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Papa Francisco celebra missa para a minoria católica sueca

O único arcebispo católico da Suécia, Anders Arborelius, está agradecido ao Vaticano por seguir no sentido contrário às reformas opostas à tradição católica

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postado em 01/11/2016 11:55

France Presse

Vicenzo Pinto/AFP

Malmö, Suécia - O papa Francisco celebrou nesta terça-feira uma missa pelo dia de Todos os Santos na Suécia, um país majoritariamente secular cuja comunidade católica é minúscula e onde o casamento entre pessoas do mesmo sexo é permitido até para os pastores. No segundo e último dia de viagem ao país, o pontífice argentino falou em latim e em espanhol aos 15.000 fiéis reunidos no estádio de Malmö, cidade do sul do país com muitos imigrantes. São estas pessoas e os convertidos que garantem o dinamismo da igreja católica na Suécia.

"A mansidão é um modo de ser e de viver que nos aproxima de Jesus e um do outro. Faz com que deixemos de lado tudo aquilo que nos divide e nos afasta, e buscar sempre novos modos para avançar no caminho da unidade", disse o pontífice, que encerrou a visita a Suécia para retornar ao Vaticano. "Um sinal muito eloquente sobre isto é que aqui, no país de vocês, caracterizado pela convivência entre populações muito diferentes, estamos comemorando em conjunto o quinto centenário da Reforma", disse.

Apesar das declarações moderadas do papa sobre a homossexualidade e os direitos das mulheres darem ao papa uma imagem de "moderno", há um abismo entre o Vaticano e os costumes liberais suecos.  Na Suécia, o ministério pastoral está aberto às mulheres desde 1960, os pastores podem casar pessoas do mesmo sexo desde 2009. Os pastores também podem casar com pessoas do mesmo sexo.

Os casais homossexuais têm acesso à reprodução médica assistida, o que deixa muitos católicos chocados. A igreja católica reivindica 113.000 membros (1,1% da população) contra 87.000 em 2000. A instituição às vezes ocupa o espaço de fortaleza da doutrina cristã em um país pouco religioso com alto nível de tolerância, igualdade entre sexos e a promoção dos direitos das minorias sexuais.  Fervoroso defensor da unidade cristã, Francisco participou na segunda-feira do início das comemorações dos 500 anos da Reforma protestante de Lutero, excomungado no século XVI. Na catedral de Lund, sul do país, o pontífice e os representantes mundiais luteranos expressaram o profundo arrependimento a respeito dos massacres e preconceitos provocados pelo cisma entre cristãos há cinco séculos.

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O único arcebispo católico da Suécia, Anders Arborelius, está agradecido ao Vaticano por seguir no sentido contrário às reformas opostas à tradição católica, na vanguarda das quais se encontra o Estado sueco. "O papa vem de outro continente e tem maneiras muito próprias de expressão que podem explicar porque é encarado como um progressista, mais aberto a estilos de vida diversos", explica Arborelius. Apesar disso, "não podemos dizer que tenha modificado de maneira alguma a doutrina da igreja católica sobre a família, os filhos, a homossexualidade ou a ordenação das mulheres".

O pastor Henrik Glamsjö, que acompanhou a cerimônia ao ar livre com sua mulher e os filhos, expressou a irritação de alguns luteranos que, como ele, decidiram pela conversão.  "A igreja da Suécia está controlada pelos políticos. Interferem na liturgia. A igreja católica é a igreja mundial, é a original, a mãe das igrejas", disse o eclesiástico, que não concorda com o casamento entre pessoas do mesmo sexo.  "O matrimônio é um sacramento", disse.  Ingeborg Stenström, uma sueca de origem alemã, manifestou o desejo de mudanças na igreja católica para o avanço dos costumes.  "Precisamos de mulheres sacerdotes", afirmou.

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