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Sucesso é bem-estar

Para a CEO do The Huffington Post, é hora de largar o celular, redefinir prioridades e aceitar que é impossível ser bem-sucedido e feliz sem diminuir o ritmo e respeitar os próprios limites

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postado em 22/12/2014 10:51 / atualizado em 30/03/2015 10:55

  
 

 

Minervino Junior
Em 2007, a economista e CEO do portal de notícias norte-americano The Huffington Post, Ariana Huffington, 64 anos, autora de 14 livros e eleita uma das mulheres mais influentes do mundo, desmaiou de exaustão no próprio escritório por excesso de trabalho e sobrecarga emocional. Foi aí que a empresária decidiu mudar de rotina e reestabelecer prioridades. Agora, ela traz essas reflexões ao público no livro A terceira medida do sucesso, em que defende que, além de aquisições materiais, um indicativo de uma pessoa bem-sucedida é composto por bem-estar, sabedoria, gratidão e doação. “Eu trabalhava dia e noite para consolidar o The Huffington Post. Um dia, desmaiei de cansaço, esgotamento e privação de sono: bati a cabeça e levei quatro pontos no supercílio direito. Desde então, eu me propus ao desafio de rever o significado da palavra ‘sucesso’ em minha vida. Isso se tornou uma prioridade”, lembra.

“Não é uma questão de não ser intensa e de não trabalhar duro. Muito pelo contrário: precisamos continuar fazendo o que fazemos de melhor para alcançarmos nosso propósito de vida, mas respeitando nosso limite biológico, que é inevitável”, ressalta. A obra estimula o leitor a redefinir prioridades e traz reflexões acerca do gerenciamento do tempo e do resgate do que a autora acredita ser uma conexão interior. “A terceira medida para ser bem-sucedido, que vai além de dinheiro e poder, é composta por quatro pilares: bem-estar, sabedoria, gratidão, e doação”, diz.

“Ao longo do tempo, a noção de sucesso foi reduzida a dinheiro e poder: ambos são praticamente sinônimos de felicidade hoje em dia. Esse conceito só é real até certo ponto. A longo prazo, dinheiro e poder são como um banquinho de duas pernas: você pode se equilibrar sobre ele por um tempo, mas, eventualmente, você vai cair”, alerta. Ela critica ainda a tecnologia, especialmente quando se torna viciante e prejudica tanto as relações interpessoais, quanto o processo de autoconhecimento. “As pessoas têm uma relação patológica com seus dispositivos”, aponta.

Em busca de um ideal
“Eu diria que redefinir o conceito de sucesso é um dos passos mais importantes para gerir sua carreira. Às vezes, uma oportunidade já passou; no entanto, se você não sabe aonde quer chegar, tende a continuar em busca de um ideal desconhecido”, observa Tereza Mendelson, especialista em carreira da empresa de recrutamento e seleção Hays. “Quando as pessoas falam em sucesso, mais importante que almejar uma opção externa é estabelecer um alinhamento com aquilo que tem valor para você, pois é o autoconhecimento que ajuda nesse direcionamento.”

 

Para o professor de inglês Pedro Henrique Moisés, 27 anos, o sucesso está relacionado ao equilíbrio entre vida pessoal e carreira, a bons relacionamentos e à autoconfiança. “Sentir-se bem no ambiente em que trabalho é motivador”, diz. “Eu sei que obtive o que esperava de algo quando não me restam mais dúvidas de que era realmente o que eu queria.” Apesar de se considerar bem-sucedido, Pedro acredita que ainda há um longo caminho a trilhar até a felicidade. “Ter saúde, por exemplo, é um fator que recebe pouca importância, porém são raros os casos em que as pessoas não têm que lidar com o estresse no âmbito profissional. Conseguir driblar tais obstáculos, como a ansiedade e a pressão, e viver sem arrependimentos, é sinônimo de sucesso para mim.”

Três perguntas para

Ariana Huffington


Quais são as suas recomendações para pessoas da geração Y — citadas como as mais estressadas no livro — serem menos ansiosas e mais felizes?
Essa geração enfrenta problemas como a vulnerabilidade profissional e a pouca renda da qual dispõem. Isso no Brasil é uma constante e exige reformas políticas e econômicas. No entanto, existem atividades que podem ajudá-las a ter melhor desempenho no trabalho, como meditação, ioga e dormir o suficiente. Tudo isso ajuda a melhorar o rendimento e nos faz entender que o nosso trabalho não define quem somos.

Qual a importância da terceira medida do sucesso para empresários?

É importante para investidores ambiciosos porque, na definição de sucesso do livro, construir e cuidar do nosso capital financeiro não é tudo. Temos de fazer o possível para proteger e estimular o nosso capital humano também. Enquanto, por um lado existe uma cultura empresarial obcecada com lucros, por outro lado, vemos os efeitos crescentes que o estresse exerce sobre o local de trabalho, prejudicando o bem-estar de cada funcionário e, por conseguinte, levando companhias e negócios a irem por água abaixo. A saúde dos colaboradores é o que sustenta o bom funcionamento da empresa. Os vícios gerados por empreendedores que abusam das próprias capacidades e exploram seus funcionários afetam a todos.

Que dicas você daria para quem está ingressando no mercado de trabalho ou pensando em empreender?
Não ter medo de falhar é a primeira atitude que se deve ter ao iniciar um projeto. É necessário ter a coragem para dar o primeiro passo. Não existe uma escada para o sucesso. Em vez disso, precisamos redefinir o que o sucesso significa e não nos conformarmos com a definição que nos foi imposta: poder e dinheiro. Por fim, é preciso lembrar que não existem placas de sinalização ao longo do caminho, indicando qual a melhor direção a seguir. Refletir sobre certos pontos é fundamental para que decisões sejam tomadas de forma responsável.

Leia

 (Editora Sextante/Reprodução) 


A terceira medida do sucesso
Arianna Huffington
Editora Sextante
174 páginas / R$ 29,90

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