Foto de bebê encontrado morto se torna símbolo da crise migratória

Ao menos 12 imigrantes sírios e oito crianças morreram nesta quarta-feira (2/9) na costa da Turquia, na tentativa de fugir do Estados Islâmico e da guerra civil no país

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postado em 02/09/2015 17:07 / atualizado em 02/09/2015 20:44

France Presse

Atenas, Grécia - A foto de um menino afogado em uma praia da Turquia, após o naufrágio de duas embarcações com refugiados sírios, gerou comoção na Europa, confrontada a uma pressão crescente para gerenciar a chegada de milhares de refugiados ao continente.

AFP PHOTO / DOGAN NEWS AGENCY= TURKEY OUT =


As duas embarcações que naufragaram tinham saído da cidade turca de Bodrum com destino à ilha grega de Kos, porta de entrada da União Europeia.

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A guarda costeira turca foi alertada por gritos de passageiros dos barcos e conseguiram resgatar os corpos de 12 pessoas, entre eles o de um menino pequeno que jazia de bruços na praia.

No naufrágio morreram cinco menores e sete adultos, enquanto 15 pessoas puderam ser resgatadas. A fotografia de um agente turco carregando o menino foi difundida por meios de comunicação e pelas redes sociais com a hashtag #KiyiyaVuranInsanlik (A humanidade é um fracasso, em turco).

AFP PHOTO / DOGAN NEWS AGENCY= TURKEY OUT =


Um dos agentes de resgate disse à AFP que as autoridades turcas colheram o depoimento da família do menino e acreditam que todos procediam da cidade síria de Kobane.

"O bote que levava o menin oe sua família era para quatro pessoas, mas havia 15 refugiados a bordo", explicou o funcionário. "Não havia fortes ventos, o mais provável é que entraram em pânico e que muitos não soubessem nadar", prosseguiu.

Meios de comunicação turcos reportaram que o menino se chamava Aylan Kurdi e que tinha três anos. Jornais de toda a Europa repercutiram a comoção provocada pela imagem e a foto estampou a primeira página de vários deles nesta quarta-feira.

Na Espanha, o jornal El Mundo destacou que a foto "já faz parte do álbum migratório da infâmia", enquanto o El Periódico escreveu que a imagem ilustrava "o naufrágio da Europa".

Para o britânico The Guardian, a foto resume "todo o horror e o drama humano vividos na costa europeia".

"Se imagens tão fortes quanto a de um menino sírio morto, arrastado pelas ondas, não mudarem a atitude da Europa frente aos refugiados, o que poderá fazê-lo?", questionou o The Independent.

Na Itália, o jornal La Repubblica reproduziu a imagem no Twitter, intitulando-a "Uma foto para calar o mundo".

O diretor do serviço de emergências da ONG Human Rights Watch, Peter Bouckaert, explicou porque decidiu compartilhar a imagem no Twitter, apesar do duro drama que retrata.

"Alguns dizem que a foto é muito ofensiva para ser compartilhada na internet ou publicada nos jornais. Mas para mim, o que parece ofensivo é uma criança afogada morta na praia, quando mais poderia ser feito para evitar a sua morte", expressou.

Êxodo contínuo
Enquanto isso, milhares de refugiados conseguiam chegar à costa da Europa. Cerca de 4.500 pessoas chegaram nesta quarta-feira ao porto de Pireu, em Atenas, com o objetivo de continuar seu périplo rumo ao norte da Europa, em um novo episódio da grave crise migratória que divide os países europeus. Outros 3 mil puderam ser salvos pela guarda costeira italiana no Mediterrâneo nas últimas 24 horas.

Lesbos, assim como Kos, também no Egeu, se tornaram o porto de entrada na Europa de refugiados que fogem através da Turquia dos conflitos armados no Oriente Médio e na África.

A maioria quer continuar viagem para o norte da Europa através dos Bálcãs, na crise migratória mais grave no continente desde a Segunda Guerra Mundial.

Desde o começo do ano chegaram à Grécia 160.000 pessoas do total de cerca de 350.000 que, segundo se estima, teriam cruzado o Mediterrâneo, uma rota na qual morreram dois mil migrantes.

