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Guerra entre Irã e os Estados Unidos aumentam tensão no Golfo Pérsico

Carolina Vicentin

Publicação: 04/01/2012 08:41 Atualização:

A guerra verbal entre Irã e Estados Unidos ganhou munição extra. Em mais uma exibição de força, o chefe do Exército iraniano ameaçou os norte-americanos de retaliação, caso o porta-aviões USS John C. Stennis retorne ao Golfo Pérsico. A embarcação — mantida há anos pelos EUA — atravessou o Estreito de Ormuz na segunda-feira, quando Teerã finalizou uma série de testes com mísseis de médio alcance. A réplica à ameaça veio logo em seguida. O Pentágono rejeitou qualquer possibilidade de tirar o porta-aviões da região. “Os deslocamentos militares do Exército americano vão continuar, como tem sido feito há décadas”, avisou o porta-voz George Little.

O discurso inflamado do general iraniano Ataolá Salehi seguiu-se ao polêmico exercício militar no Mar de Omã — o local recebe o escoamento de um terço da produção mundial de petróleo, parte dela originária do próprio Irã. “Aconselhamos o porta-aviões americano que atravessou o Estreito de Ormuz, e que se encontra no Mar de Omã, que não volte ao Golfo Pérsico”, disse Salehi. “A República Islâmica do Irã não tem a intenção de repetir sua advertência”, acrescentou. Funcionários de alto escalão de Teerã já haviam comentado o possível fechamento do estreito, como forma de impedir novas sanções ao comércio do petróleo iraniano. No último fim de semana, o presidente Barack Obama ampliou as restrições econômicas ao Banco Central do Irã, o que agravou a crise entre as duas nações.

O porta-aviões USS John C. Stennis navegando pelo Estreito de Ormuz, dois meses atrás: Irã exige que a embarcação mantenha distância (U.S. Navy/Reuters - 12/11/11)
O porta-aviões USS John C. Stennis navegando pelo Estreito de Ormuz, dois meses atrás: Irã exige que a embarcação mantenha distância


“Essas medidas são bastante pesadas, mesmo que atinjam apenas o sistema financeiro. O país não consegue nenhum outro investimento, não pode abrir cartas de crédito e não tem acesso a seguradoras”, aponta a analista iraniana Haleh Esfandiari, diretora do Programa para o Oriente Médio do Woodrow Wilson International Center for Scholars. E a situação pode piorar para Teerã. A França encabeça uma verdadeira investida para aprovar o endurecimento das sanções, no âmbito da União Europeia. “O Irã continua a desenvolver suas armas nucleares, não há dúvidas sobre isso”, justificou o ministro das Relações Exteriores da França, Alain Juppé, em entrevista a uma emissora de tevê de seu país. No mês passado, o presidente Nicolas Sarkozy chegou a pedir o congelamento de ativos do Banco Central do Irã e o embargo às exportações de petróleo.

A proposta está longe de ser um consenso na Europa. Grécia, Itália e Espanha — afundadas em uma grave crise financeira — são dependentes das exportações do Irã. Uma fonte diplomática ouvida pela agência France-Presse afirmou que o governo alemão não planeja ser tão rígido com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.

Além da França, apenas o Reino Unido estaria disposto a manter a firmeza em relação ao regime islâmico. Em novembro passado, após a invasão de manifestantes islâmicos à embaixada britânica em Teerã, Londres cortou laços com todos os bancos iranianos. Ainda assim, o premiê David Cameron é cauteloso. “A questão de um embargo sobre o petróleo e o gás será estudada e discutida pelos ministros das Relações Exteriores (da União Europeia)”, disse ele ontem. A reunião está marcada para 30 de janeiro.

Riscos
Enquanto as medidas não são definidas, o Irã deve aproveitar sua posição estratégica para causar turbulência na região. “Os iranianos podem perturbar o transporte civil no Estreito de Ormuz. Isso viola as convenções internacionais e poderia ser visto pelos EUA e por seus aliados como um ato de guerra”, afirma ao Correio Michael Connell, diretor do Programa de Estudos Iranianos no Centro de Análises Navais (CNA), uma ONG norte-americana. “Dependendo da natureza do conflito e como ele se desenrola, a tensão poderia se expandir para todo o Oriente Médio.”

Para Haleh Esfandiari, tanto as ameaças de ontem como os recentes testes de mísseis visam o fortalecimento interno de Ahmadinejad. “Todo esse barulho da Marinha e do governo tem a ver com a necessidade de eles mostrarem a sua força e impressionarem as pessoas, dentro do país”, opina. Em março, o Irã realizará eleições parlamentares. As pesquisas indicam que os conservadores devem ganhar mais cadeiras, impedindo qualquer reforma política ou social.

Esta matéria tem: (3) comentários

Autor: Júlio Albuquerque
Esses governos fundamentalistas teocráticos são o que mais existe de atrasado e de atroz. São verdadeiras ameaças à paz mundial, e deveriam,sim, ser isolados do mundo. | Denuncie |

Autor: amizade amor
Eu não intendo porque não desarmam primeiro os EUA !? OS caras são tão covardes que usam veiculos não tripulados para bombardear indiscriminadamente os Países aos quais eles querem roubar o petróleo. Pela soberania nacional do Irã creio ser justa a advertencia de bombardeio aos navios MacDOnalds. | Denuncie |

Autor: Renan Alexander
Assim provaram que não existiam Armas de Destruição em Massa no Iraque!Demostrando como a intenção do ataque foi para exploração de petróleo pelas Empresas Americanas!O Irâ para própria defesa seria melhor fazer uma aliança militar com Rússia e China contra qualquer invasão.Cadê a prova de culpa?EUA! | Denuncie |

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