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Maduro e oposição preparam suas armas para confronto na Venezuela

Após as grandes manifestações em todo o país, na quarta-feira, em rejeição à suspensão de um processo de referendo revogatório contra Maduro, a oposição convocou uma marcha, em 3 de novembro

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postado em 27/10/2016 22:50

France Presse

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, aumentou nesta quinta-feira (27/10) o salário mínimo em 40% e ameaçou ocupar as empresas que aderirem à greve geral convocada para esta sexta-feira, enquanto a oposição reforça sua ofensiva contra o governo.

"Decreto e vou firmar 40% de aumento integral sobre o salário mínimo", anunciou Maduro em um ato público de entrega de residências, o que eleva o mínimo a 90.911 bolívares (140 dólares), incluindo o auxílio alimentação.

A greve de 12 horas faz parte da nova estratégia da opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) após a grande manifestação, na quarta-feira, para exigir a saída de Maduro do poder.

"A Venezuela ninguém para. A Venezuela quer trabalhar e prosperar", disse Maduro em rede nacional de rádio e televisão, em sua primeira reação à convocação da greve.

Maduro ratificou a advertência de que as empresas que aderirem à greve serão ocupadas pelos militares: "Empresa parada será empresa recuperada para os trabalhadores e a revolução (...). Não vou aceitar qualquer tipo de conspiração".

Após as grandes manifestações em todo o país, na quarta-feira, em rejeição à suspensão de um processo de referendo revogatório contra Maduro, a oposição também convocou uma marcha, em 3 de novembro, até o palácio de Miraflores para exigir a ativação desta consulta.

Tensão crescente

Maduro chamou nesta quinta-feira de "assassino" o líder opositor Henrique Capriles, ao culpá-lo pela morte de um policial nos protestos da véspera, e o acusou de planejar uma "invasão" ao palácio presidencial.

"Assassino, assim te chamo em frente ao país", exclamou Maduro referindo-se a Capriles, a quem vinculou à morte a tiros na quarta-feira de um policial em uma estrada nos arredores de Caracas.

"Quem criou esta violência? O chamado do governador de Miranda, Capriles. Ele é o responsável desta morte, porque ele convocou a invadir o Palácio de Miraflores".

Maduro assegurou que tem aversão a uma "gente que lamentavelmente tomou o caminho do ódio, da intolerância", e embora a considere "uma minoria" disse que "com o desejo de sangue e violência que têm podem fazer muito dano".

"Entraram em uma fase de desespero sem precedentes. Temos que defender o direito à paz", acrescentou Maduro, ao reiterar que participará neste domingo, na ilha de Margarita, de uma reunião apoiada pela Unasul e pelo Vaticano para explorar um diálogo com a oposição.

A Mesa da Unidade Democrática descartou sua participação nesta cúpula, que pediu que fosse realizada em Caracas.

No Parlamento, partidários do governo enfrentaram membros da Guarda Nacional quando um grupo chavista tentou impedir a entrada de legisladores da oposição no Congresso, sob a proteção dos militares.

Concentrados nas proximidades do Palácio Legislativo, no centro de Caracas, os chavistas lançaram bombas caseiras e desferiram golpes contra os membros da Guarda Nacional que impediam seu avanço em direção aos deputados que ingressavam no Parlamento.

Em meio aos gritos, insultos e socos dos chavistas contra os militares, os deputados entraram no prédio da Assembleia protegendo a cabeça com suas pastas de trabalho.

Finalmente, a Guarda Nacional conseguiu afastar os manifestantes chavistas dos arredores do Parlamento.

No Legislativo - controlado pela oposição - a maioria cedeu a tribuna para oradores de organizações civis opostas ao governo e a vítimas de abusos da força pública.

A Assembleia se prepara para declarar "o abandono de cargo" de Maduro, figura prevista na Constituição para afastar o presidente quando este não cumpre seus deveres.

Governo e oposição se acusam mutuamente de "golpismo", em meio a uma aguda crise econômica que se traduz em escassez de alimentos e remédios e uma inflação calculada pelo FMI em 475% para este ano.

O governo culpa pela crise econômica "empresários de direita" que buscam desestabilizá-lo, mas a oposição responsabiliza o modelo socialista e sustenta que o revogatório era a última "válvula de escape" de uma população cansada de fazer longas filas para conseguir os poucos produtos a preços subsidiados.

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