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Forças iraquianas estão muito próximas dos subúrbios do leste de Mossul

Desde 17 de outubro, dezenas de milhares de membros das forças de segurança avançam nas frentes leste, sul e norte

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postado em 31/10/2016 10:04

France Presse

Bartalla, Iraque - As forças iraquianas retomaram nesta segunda-feira (31/10) seu avanço em direção à cidade de Mossul, reduto do grupo extremista Estado Islâmico (EI) no Iraque e alvo da ofensiva das forças iraquianas que entra em sua terceira semana. Apenas duas localidades, Bazwaya e Gojali, precisam ser conquistadas antes de chegarem à aglomeração de Mossul, segunda cidade do Iraque, informou à AFP um líder do Comando Antiterrorista Iraquiano (CTS), uma força de elite, perto da cidade de Bartalla.

Esta ofensiva, a mais importante das forças iraquianas na guerra contra o EI, segue em sua fase inicial, durante a qual dezenas de localidades dos arredores da cidade foram reconquistadas com o apoio aéreo da coalizão internacional. Desde 17 de outubro, dezenas de milhares de membros das forças de segurança avançam nas frentes leste, sul e norte.

Unidades paramilitares dominadas por milícias xiitas se somaram ao início de uma ofensiva a partir do oeste para que os extremistas não consigam se movimentar livremente entre Mossul e a fronteira síria. A coalizão internacional anunciou na sexta-feira que as forças iraquianas fariam uma pausa de dois dias para consolidar suas primeiras vitórias territoriais e se reposicionar.  O avanço retomou nesta segunda-feira a partir do front leste, onde as unidades de contra-terrorismo e outras forças federais tentam avançar a partir desta zona e da cidade de Bartalla aos povoados de Bazwaya e Gogjali.

"Se conseguirmos, estaremos a apenas algumas centenas de metros (do leste da aglomeração) de Mossul", declarou o tenente-coronel do CTS, Bartalla Muntadhar al-Shimmari. Segundo ele, apenas "um punhado de civis", principalmente a minoria étnico-religiosa dos Chabaks, ainda povoam estas duas localidades. Ao longe, um avião acabava de executar um ataque contra uma posição de tiro do EI e o comboio do CTS começa a disparar a partir da planície em direção a uma zona industrial ainda controlada por extremistas.

- Reputação duvidosa -
As forças curdas reconquistaram algumas localidades ao norte e a leste de Mossul, o que lhes permitiu consolidar estas posições, enquanto no sul as forças federais sobem pelo vale do Tigre, mas ainda estão distantes das entradas da cidade onde o grupo EI proclamou seu califado em 2014. Combatentes das Unidades de Mobilização Popular (Hashd al Shaabi), uma coalizão de milícias xiitas apoiadas pelo Irã, acabam de lançar uma ofensiva a oeste de Mossul.

Seu objetivo é retomar Tal Afar e cortar a linha de abastecimento extremista que enlaça Mossul com a fronteira síria. Oficialmente, estas forças não participarão da libertação de Mossul, onde a comunidade sunita é majoritária. Alguns de seus comandantes, no entanto, não encaram a situação da mesma forma. Estas milícias de reputação duvidosa foram acusadas de ataques religiosos em zonas sunitas previamente libertadas do jugo extremista, como Fallujah ou Ramadi, a oeste.

- Guerra urbana -
Quando estiverem posicionadas ao redor de Mossul, as forças iraquianas devem iniciar um cerco e tentar abrir corredores para facilitar a evacuação dos habitantes, que os extremistas utilizam como "escudos humanos". Depois deverão travar uma guerra urbana contra entre 3.000 e 5.000 extremistas, segundo as estimativas americanas, entrincheirados na aglomeração que conta com cerca de 1,5 milhão de habitantes, segundo as Nações Unidas.

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Os deslocamentos de civis não são, por enquanto, maciços, mas as organizações humanitárias preveem que se intensificarão quando as forças iraquianas entrarem na aglomeração. Mais de 17 mil pessoas deixaram suas casas nestas duas semanas de ofensiva militar e o Conselho Norueguês para os Refugiados (NRC) afirma que, por enquanto, não restam mais que 55 mil lugares disponíveis nos diversos acampamentos.

Nas localidades retomadas do EI, alguns civis tentam levar uma vida normal após dois anos de dominação extremista, mas a maioria destes setores ainda não são habitáveis. Serão necessários meses em algumas zonas para retirar as minas e reconstruir.

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