postado em 28/02/2010 08:21
Quase um minuto de terror e desespero. O quinto terremoto mais forte dos últimos 100 anos atingiu na madrugada de ontem o centro-sul do Chile, com o epicentro na região de Maule e Concepción. Com magnitude 8,8 na escala Richter, o tremor teve seu epicentro no mar, afetou várias áreas do paÃs e causou a morte de pelos menos 214 pessoas, segundo as informações do governo chileno divulgadas até o fechamento desta edição. Foi o mais potente terremoto ocorrido na nação sul-americana desde 1960, quando um tremor de 9,5 pontos deixou 1.665 mortos.
"Os chilenos estão acostumados (a abalos sÃsmicos), mas esse foi um terremoto de oito pontos, um a mais do que aquele que atingiu o Haiti", disse ao Correio o embaixador do Chile em BrasÃlia, Ãlvaro DÃaz. "Não foi somente muito grande em força, mas também muito prolongado: 45 segundos", destacou o diplomata, lembrando que, na maioria das vezes, os tremores de terra costumam durar cerca de 15 segundos.
A presidenta chilena, Michelle Bachelet, decretou estado de emergência em seis áreas consideradas "zonas de catástrofe", entre elas, Maule e BÃo BÃo. O terremoto ocorreu à s 3h34. Às 5h, a presidenta já tinha se reunido com seu gabinete de ministros - entre eles o responsável pela pasta do Interior, Edmundo Pérez Yoma -, além da direção do Escritório Nacional de Emergências. "Vamos olhar o conjunto dos danos para ver se, com os recursos que temos para 2010, poderemos enfrentar a reconstrução do paÃs", disse Bachelet à televisão local.
O terremoto destruiu construções, inclusive na capital, Santiago, a 325km de distância do epicentro. Várias regiões ficaram sem água, energia elétrica e contato telefônico. Uma ponte sobre o Rio BÃo BÃo (Puente Viejo), em Concepción, desabou por completo, mas, por sorte, nenhum condutor passava sobre a construção no momento do desastre. Na capital, motoristas perderam o controle dos veÃculos. Outros carros acabaram destruÃdos por escombros. O tremor foi sentido em outros paÃses, inclusive no Brasil. Na Argentina, cinco pessoas morreram por causa do abalo.
A vice-cônsul da Embaixada do Brasil em Santiago, Ana PatrÃcia Cruz Franco, classificou a experiência como "assustadora". Segundo ela, por volta das 3h30 (horário local de verão, o mesmo de BrasÃlia), o fornecimento de energia foi interrompido e o prédio onde ela mora começou a sacudir. Seguindo instruções de segurança, ela se jogou no chão e ficou embaixo do batente de uma porta de seu apartamento, localizado no 18º andar. "O prédio balançava como borracha. Caiu tudo no chão, na cozinha, na sala. Foi horroroso. Sempre acontece um ou outro tremor, mas coisa leve. Nunca passei por um tremor desse nÃvel", disse a diplomata à reportagem. Segundo a vice-cônsul, depois do terremoto, os moradores desceram e ficaram na rua apavorados, esperando o dia amanhecer. A representação brasileira, que funciona em uma construção antiga, sofreu abalo mÃnimo. "CaÃram pedrinhas de uma parede, mas estamos trabalhando normalmente", contou.
A brasileira Camilla Valenzuela relatou a tensão em um site de relacionamentos na internet. "Tenho metade da minha famÃlia lá, na cidade de Maipu. Um prédio caiu e outros estão tortos... O negócio está feio. Em Maipu, as autoridades disseram para as pessoas não saÃrem de casa", disse. Camilla vive em São Paulo e conseguiu entrar em contato com um dos tios que vive no Chile. "Ele disse que os celulares não estão funcionando", afirmou.
Ouça entrevista com o embaixador Ãlvaro DÃaz