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Começa na França julgamento em apelação de ex-capitão ruandês por genocídio

Após este julgamento "histórico", o primeiro na França de um ruandês pelo genocídio de 1994, foram realizados os de dois ex-prefeitos ruandeses, Octavien Ngenzi e Tito Barahira

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postado em 25/10/2016 09:24

France Presse

Bobigny, França - O julgamento em apelação de Pascal Simbikangwa, primeiro ruandês condenado na França por sua participação no genocídio de 1994, começou nesta terça-feira (25/10) ante o tribunal de Bobigny, perto de Paris, dois anos depois de sua condenação a 25 anos de prisão. O ex-oficial da guarda presidencial ruandesa, de 56 anos, que ficou paraplégico como consequência de um acidente de trânsito sofrido em 1986, compareceu ante o tribunal de apelação de Bobigny por "cumplicidade em genocídio" e "cumplicidade em crimes contra a humanidade".

O Ministério Público acusa Simbikangwa de ter distribuído armas entre os milicianos Interahamwe, que haviam construído barricadas na capital Kigali, e de ter dado instruções para que os (membros da etnia) tutsi fossem sistematicamente executados em terra.

Durante seu primeiro julgamento, Simbikangwa, que nega estas acusações, minimizou seu papel e até seu conhecimento sobre os massacres cometidos na época. Afirmou, diante do choque geral, que não viu nenhum corpo durante os 100 dias, entre abril e julho de 1994, nos quais 800.000 pessoas, em sua maioria tutsis e hutus moderados, foram massacradas.

Após este julgamento "histórico", o primeiro na França de um ruandês pelo genocídio de 1994, foram realizados os de dois ex-prefeitos ruandeses, Octavien Ngenzi e Tito Barahira. Ambos foram condenados em maio de 2016 à prisão perpétua, mas recorreram da sentença.

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Pascal Simbikangwa também pode ser condenado à prisão perpétua. Seu julgamento, no qual cerca de 50 testemunhas serão citadas, terminará no dia 9 de dezembro. Simbikangwa foi detido em outubro de 2008 na ilha francesa de Mayotte, onde vivia sob um nome falso. É julgado na França em nome da "justiça universal" que permite que os Estados punam os responsáveis por crimes graves, independentemente da nacionalidade de seus autores e do local onde tenham sido cometidos.

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