Enquanto isso, na Hungria, um dos países de entrada para os migrantes que querem chegar à Alemanha, a tensão continua crescendo e duas mil pessoas permaneciam acampadas em frente à estação de Keleti, em Budapeste, ou em uma zona de trânsito do edifício, depois que a polícia os impediu de abordar os trens.

A tentativa dos migrantes de chegar à Alemanha se explica pela decisão do governo de Berlim de não devolver aos sírios o país por onde entraram na União Europeia, neste caso a Hungria, e examinar seus pedidos de asilo.

Segundo as autoridades alemãs, nesta terça-feira, 3.709 pessoas sem visto chegaram ao país vindos de Áustria e Hungria, uma cifra recorde.
Espaço Schengen ameaçado?

Viena elevou o tom nesta quarta-feira contra a decisão alemã, que vai contra os acordos de Dublin, segundo o qual o candidato a asilo deve apresentar seu pedido ao Estado-membro onde entrou pela primeira vez à União Europeia.

"Sempre adverti contra uma suspensão dos acordos de Dublin (...) Estamos vendo os efeitos agora", lamentou o ministro do Interior, Johanna Mikl-Leitner, em entrevista ao jornal Die Presse.

Para fazer frente à chegada de milhares de pessoas que fogem da guerra, da perseguição e da pobreza no Oriente Médio e na África, "o mais importante é levar paz e estabilidade", disse o primeiro-ministro, David Cameron.

"Não penso que a resposta seja receber mais e mais refugiados", afirmou, em declarações à BBC. O risco de que esta crise ameace a liberdade de trânsito na UE, um dos maiores feitos da construção europeia, começa a surgir.

A atual crise migratória está "destroçando" o espaço Schengen de livre circulação, afirmou o chefe da diplomacia eslovaca, Miroslav Lajcak.

A implantação de uma resposta conjunta de todos os países europeia será o tema central de uma reunião, em 14 de setembro, entre os 28 países da União Europeia.
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Edison
Edison - 03 de Setembro às 10:07
Que tristeza, que coisa mais horrível de se ver. Mas este é somente um caso entre tantos que ocorrem no mundo. O que é ser justo? Lembrem-se que isto tudo ocorre face a disputa pelo poder. Que país no mundo tem condições de receber todas estas pessoas neste mundo afora, gerar empregos, dar-lhes qualidade de vida, enfim aquilo que almejamos para viver bem! Penso no Brasil hoje, quebrado, corrupto, sem futuro, senão o de sair desta situação criada por pessoas que se utilizam de todos os meios para obter a dita riqueza. Penso em Haitianos, Bolivianos, Colombianos, Venezuelanos, Africanos, enfim, em todos que procuram algo melhor na vida, Penso naqueles que vem para cá concorrer com escassas ofertas de emprego. É certo compartilhar a miséria! O que é certo! Imaginem que pessoas fugindo de ditaduras neste mundo afora podem lhe reduzir as chances de emprego, para você, ou para seu filho, enfim o mundo ruma para onde. O que fazer! O que é humanitário! interferir! Vejam o que ocorre com quem interfere. Os grupos radicais que o digam. O mundo adotará um discurso de socializar a miséria, como a esquerda tem feito no Brasil. Se as pessoas não produzem, como querem ser beneficiadas! Como prever de uma hora para outra um invasão destas proporções! Como tratar! Como repartir e de que forma! O que será que diferencia pessoas que fogem, como estas da Síria em relação aos pobres que esperam que tudo lhes seja dado, simplesmente pelo fato de serem pobres! Não podemos misturas as coisas, nem as pessoas, umas querem fazer, outras não. Que época vivemos!
 
Wilson
Wilson - 03 de Setembro às 08:50
Ver estas fotos chega a ser deprimente. Lá a emigração, aqui a miséria. Como será que estão se sentindo os que roubaram milhoes no petrolão e sabendo que tais valores faltam para gerar empregos, levando muitas familias a depender do Bolsa familia? Pior é ve-los na TV pousando de riquinhos, na verdade ladrões.
 
cleyvisson
cleyvisson - 03 de Setembro às 08:47
Não publicar uma cena dessa, é como fecharmos os olhos para não ver a realidade...e querer acreditar num mundo colorido.