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PERFIS DE SUCESSO// MURILO SILVA »

Inventor de sorvetes

Empresário investiu em sobremesa gelada por causa do clima quente e seco de Brasília e hoje atende 500 pessoas a cada domingo. Os 150 sabores são fruto de experimentação, e o destaque é o chocolate

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postado em 22/12/2014 10:47 / atualizado em 22/12/2014 09:49

Ana Paula Lisboa

Marcelo Ferreira

 

Há quase 27 anos na capital federal, a Palato Icre Cream Shop é referência quando se fala em sorvetes. A cada domingo — o dia mais agitado da sorveteria —, são atendidos 500 ou mais clientes. Os 150 sabores foram desenvolvidos a partir de diversas experiências de um apaixonado por cozinha que resolveu descobrir tudo sobre a arte de fazer sorvetes. Murilo Silva, 54 anos, decidiu trabalhar na área por causa de uma peculiar característica de Brasília: o clima. “Essa região quente e seca propicia o consumo de sorvetes quase o ano inteiro”, conta. Depois de estudar hotelaria e de ter morado nos Estados Unidos, o carioca pensava em atuar em hotéis do Distrito Federal, mas, como esse mercado era muito modesto na época, partiu para a abertura do próprio negócio.

Empreender sem experiência em administração e sem conhecimentos na fabricação do produto foi um desafio. “No início, realmente foi muito difícil e arriscado porque eu não entendia nada”, admite. A saída foi revender sorvetes. Nos primeiros anos, a empresa não dava lucro, e Murilo quase desistiu. “Não é fácil trabalhar, trabalhar, trabalhar e não ter retorno. A quadra era vazia, só tinha barro aqui. Continuei porque gostava. Essa loja é como uma filha.” Para se capacitar, o carioca entrou na faculdade de administração e viajou à Itália e aos Estados Unidos com o objetivo de aprender as melhores técnicas de fazer gelados. Ao revender sorvete, ele também descobriu os segredos da receita e resolveu fazer os próprios. “Eu comprei minha própria máquina de sorvete e comecei a criar. Fiz muitos testes. Peguei know-how lá fora, mas a criatividade é minha.”

Uma prioridade sempre foi a qualidade do chocolate. “Demorei 10 anos para chegar à formulação atual com 25 tipos diferentes para agradar à mulherada. Chocolate é o que mais sai na Palato.” Sorvetes só da fruta também fazem sucesso, inclusive misturas inusitadas, como o sabor maracaxi (maracujá com abacaxi). É com orgulho que Murilo revela que o de caipirinha foi provado e aprovado por personalidades como o ex-presidente Lula, o venezuelano Hugo Chávez e até os reis da Espanha. “Para fazer sucesso, a pessoa não pode ficar na mesmice: tem que inventar. Tenho 150 sabores de sorvete e toda hora estou modificando. É isso o que as pessoas querem: o trivial você compra em qualquer mercado”, diz. Oferecer um bom produto e tentar sempre agradar ao cliente é fundamental, mas a receita do sucesso, segundo o proprietário, está na dedicação. “Não tem outra saída: o segredo é trabalhar muito, de segunda a segunda”, revela.

Equipe de ouro
Quem frequenta a sorveteria está acostumado a encontrar sempre os mesmos rostos ao longo dos anos. “Nossa rotatividade é baixíssima. Tenho funcionário com mais de 23 anos de empresa. São pessoas extremamente empenhadas que vestem a camisa e gostam do trabalho. O funcionário tem que estar satisfeito, pois é o cartão de visita da empresa”, revela. A gentileza de saber o nome dos fregueses faz sucesso. “Os clientes adoram isso”, observa Murilo. Há 6 anos na Palato, o atendente Edson Henrique Sousa, 28 anos, sente prazer em trabalhar. “Gosto do horário e de lidar com o público. Eu acabo pegando o nome dos clientes e gosto de conversar.” Natural do Ceará, João Batista, 41, está na empresa desde 10 de agosto de 1989, é gerente há 20 anos e adora a empresa. “Somos um grupo bem unido e nos damos muito bem”, diz.

Sucesso
Além da unidade da 309 Norte, os sorvetes são produzidos na 412 Norte, onde existe outra unidade da sorveteria, criada há 2 anos e meio, como ponto de revenda. O aumento do número de sorveterias no DF não assusta Murilo. “Eu acho que tem campo para todo mundo. Nós nos diferenciamos pelo tratamento, pelo preço, pela qualidade e pela quantidade.” Combinações tradicionais — como banana split — são raras em outros lugares, mas mantêm clientes antigos cativos. O empresário revela, porém, que momentos de crise econômica trazem reflexos. “Não é que as pessoas não querem tomar sorvete, mas os supérfluos são os primeiros a serem cortados”, percebe.

“A Palato cresceu com a quadra e se tornou um ambiente muito familiar. Pessoas que vinham aqui na infância hoje trazem os filhos. Sempre tem histórias de namoro por aqui. É um lugar muito agradável que atrai todo tipo de gente. Virou tradição”, define o proprietário. Stephanie Chater e o namorado, Mateus de Souza, 22 anos, são um dos casais que marcam ponto na sorveteria. “Eu adoro os sorvetes daqui, especialmente o de pistache e os de chocolate. Os atendentes são gente fina. A gente não só compra sorvete, mas sempre acaba conversando”, garante Stephanie. “Eu gosto muito dos sabores de frutas, como jabuticaba. O atendimento é ótimo”, conta o estudante de educação física.

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