SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

Chile: derrota nas eleições municipais abala governo de Michelle Bachelet

Revés também abre espaço para a retomada ao Palácio de La Moneda do ex-presidente de direito Sebastian Piñera, após as eleições gerais do próximo ano

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 25/10/2016 06:00 / atualizado em 24/10/2016 23:53

Correio Braziliense

A coalizão da presidente Michelle Bachelet amargou uma pesada derrota, no pleito municipal de domingo (23/10), no Chile. Além de deflagrar uma crise no governo, o revés abre espaço para a retomada ao Palácio de La Moneda do ex-presidente de direito Sebastian Piñera, após as eleições gerais do próximo ano. Ao contrário de todas as projeções, a direito obteve as eleições com 38,45% dos votos — contra 37,05% — e tirou da centro-esquerda municípios-chave, como Santiago do Chile, Providencia e Maipu. Enquanto a oposição elegeu 23 prefeitos, a Nova Maioria, aliança de partidos da situação, perdeu 27.

 

Leia mais notícias em Mundo

 

O influente jornal El Mercurio qualificou de “terremoto eleitoral” os resultados de domingo, que registraram recorde de abstenção de 65%. Por sua vez, Eugenio Toni, analista político vinculado ao governo, preferiu utilizar o termo “tsunami”. Em meio a escândalos de financiamento irregular de campanhas políticas, a própria direita nem imaginou a magnitude da vitória conquistada. “Fomos tão criticados que não sabíamos como nos sairíamos”, reconheceu Hernán Larraín, presidente da ultraconservadora União Democrata Independente (UDI), que obteve a maior votação nas municipais, ao levar quase 80 prefeituras.

Devolução

Com o resultado, o panorama eleitoral para a aliança opositora não podia ser mais auspicioso, com vistas às eleições gerais de novembro de 2017. “A probabilidade de que Michelle Bachelet entregue novamente a faixa presidencial ao campo adversário — e não seria estranho ao próprio Sebastián Piñera — se acrescenta dia a dia”, avaliou Tironi, em uma coluna de opinião no jornal El Mercurio. Desta forma, Bachelet poderia devolver a faixa presidencial em março de 2018, repassada a ela pelo próprio Piñera, quatro anos atrás.

O tropeço da coalizão governista tem explicação nas próprias ações da presidente, segundo especialistas. Bachelet prometeu profundas reformas sociais — como a da educação e a trabalhista —, reivindicadas há anos pelos chilenos. No momento de executá-las, porém, ela pareceu cometer mais erros do que acertos. “Esta eleição foi um castigo para Bachelet e isto significou uma vitória para a direita. Talvez a direita não tenha tido muito mérito em vencer, mas neste turno, o único que se precisava era estar na oposição a Bachelet”, explicou Patricio Navia, cientista político da Universidade Diego Portales, à agência France-Presse.

publicidade

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.

publicidade