Saiba como a infância de Hillary e Trump afetam suas políticas

Candidatos tem perfis diferentes, que se revelam desde a mais tenra idade

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postado em 06/11/2016 11:58 / atualizado em 06/11/2016 12:07

RICK WILKING

A casa de tijolos de dois andares onde Hillary Clinton cresceu permanece de pé em uma esquina do subúrbio Park Ridge de Chicago.

Nas proximidades, uma placa informa sobre a "Rodham Corner" (Esquina Rodham) - um reconhecimento histórico desta região situada perto do aeroporto O'Hare da cidade.

 

Foi um lugar que impactou e moldou uma jovem Hillary Rodham - antes que ela partisse para a faculdade, se casasse com Bill Clinton e se tornasse a candidata presidencial do Partido Democrata em 2016. "Minha infância na década de 1950 e a política dos anos 1960 despertaram meu senso de obrigação para com meu país e meu compromisso com o serviço público", escreveu Hillary em seu livro de memórias de 2003, Vivendo a História.

 

Durante este período posterior à Segunda Guerra Mundial, Park Ridge - um subúrbio majoritariamente branco, republicano e conservador - era o centro de seu mundo. "Meus pais se sentiam confortáveis em Park Ridge entre todos os outros veteranos que escolheram aquele local por suas excelentes escolas públicas, parques, ruas arborizadas, calçadas amplas e residências confortáveis", escreveu a candidata.

 

Quando criança, foi exposta tanto às crenças republicanas tradicionais quanto aos pontos de vista diferentes que chegavam de fora - especialmente o movimento pelos direitos civis. "Minha lembrança favorita é caminhar para casa da escola com Hillary, e as muitas oportunidades que tivemos de conversar", afirmou Ernest Ricketts, que estudou do jardim de infância ao ensino médio com a ex-secretária de Estado.

 

"Ela sempre estava muito interessada nos eventos atuais. Era interessada em história", afirma. Os opositores de Hillary muitas vezes criticam sua consistência nos assuntos, afirmando que ela é uma "camaleoa" que muda suas crenças se baseando nos ventos políticos. Mas sua infância em Park Ridge oferece uma pista para a visão de mundo de Hillary, que evoluiu através de discussões e debates com aqueles de ambos os lados do espectro ideológico.

 

Pais de Hillary

O pai de Hillary, Hugh Rodham, era um republicano firme. Proprietário de um negócio de cortinas e filho de uma família da classe trabalhadora, ele acreditava em responsabilidade individual e trabalho duro. A mãe de Hillary, Dorothy Rodham, era democrata. Abandonada por seus pais quando era criança e forçada a começar a trabalhar aos 14 anos, Dorothy instigou em sua filha empatia por pessoas envolvidas em circunstâncias fora de seu controle.

 

Na mesa de jantar, os pais de Hillary discutiam todas essas questões, e sua jovem filha muitas vezes permanecia politicamente no centro. "Cresci entre o impulso e o puxão dos valores dos meus pais, e minhas próprias convicções políticas refletem ambos", escreveu Hillary em suas memórias. Ela admirava o senso de "individualismo robusto" de seu pai, declarou ao The Washington Post em 2007, durante sua primeira corrida pela presidência - uma batalha que perdeu para Barack Obama. "Mas isso não me explicou o suficiente sobre o mundo, ou sobre o mundo como eu gostaria que fosse", disse.

 

Mãe, uma 'grande influência' 

A mãe de Hillary era uma leitora voraz e encorajou a mesma curiosidade intelectual em sua filha. "A mãe de Hillary foi uma grande influência", declarou uma amiga de infância da candidata, Judy Osgood. "Sua mãe estava sempre lá e se interessava no que estávamos fazendo", afirmou.

 

Os pais de Hillary incentivaram sua filha a pensar além do caminho estreito que se esperava que as mulheres jovens de seu tempo seguissem. Ela foi encorajada a buscar seus interesses intelectuais, assim como a praticar esportes - uma atividade dominada pelos meninos. O passado difícil de sua mãe inspirou o trabalho de Hillary como política.

 

"Aprender sobre a infância da minha mãe despertou minha forte convicção de que toda criança merece uma chance de viver de acordo com seu potencial dado por Deus", disse Hillary em suas memórias. Outra grande influência foi seu ministro da infância, Don Jones, que expôs Hillary às questões sociais da época - levando-a, junto com o grupo de jovens da igreja, em 1962 para ouvir o líder dos direitos civis Martin Luther King Jr. em Chicago.

 

"Ele nos deu uma visão de mundo que não tínhamos antes", disse Ricketts sobre os esforços de Jones para expor as crianças da classe média de Park Ridge aos problemas do mundo. Hillary permaneceu em contato com Jones até sua morte, em 2009, e o considerava uma grande influência. Ela ainda mantém contato com vários de seus amigos de infância de Park Ridge.

 

"Ela é a mesma pessoa, especialmente com todos os seus amigos de ensino médio", disse Mike Andrews, que frequentou a Maine South High School com Hillary. No entanto, o impacto de décadas sob os olhos do público e as diversas controvérsias que a cercam, incluindo o renovado interesse do FBI em seu uso de um servidor privado de e-mails enquanto era secretária de Estado - abalaram sua imagem, mesmo na cidade onde cresceu.

