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Peshmergas a caminho de Mossul para acabar com a ocupação do EI

Com um fuzil Kalashnikov no ombro, Omran e outras centenas de peshmergas estão determinados a retomar a cidade tomada pelo grupo extremista Estado Islâmico

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postado em 20/10/2016 18:03

France Presse

Sheij Ali, Iraque - "A 4 km daqui, ao final da estrada, estão a minha casa e o meu carro", diz o iraquiano Omran, apontando para Bachiqa, de onde se erguem colunas de fumaça. É a sua cidade e em algumas horas os peshmergas esperam recuperá-la do EI.


Com um fuzil Kalashnikov no ombro, Omran e outras centenas de peshmergas estão determinados a retomar a cidade tomada pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI). Desde a noite em que teve que fugir apressadamente de uma casa com seus quatro filhos, sem poder levar "nada", este curdo refugiou-se mais ao leste, em Erbil, capital da província autônoma do Curdistão. Ali aderiu aos peshmergas, os combatentes curdos.

 

Hoje, "os curdos recuperarão cada centímetro quadrado de sua terra", prevê Omran Las, de 33 anos. "Podemos morrer por esta região, resistimos a todas as ocupações, a (do ditador falecido) Sadam Husein, a de outros e agora, a do EI", enumerou. Centenas de peshmergas lançaram na manhã desta quinta-feira uma ofensiva.

 

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Seu principal objetivo é a tomada de Bachiqa, a 25 km do centro de Mossul, a grande cidade do "califado" que as forças iraquianas querem arrebatar o EI. Contam com a ajuda dos aviões da coalizão internacional e com assessoramento de militantes estrangeiros. Disparos de morteiro Mas o problema - debocha Omran - é que "não encontramos ninguém com quem lutar". "Os homens do EI não vêm nunca combater corpo a corpo, disparam morteiros de longe e isso é tudo", garante Omran, com o rosto queimado de sol e barba espessa.

 

Efetivamente, na estrada que serpenteia uma superfície rochosa apenas coberta pela vegetação amarelada ouvem-se poucas explosões. Apenas um obus de morteiro disparado contra Sheij Ali, onde ficam os peshmergas. Os combatentes curdos retrucam. Em uma colina de onde se vê a estrada, um deles introduz quatro projéteis em um lança-foguetes.

 

Calculam o ângulo fazendo cálculos em um caderno e disparam projéteis. Sobe uma nuvem de poeira. Dezenas de combatentes filmam com seus telefones celulares. Mais abaixo, várias caminhonetes e carros transportam um grupo heterogêneo de peshmergas. Alguns vestem a típica bombacha presa na cintura com um lenço, outros, uniformes militares e calçados de montanha. Alguns usam turbantes, outros, gorro militar. As camuflagens são diferentes. Mas todos têm celulares e o sacam com frequência para tirar fotos. O Kalashnikov é o único que têm em comum, embora outros exibam, com orgulho, M-16 automáticos pretos, mais modernos.

 

'Avanço rápido'

 

Shafiq Bradosti leva, inclusive, óculos de grau pendurados do pescoço e de sol. Aos 32 anos, este curdo apresentou-se como voluntário para participar da ofensiva lançada na segunda-feira para retomar Mossul. Deixou temporariamente o cartório onde trabalhava para libertar "cada palmo de terra curda dos terroristas".

 

"É um dia importante para mim, estou orgulhoso de estar entre os peshmergas para libertar esta terra do EI", diz à AFP. Uma libertação que será "extremamente rápida", afirma, entusiasmado, Salim al Shabake, um deputado iraquiano que veste uniforme militar para a ocasião. "Os peshmergas têm o moral muito elevado" e seu avanço "é rápido", orgulha-se.

 

No terreno, no entanto, isso é muito difícil de constatar. A progressão é milimétrica devido ao risco que as minas e as bombas disseminadas pelo EI representam. O caminho até Mossul será longo e difícil, advertem autoridades iraquianas e estrangeiras. Os peshmergas dão sinais de paciência.

 

Os bombardeios da coalizão que se ouvem ao longe não são mais que a primeira etapa. Eles intervirão depois, quando for preciso entrar em Bachiqa e nas aldeias dos arredores. Por enquanto, aproxima-se a partir de três frentes. Então, explica Hussein Zaiar Ali, membro do Conselho Regional da província de Nínive, onde estão Bachiqa e Mossul, será preciso ocupar-se dos civis.

 

"Tomamos medidas para acolher os deslocados, há 13 acampamentos prontos", diz. E em Bachiqa serão "garantidos os serviços aos moradores, após a libertação", explicou à AFP. Omran e os demais não vão parar ali. "Defenderemos o Curdistão e todo o Iraque", promete.

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