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Na reta final para a eleição, FBI reabre investigação sobre Hillary

A decisão mexeu com os mercados e injetou entusiasmo no desafiante da oposição republicana, Donald Trump

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postado em 29/10/2016 07:05 / atualizado em 03/11/2016 21:25

JEWEL SAMAD


Surpreendente e cheia de reviravoltas desde os primeiros movimentos, a disputa pela sucessão de Barack Obama entra na semana final prometendo emoções fortes até os últimos momentos e colocando uma vez mais em suspenso os prognósticos que apontavam para a vitória da candidata democrata à Casa Branca, Hillary Clinton. A 10 dias da votação, o diretor do FBI (polícia federal dos Estados Unidos), James Comey, comunicou ontem aos líderes de ambos os partidos no Congresso que autorizou a reabertura da investigação sobre mensagens enviadas por Hillary de um servidor pessoal de e-mail, no período em que chefiou o Departamento de Estado, no primeiro mandato de Obama (entre 2009 e 2013).
Falando no estado de Iowa, a candidata se disse “confiante” de que o FBI manterá a decisão tomada em julho — de não acusá-la criminalmente. Hillary cobrou explicação completa sobre a reabertura do caso.

A decisão mexeu com os mercados e injetou entusiasmo no desafiante da oposição republicana, Donald Trump. “Talvez, por fim, se faça justiça”, comemorou, durante comício em New Hampshire. Em desvantagem da ordem de cinco a 10 pontos percentuais nas pesquisas nacionais de intenção de voto, e atrás também em praticamente todos os estados decisivos para a conquista da presidência, o bilionário aposta as últimas fichas no calcanhar de Aquiles da adversária: a credibilidade.

“O FBI tomou conhecimento da existência de mensagens que parecem ser pertinentes à nossa investigação (sobre os e-mails de Hillary)”, escreveu Comey aos legisladores, em carta que eles decidiram tornar públicas. “Concordei que fossem tomadas as medidas investigativas para que os peritos examinem esses e-mails e determinem se eles contêm informação reservada e se têm relevância para nós”, completou. A ex-secretária é acusada pela oposição de ter violado normas de segurança ao tratar de assuntos oficiais fora do servidor privativo do departamento. Trump, ademais, sustenta que a rival teria destruído deliberadamente milhares de mensagens.

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Os riscos eleitorais para a candidata democrata não se limitam ao teor das mensagens agora sujeitas a perícia, e começam pelas circunstâncias embaraçosas em que foram encontradas. O FBI desenvolve um inquérito paralelo sobre o ex-deputado Anthony Weiner, suspeito de ter enviado e-mails com conteúdo sexual a uma menor de 15 anos. Os investigadores encontraram e-mails de Hillary ao examinar equipamentos do ex-deputado e da ex-mulher, Huma Abedin, que foi assessora da hoje presidenciável no Departamento de Estado.

“Watergate”
Em todos os quadrantes do ambiente político americano, a reabertura do caso dos e-mails pelo FBI teve o efeito de um terremoto. Em turnê pelo estratégico estado de New Hampshire, um dos que têm prognóstico incerto, com Hillary em ligeira vantagem nas pesquisas, Donald Trump manifestou “respeito” ao FBI por ter “corrigido o terrível engano”. Em julho, depois de examinadas milhares de mensagens do servidor privado da ex-secretária, o diretor da agência censurou-a pelo “extremo descuido”, mas concluiu que não havia elementos para abrir um processo contra Hillary.

“Isso é maior do que Watergate!”, discursou o candidato republicano, invocando o escândalo que derrubou, em 1974, o presidente republicano Richard Nixon. Na plateia, partidários entusiasmados pediam a prisão da democrata, aos gritos de: “Tranca! Tranca!”

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