 

No início deste ano, em sua primeira visita a Park Ridge em mais de uma década, Hillary atraiu centenas de simpatizantes, mas também alguns manifestantes. "Tradicionalmente, esta foi uma cidade republicana, e há pessoas aqui que são republicanos duros", disse Teresa Nuccio, moradora de longa data da região ao Chicago Tribune na época. "Ser de Park Ridge não significa necessariamente que todos irão apoiá-lo", ressaltou.

 

 

  • Trump, de criança agitada a macho alfa forjado numa escola militar

 

 

Uma bela mansão com colunas vitorianas, em uma colina com grandes carvalhos em um bairro próspero de Nova York: foi neste lugar onde cresceu Donald Trump, turbulento e imprevisível quando criança, mas filho de um pai muito rigoroso que resolveu colocá-lo nos trilhos.

 

O candidato republicano, que desafia as probabilidades disputando acirradamente a eleição com Hillary Clinton, nasceu em 14 de junho de 1946, no bairro que na época era muito "branco" de Jamaica Estates, no distrito do Queens, a uma hora da 5th Avenue, onde reina hoje a Trump Tower, penúltimo de uma família de cinco filhos típica do pós-guerra.

 

Sua mãe, nascida Mary McLeod, recém-chegada da Escócia. Seu pai, Fred Trump, encarna o sonho americano: nascido em Nova York de um pai que veio da Alemanha em um barco a vapor, empreendedor imobiliário, ele "trabalhou duro" e "contribuiu para desenvolver o bairro" de Jamaica Estates construindo muitas casas.

 

Ele teve sucesso, porque a família Trump era "a única no bairro a ter motoristas", lembra à AFP um dos poucos vizinhos que os conheceu, que pediu para ser identificado apenas pelo seu primeiro nome George.

 

Este que se apresenta como o candidato "anti-establishment" iniciou a vida em meio ao conforto, chegando aos quatro anos nesta casa que tinha 23 cômodos, e com um motorista para levá-lo à escola privada de Kew Forest, no bairro vizinho de Forest Hills. 


Gosto pela competição

 

Mas o jovem "Donny" já tinha um lado agressivo e imprevisível muito conhecido hoje por seus adversários. Uma anedota famosa conta que ele deixou seu professor de música com o olho roxo.

 

Suas iniciais, "DT", tornaram-se sinônimo de castigo, de acordo com seus colegas da época, citados na biografia "Trump Revealed" de jornalistas do Washington Post.

 

O turbulento Donald era, contudo, acompanhado de perto por um pai rigoroso, o que pode explicar as muitas vezes que ele disse: "não foi fácil para mim".

 

Fred Trump iniciou Donald na carreira imobiliária levando-o em suas turnês. E infundiu nele o gosto pela competição que nunca o deixou, tendo prazer em "terminar seus canteiros antes de seus concorrentes", a alugar seus edifícios em primeiro e a "comprar qualquer imóvel dos seus concorrentes em falência", segundo recordou Trump já adulto.

 

Mary Trump, ao contrário, amava as coisas mundanas e grandiosas. Trump passou horas em junho de 1953 a observar com ela a coroação de Elizabeth II, que a fascinava. Foi dela, segundo o próprio, de quem herdou "o senso de encenação" que fez sucesso em seu programa de reality show "The Apprentice", antes de atrair as multidões em seus comícios de campanha.


'Don Juan'

 

Na aurora da adolescência, Donald saiu dos trilhos e fazia viagens secretas para Manhattan. Quando seu pai - que preferia se limitar ao Queens e Brooklyn para os negócios - descobriu, seu veredicto foi claro: aos 13 anos, Donald foi expulso do casulo da família e enviado para um internato na escola militar de Cornwall, no norte do estado de Nova York, perto da academia militar de West Point.

 

Mais tarde, Donald Trump admitiu que seu pai queria "colocá-lo de volta no caminho certo". Ele ficou cinco anos no internato e prosperou neste ambiente muito masculino, hierárquico, onde o machismo muito criticado por seus oponentes era parte da cultura.

 

Ele diz que lá aprendeu a canalizar a sua "agressividade": venceu suas primeiras disputas de liderança e se destacou nos esportes, especialmente o beisebol. Saiu do colégio com a patente de capitão de cadetes e a distinção menos formal de "Don Juan" da classe, depois de ter levado para o campus várias meninas bonitas.

 

Um de seus amigos contou ao site Business Insider que durante a parada anual do colégio na 5th Avenue, por ocasião do Columbus Day, Donald Trump teria dito a um superior: "Vou comprar propriedades aqui um dia". E foi graças a um empréstimo de seu pai que Donald Trump finalmente se lançou no setor imobiliário. E depois de ter conquistado um diploma na prestigiosa escola de negócios Wharton, construiu um império se impondo em Manhattan, onde seu pai sempre se recusou a pisar. 

 

Por France Presse  

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