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Intolerância

Estagiária acusa chefe de racismo

Jovem teria sido chamada de "macaca" por uma analista de processos da ANTT. Agência limitou-se a informar que o caso é apurado pelo conselho de ética. Vítima procurou a 5ª DP, mas a investigação está parada por conta da greve dos policiais

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postado em 05/09/2012 16:29 / atualizado em 05/09/2012 17:11

Ana Pompeu

Antonio Cunha/Esp. CB/D.A Press
Uma estagiária da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) registrou queixa contra uma de suas superiores. Ela acusa a mulher de tê-la chamado de “macaca”. A Polícia Civil abriu inquérito para apurar a denúncia. Luana Santos Conceição, 20 anos, trabalha na agência desde 2011 e uma das funções dela é distribuir processos. Como os servidores estão em greve, os documentos se acumularam. Quando levou a papelada para a analista de processos Clenilma Borges Santiago, ela teria sido recebida com hostilidade e termos racistas.

De acordo com Luana, Clenilma levantou-se e gritou com ela, reclamando do volume de trabalho. “Alguém segura essa macaca. Olha o tanto de serviço que ela jogou na minha mesa”, teria afirmado. Ela é lotada na Gerência de Transporte Fretado de Passageiros (Gfret) da Superintendência de Serviços de Transporte de Passageiros (Supas). Ocaso ocorreu no último dia 10, em uma sala cheia de outros funcionários da ANTT, por volta das 15h40. Luana conta que todos em volta a encararam no momento. “Fiquei tão constrangida que não consegui dar continuidade ao meu trabalho direito”, lembra a jovem.

Colegas que presenciaram a cena conversaram com Luana e a orientaram a fazer reclamações na corregedoria e na ouvidoria interna do órgão. Até o momento, no entanto, ela não teve retorno. “A impressão que dá é que estão tentando abafar o caso porque ela tem um cargo e eu sou apenas uma estagiária”, lamenta.

Depois de esperar que alguma providência fosse tomada na própria ANTT e não conseguir respostas, Luana decidiu registrar ocorrência na 5ª Delegacia de Polícia (área central) na segunda-feira seguinte, dia 13. “Ela havia feito isso outra vez, mas como estávamos sozinhas, seria a minha palavra contra a dela”, explica. Desta vez, Luana procurou a delegacia acompanhada de uma testemunha do caso.

O delegado da 5ª DP, Reinaldo Vilar, diz que as investigações estão paradas por causa da greve dos policiais. “Um inquérito foi instaurado. Nesses casos, a tramitação é rápida porque não há perícia ou gravações. Apenas os depoimentos das partes e testemunhas”, detalha o delegado. Segundo Vilar, o depoimento de Clenilma estava marcado para esta semana, mas não é possível saber se ocorrerá por causa da paralisação dos agentes.

Registros

Entre 2010 e junho deste ano, 120 ocorrências de crimes relacionados à raça foram registradas no DF. Em 2012, Ceilândia liderou a lista de injúria racial com 10 casos, enquanto Brasília teve seis. Os dados são da Secretaria de Segurança Pública. No período, apenas um caso de racismo foi registrado, no Paranoá. A ANTT informou, por meio da assessoria de imprensa, que “do ponto de vista administrativo, o assunto é tratado no conselho de ética”. Garantiu que passou os telefones da reportagem à Clenilma, para que ela ligasse caso tivesse interesse em dar a sua versão do caso, o que não ocorreu até o fechamento desta edição. O Correio também ligou no ramal direto da servidora,mas ninguém atendeu.
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