Chile permite venda de medicamento à base de maconha

O Sativex, remédio utilizado para tratar a esclerose múltipla e controlar os espasmos musculares associados, será o primeiro comercializado regularmente em farmácias

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postado em 13/10/2016 19:34

Santiago, Chile - O Chile permitiu pela primeira vez a comercialização de um medicamento produzido com maconha, erva cuja venda está proibida no país e sobre a qual o Congresso debate um projeto de lei.


O Sativex, remédio utilizado para tratar a esclerose múltipla e controlar os espasmos musculares associados, será o primeiro comercializado regularmente em farmácias após ter recebido a permissão do Instituto de Saúde Pública (ISP) do Chile. "Pela primeira vez no país foi aprovado pelo Instituto de Saúde Pública (ISP) do Chile o registro de um medicamento fabricado à base de cannabis, o qual poderá ser distribuído e utilizado no Chile", indicou um comunicado do ISP divulgado nesta quinta-feira em sua página na Internet.

 

O remédio terá um custo aproximado de 1.500 dólares. Ele será importado e distribuído por um laboratório que apresentou em março a documentação ao ISP para obter a permissão de venda, que será efetuada mediante receita retida e com controle de estoque. "O registro sanitário do Sativex foi aprovado já que ele cumpre todos os requisitos regulamentares de qualidade e já demonstrou sua segurança e eficácia para a indicação solicitada", declarou Alex Figueroa, diretor do ISP, no comunicado.

 

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A venda de medicamentos produzidos com cannabis foi autorizada em dezembro passado pela presidente Michelle Bachelet após um decreto que legalizou a elaboração e comercialização desse tipo de fármaco. "Esta é a melhor alternativa dentro das que se tem como terapia da dor, mas sempre sob supervisão médica por ser um psicotrópico", explicou o vice-ministro de Saúde, Jaime Burrows.

 

O ISP autorizou há dois anos a entrada do Sativex no Chile para o caso excepcional de uma mulher que tem lúpus e câncer de mama. No Chile, ainda que seja permitido o consumo particular, a venda da maconha é passível de pena, mesmo que a lei deixe para livre interpretação a questão do auto-cultivo.

 

A Fundação Daya lidera uma grande plantação de cannabis para uso medicinal em Quinamávida, 350 km ao sul de Santiago, com mais de 6.400 plantas de 16 variedades com o objetivo de fornecê-las para doentes sob controle médico. O Congresso chileno debate um projeto de lei que regule o uso e o auto-cultivo da maconha. O governo apresentou indicações sobre o conteúdo da norma que reduz de dez para duas gramas o porte legal da droga e o auto-cultivo de dez plantas para apenas uma.

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