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Nem 'branco' nem 'negro': árabes americanos querem acabar com lacuna

Americanos originários do Magrebe ou do Oriente Médio têm uma escolha limitada para se definir durante o recenseamento populacional

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postado em 06/11/2016 11:54

"Branco", "negro" ou "outra raça": os americanos originários do Magrebe ou do Oriente Médio têm uma escolha limitada para se definir durante o recenseamento populacional, mas esta lacuna estatística pode desaparecer em breve. Pela primeira vez em mais de 45 anos, a administração está considerando adicionar ao seu questionário uma categoria reservada aos americanos originários da região "Oriente Médio-Norte da África", que se somaria às categorias "branco", "afro-americano", "asiáticos" e outros.

 

"Esta medida visa melhorar os dados sobre raça e etnia para que possamos oferecer ao nosso país importantes informações sobre a nossa diversidade crescente", explica Rachel Marks, especialista do Census Bureau, a agência federal de estatísticas. O processo entrou na sua fase final, mas divide a comunidade muçulmana americana, que quer se fazer contar para aumentar seu peso político, mas que reluta em se amostrar em meio a uma crescente retórica anti-Islã.

 

Em caso de vitória do candidato Donald Trump à Casa Branca, "tememos que esta designação possa nos fazer mal. Será que devemos fornecer uma ferramenta para alguém que quer proibir os muçulmanos de entrar nos Estados Unidos ou colocá-los sob vigilância?", questiona Osama Jammal, secretário-geral do Conselho americano de Organizações Muçulmanas, que ainda não tomou uma posição oficial sobre o assunto.

 

Dilema

Todos concordam em um ponto: os americanos de origem iraniana, libanesa ou saudita enfrentam um dilema no momento de se definir formalmente. "Somos brancos? Nós certamente não somos negros, mesmo que alguns de nós venham do Norte da África. Trata-se da cor da pele ou região? Este dilema afeta a todos", afirma Jammal.

 

Na França, onde as estatísticas étnicas estão proibidas desde o regime de Vichy, tal questionamento não é relevante. Mas nos Estados Unidos, os dados sobre as origens geográficas ou cor da pele irrigam muitas estatísticas oficiais, permitindo, por exemplo, saber que a taxa de desemprego entre os negros é o dobro dos brancos.

 

O censo, realizado a cada dez anos nos Estados Unidos, questiona claramente: "Qual é a raça da pessoa", propondo assinalar uma ou mais opções dentre 15. No final dos anos 1990, as associações começaram a pressionar para que as pessoas originárias do Oriente Médio fossem oficialmente registradas. Mas os ataques de 11 de Setembro e o medo de que tal ferramenta fosse usada contra os muçulmanos fizeram adormecer o projeto.

 

Uma polêmica também havia eclodido em 2004, quando o Census Bureau tinha fornecido às autoridades informações sobre a localização de americanos que indicaram durante o censo de 2000 ter "antepassados" do Oriente Médio. "Isso criou um enorme furor na comunidade muçulmana, porque eles pressentiram que isso seria utilizado para monitoramento, e esse provavelmente era o objetivo", explica Matthew Snipp, professor de ciências humanas na Universidade de Stanford.

 

Memórias 

Este episódio trouxe a tona memórias escuras e distantes, quando o Census Bureau tinha sido acusado de ajudar a identificar os americanos de origem japonesa colocados em campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial. Estes receios de instrumentalização, no entanto, não impediu que o assunto voltasse à mesa do Census Bureau, que iniciou oficialmente a sua deliberação em 2014 depois de um novo lobby associativo.

 

"Esta é uma preocupação legítima, mas não devemos responder vivendo nas sombras ou escondendo a nossa origem", disse à AFP Jamal Abdi do Conselho Nacional Iraniano-americano, que vê no censo uma forma de se fazer ouvir politicamente. Em uma área em que há uma concentração de pessoas de origem árabe, o Estado poderia, portanto, ser encorajado a oferecer serviços em árabe, como o já o faz muitas vezes em espanhol.

 

"Isso vai ajudar as autoridades a fornecer o melhor serviço possível, tendo em conta a grande diversidade de sua população", afirma Corey Saylor, do Conselho de Relações Americano-Islâmicas. A questão deverá ser decidida politicamente. Se o Census Bureau for adiante, a nova categoria será exibida no próximo censo, em 2020, com a aprovação do Congresso.

 

Por France Presse  

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