O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, negou nesta segunda-feira (31/5) que as relações bilaterais com os Estados Unidos tenham ficado estremecidas devido ao acordo firmado entre Brasil, Turquia e Irã referente ao programa nuclear do país islâmico. Marco Aurélio Garcia disse que divergências são normais: “O que não é normal é que essas relações estejam sempre em lua de mel”.
Após participar da reunião da Comissão Econômica para Países da América Latina e Caribe, hoje (31) em Brasília, o assessor especial rebateu as críticas feitas ao Brasil de ter sido ingênuo ao intermediar o acordo. “Ingênuo é quem acredita nos relatórios de inteligência”, rebateu.
“Nós não negociamos em nome dos Estados Unidos. Negociamos em nome do Brasil e da Turquia, e em nome dos interesses que consideramos [ser] da comunidade internacional”, enfatizou Marco Aurélio Garcia, que ainda alertou que a imposição de sanções ao Irã, exigida pelos Estados Unidos, só reforçaria a atuação de grupos radicais. “É seguir por um caminho que não traz nenhum resultado concreto, a não ser satisfazer alguns grupos radicais.”
O assessor da Presidência disse que a participação de países como Brasil e Turquia em negociações internacionais importantes acaba incomodando setores do governo dos Estados Unidos. “Há interpretações de que certos setores do governo norte-americano se incomodam com o fato de que países como Turquia e Brasil participem da resolução de questões internacionais, onde outras potências fracassaram. Em certa medida, isso pode ser verdadeiro”, disse.
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