometimento abre portas. “O profissional com quem o chefe sabe que pode contar tem caminho aberto para o sucesso.” Reunir cases de bom desempenho é ideal para pleitear uma posição melhor. “Na hora de negociar um aumento ou pedir uma promoção, é preciso mostrar e embasar essa vontade”, diz Mariana. Outra opção para evoluir é mudar de empresa. Para Mariana Schwarz, porém, as pessoas não devem abusar dessa opção. “Evite ser o ‘pula-pula’ de trabalho. O tempo de casa também conta porque tem a ver com a consistência do trabalhador”.

Condutas mal-vistas
» Descumprir prazos
» Excesso de ego
» Falta de bom senso
» Falta de compromisso
» Falta de ética profissional
» Falta de interesse
» Falta de metas de crescimento
» Falta de responsabilidade
» Faltas e atrasos
» Incompatibilidade com o perfil da empresa
» Linguagem inadequada, com muitas gírias
» Má utilização de recursos
» Mau humor e negatividade
» Mau uso do e-mail corporativo
» Não administrar o próprio tempo
» Não medir os resultados do trabalho
» Não saber ouvir
» Não saber trabalhar em equipe
» Não se autorresponsabilizar e se esquivar da culpa
» Não se conhecer
» Não ser focado nos resultados da empresa
» Ócio criativo
» Procrastinação
» Reclamar demais
» Ser fechado para críticas e feedback
» Trazer problemas em vez de criar soluções
» Vício em redes sociais e celular
Fonte: Adriana Marques, Flora Victória, Mariana Schwarz e Maurício Sampaio

Palavra de especialista
Autoconhecimento

Tem gente que está no emprego apenas pelo salário, mas não descobre do que gosta de fazer e carrega aquele fardo por muitos anos. Cerca de 80% da população está infeliz com o próprio trabalho, acha que fez a escolha errada, mas não faz nada para mudar. É uma atitude negativa que contamina os outros. É importante conhecer a si mesmo para saber o que você gosta de fazer e o que você faz bem. Assim, você identifica suas facilidades, o que ajuda a trazer melhores resultados — não apenas como profissional, mas como pai e em outras funções em áreas diferentes da vida. Para identificar o que você faz bem ou não, peça feedback a líderes e parceiros. Para dar certo, é preciso estar completamente aberto. A maioria das pessoas não gosta de críticas, mas é o que fortalece e ajuda a crescer. É um atalho para identificar atitudes que impedem seu crescimento.


Maurício Sampaio, educador e palestrante

 

 

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