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McMullin, o conservador anti-Trump que sacode a eleição americana em Utah

Nascido em Provo, reduto mórmon, McMullin viajou como missionário ao Brasil depois de sua adolescência e trabalhou no programa de refugiados da ONU na Jordânia

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postado em 06/11/2016 12:18

 
GEORGE FREY
Sério, discreto e educado, Evan McMullin é exatamente o oposto de Donald Trump. Este mórmon de 40 anos, ex-agente da CIA, saiu das sombras para desafiar o hipermidiático candidato presidencial em Utah, um tradicional reduto republicano. "Sou o verdadeiro conservador desta eleição", afirma o candidato, que foi missionário no Brasil durante a juventude e que era um desconhecido até entrar na disputa pela presidência em agosto como independente.

A poucos dias da eleição, McMullin se aproxima do magnata do setor imobiliário nas pesquisas neste estado do oeste americano, onde 60% da população se declara mórmon e que vota no Partido Republicano há várias décadas. Se McMullin vencer, este será o primeiro triunfo em mais de 50 anos de um independente em um estado nas eleições presidenciais dos Estados Unidos.

Para tentar escrever o seu nome nos livros de história, ele percorre todos os cantos de Utah, com participações em almoços beneficentes, encontros com latinos para responder suas dúvidas ou apenas aceitando os pedidos de fotos dos simpatizantes. De olhos azuis, cabeça raspada e sempre bem vestido, o jovem político se apresenta como a opção que pode salvar os Estados Unidos dos "candidatos corruptos e arrivistas": a democrata Hillary Clinton e o republicano Trump.

Contra o muro

"Não deixemos que este estado vá para Donald Trump. Temos que ser firmes em nossos princípios, pela liberdade, pela igualdade de todas as raças e religiões", afirmou em uma palestra a estudantes na Universidade de Salt Lake City, capital de Utah.... e dos mórmons. A mensagem atingiu o alvo. As acusações de agressões sexuais contra Trump foram um tapa na cara para esta comunidade puritana.
Entre os mórmons, por muito tempo perseguidos e defensores da liberdade religiosa, os comentários de Trump sobre os muçulmanos também foram mal recebidos. Além disso, esta comunidade é mais aberta que outras religiões cristãs ao tema imigração, já que os mórmons têm uma forte presença na América do Sul.

"Você também vai construir um muro na fronteira mexicana?", perguntou em espanhol uma mulher angustiada em uma reunião em uma escola do ensino médio - referência a uma das promessas de campanha de Trump. "Temos que proteger a fronteira, especialistas recomendam o muro em alguns pontos, sensores em outros. Mas não penso que o México pagará por isto", respondeu, entre sorrisos.

"Sou contra deportar 11 milhões de pessoas sem documentos para não prejudicar as famílias e nossa economia", completou, entre aplausos, em uma opinião contrária a outra das promessas do bilionário. Apesar do aspecto recatado, McMullin não é tão convencional. Ele é solteiro e não tem filhos, em uma idade na qual alguns de seus correligionários já são avôs. E sua mãe casou novamente, mas com uma mulher.

E em caso de um eventual empate

Nascido em Provo, reduto mórmon, McMullin viajou como missionário ao Brasil depois de sua adolescência e trabalhou no programa de refugiados da ONU na Jordânia, antes de passar 11 anos na CIA, a agência de inteligência americana. Depois de trabalhar por dois anos no banco Goldman Sachs, se tornou assessor de Assuntos Exteriores da Câmara de Representantes. Também foi um dos diretores da House Republican Conference, uma instituição do Partido Republicano.

Mas saiu do partido depois que Trump obteve a candidatura republicana à presidência. Um grupo de republicanos em divergência com o magnata lançou o nome de McMullin na disputa eleitoral. Em caso de empate na eleição de 8 de novembro, ele poderia privar tanto Trump como Clinton dos seis representantes de Utah no colégio eleitoral e impedir que alcancem os 270 necessários para receber as chaves da Casa Branca. De acordo com a 12º emenda da Constituição, em caso de empate o Congresso escolhe o presidente.

Consciente do perigo, Trump apontou a bateria contra "este personagem indo de café em café" que provoca estragos em sua campanha em Utah. "Nunca ouviu falar de mim porque enquanto você assediava mulheres em concursos de beleza, eu enfrentava terroristas no exterior", respondeu no Twitter.

Ameaças de morte

McMullin disse que recebeu ameaças de morte de partidários xenófobos de Donald Trump. Lou Dobbs, apresentador do canal FOX, o chamou "marionete da máfia mórmon e de (Mitt) Romney", candidato republicano em 2012 e influente mórmon, um opositor ferrenho de Trump. Oficialmente o ex-candidato não apoia McMullin, mas sua candidata a vice, Mindy Finn, trabalhou com Romney em 2012.

A chapa conseguiu arrecadar um milhão de dólares, essencialmente de pequenos doadores, nenhum grande. Depois da eleição da próxima terça-feira McMullin pensa em lançar um "movimento para a nova geração de conservadores", sem explicar se pretende fazer isto dentro do "Grand Old Party" ou de maneira solitária.
 
Por France Presse  

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