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Crônicas de bordo: as últimas horas de Hillary Clinton

"Tenho muito trabalho para unificar o país. Realmente quero ser a presidente de todos, das pessoas que votaram em mim e das pessoas que votaram contra mim", disse a democrata

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postado em 07/11/2016 22:42

Justin Sullivan/Getty Images/AFP
 
 
A democrata Hillary Clinton, de 69, arrancou com tom positivo e cheio de esperança seu último dia de campanha à presidência dos EUA, que levaria a percorrer pelo menos 3.300 km no país nesta segunda-feira (7/11).

"Tenho muito trabalho para unificar o país. Realmente quero ser a presidente de todos, das pessoas que votaram em mim e das pessoas que votaram contra mim", disse ela à imprensa no aeroporto de Westchester, não muito longe de sua casa em Chappaqua, perto de Nova York.


Como manda a tradição entre os candidatos à Casa Branca, antes de embarcar, Hillary Clinton tirou uma foto com os jornalistas que a acompanham nessa reta final.

Ao fundo, o Boeing 737 decorado com um gigantesco "H" e o lema "Stronger Together" (Mais fortes juntos), que, nesses últimos meses, transformou-se praticamente em sua segunda casa.

Antes de partir, porém, ela lançou mais uma crítica a seu oponente republicano, Donald Trump: é o responsável por ter "exacerbado" as divisões nos Estados Unidos.

"Reunificaremos o país", prometeu, mais uma vez.

Comício à meia-noite

Nesta segunda, a democrata visita quatro cidades do nordeste do país, em uma acirrada reta final, como revelam as pesquisas.

Primeiramente, Pittsburgh, bastião dos democratas na Pensilvânia. Depois, Grand Rapids, em Michigan, onde Trump se tornou uma ameaça real. Em seguida, desloca-se para a Filadélfia, onde acontece um dos mais importantes comícios de sua campanha, junto com Barack e Michelle Obama, assim como seu marido, Bill.

A longa jornada termina à meia-noite em Raleigh, na Carolina do Norte, antes de voltar para Nova York.

"Trabalharemos até que se tenha contado o último voto", insistiu no aeroporto de Westchester.

Grandes estrelas da música acompanharão a democrata nesse último dia. Bruce Springsteen estará, por exemplo, no comício em Pittsburgh.
 
 
Lady Gaga também se unirá a Hillary e a Job Bon Jovi na Carolina do Norte. Além deles, Beyoncé e seu marido, o famoso rapper Jay Z, já deram seu apoio à ex-secretária de Estado ao longo da campanha e prometem estar com ela até o último minuto.

Nessas intensas horas de viagens, reuniões, comícios e encontros com eleitores, segue lotado o Boeing 737 da candidata democrata. Hillary sempre se coloca na parte dianteira de seu círculo mais próximo, composto entre outros nomes por sua confidente Cheryl Mills e por Philippe Reines, o homem que interpretou Trump na preparação para os debates. Ninguém a vê, já que uma cortina a protege.

Seus assessores se acomodam atrás, na cabine ocupada pela imprensa. A chefe de sua equipe de Comunicação, Jennifer Palmieri, é a primeira a celebrar, em pleno voo, o esclarecimento do diretor do FBI de que não apresentará acusações formais contra a ex-secretária pelo caso dos e-mails. Uma boa notícia.

Decoração

Nas últimas 72 horas, colaboradores, pessoal de segurança e repórteres percorreram o país de ponta a ponta, transitando por todo tipo de clima, paisagem e símbolos dos EUA: das torres da Filadélfia, às pontes de aço de Pittsburgh, passando pelas palmeiras de Miami e pelo estádio de futebol americano de Cleveland.
  
Como sua audiência não pode se comparar às massas mobilizadas pelo republicano Donald Trump, sua equipe se encarrega de cuidar até do último detalhe da decoração dos comícios para criar eventos telegênicos.

Enquanto o magnata sabe improvisar como ninguém em comícios em centros esportivos com capacidade para 10.000 pessoas, ou em hangares de aeroportos, Hillary se move melhor em espaços menores, como o evento realizado para cerca de 4.000 simpatizantes, na última sexta (4/11), em Detroit.

"Tenho medo das represálias dos partidários de Trump. São ignorantes, não sabem como funciona a política", diz a atriz Tina Gloss, de 47, angustiada, durante o ato em Detroit.

Debaixo da chuva de Miami, Rol Sears também não escondeu seu nervosismo, mas prefere não entrar em pânico.

"Se Trump ganhar, o que eu posso fazer? Não vou me desesperar", afirmou.

Fortaleza

Sempre que entra em um café, a candidata democrata repete a mesma coisa, como um mantra: "preciso de suas orações", "vão votar, preciso de vocês".

Depois de analisar e criticar, por semanas, o passado e o caráter de seu adversário republicano, a ex-secretária de Estado preferiu ser positiva no encerramento daquela que pode ser a última campanha eleitoral de sua vida.

No domingo, ela fez um paralelismo entre as ideias dos Pais Fundadores e os mandamentos de Cristo em uma igreja de fiéis da comunidade negra na Filadélfia.

Depois, em Manchester (New Hampshire, nordeste), retomou o tom patriótico de seu discurso de posse celebrado em julho.

"Nosso país enfrenta um momento decisivo", ressaltou.

"Devem votar, não contem com a sorte, não contem com os demais, usem sua voz e seu voto!", exclamou, colocando-se como protetora da Constituição.

"Viram os três debates?" - pergunta ao público.

"Passei quatro horas e meia ao lado de Donald Trump demonstrando mais de uma vez que tenho a força para ser presidente"!
 
Por France-Presse 

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