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Trump vota em território hostil: sua Nova York natal

Aos gritos de "Nova York te odeia!", repetidos por eleitores e pedestres, Trump desceu de sua limusine em um dia ensolarado para votar na seção na sofisticada Midtown Manhattan

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postado em 08/11/2016 21:17

O candidato republicano à Casa Branca, Donald Trump, votou sob vaias nesta terça-feira, perto de sua residência, em Nova York, um reduto democrata - uma visão incomum que ressalta os tensos laços do bilionário com a cidade-ilha onde ele fez fortuna.

Aos gritos de "Nova York te odeia!", repetidos por eleitores e pedestres, Trump desceu de sua limusine em um dia ensolarado para votar na seção na sofisticada Midtown Manhattan.

Alguns, inclusive meia dúzia de operários que trabalhavam na rua e usavam capacetes com adesivos de campanha de Trump, o aplaudiram, mas foram menos expressivos.

Mais cedo, duas mulheres não identificadas com os seios nus foram retiradas da mesma seção, aos gritos de "fora da nossa seção, Trump!".

 

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A tensa recepção ocorreu apesar das sólidas credenciais do bilionário na cidade: nascido no bairro do Queens, seu pai já era um bem sucedido investidor imobiliário. Ele construiu fama e fortuna na cidade e seu nome estampa os enormes letreiros de mais de uma dúzia de arranha-céus em Manhattan.

Foi também em Nova York que ele gravou "The Apprentice" (O Aprendiz), um popular 'reality talent' que começou em 2004 e foi importante para estabelecer a marca Trump na qual baseou sua aposta presidencial.

Ele sempre esteve ligado à cena social da metrópole, em jantares e na imprensa dedicada à vida das celebridades, que acompanhou a série de escândalos relacionados a seus casamentos e infidelidades conjugais.

Mas apesar de ter vínculos mais fortes com Nova York do que a adversária democrata, Hillary Clinton - que chegou ao estado de Nova York após ter sido primeira-dama na Casa Branca - sua campanha e retórica cáusticas, especialmente contra os imigrantes, são vistas aqui como um insulto à diversidade que a cidade representa.

"A América não é apenas um país. A América precisa ser representada por alguém que seja consciente de sua diversidade e caráter inclusivo", disse a enfermeira Erica Herreros.

Ela votou em Hillary Clinton no Queens, um bairro muito diverso que era predominantemente branco quando Trump morou ali, nos anos 1950.

Após votar no Harlem, Aaron Kliner disse que "a divisibilidade que Trump tem vomitado não é o que somos como povo".

'Êxodo em massa'


Portanto, não parece uma surpresa que tantos eleitores em Manhattan, um reduto democrata, tenham usado adjetivos particularmente nada lisonjeiros para descrever um homem que alega representar aqueles que se sentem desrespeitados pelos políticos americanos.

"Fascista", "perigoso" e "estúpido" são apenas alguns dos termos que os eleitores de Nova York na sofisticada Upper East Side usaram para descrevê-lo.

"Acreditem em mim, como nova-iorquino, sei tudo sobre Trump. Eu não quero vê-lo na Casa Branca", disse o empresário Pat Crow.

A hostilidade de Nova York com relação a Trump também tem outras origens.

Grandes fortunas abundam na cidade, mas elas também são acompanhadas de grande filantropia, caridade e ajuda às artes - como visto no caso da família Rockefeller e do ex-prefeito Michael Bloomberg.

Mas Trump, que nunca teve um cargo eletivo, não é generoso em ações de caridade, o que lhe rende olhares de desaprovação e o status de "persona non grata" em meio à alta sociedade nova-iorquina.

Embora exista uma Fundação Donald J. Trump, o procurador-geral de Nova York determinou a suspensão de seu financiamento depois que se descobriu que ele solicitou doações sem as adequadas autorizações previstas na lei estadual.

O jornal Washington Post também reportou que ele às vezes usou recursos de caridade para adquirir retratos de si mesmo, financiar ações na justiça para defender seus negócios e dar presentes políticos.

Se os nova-iorquinos vão sentir uma ligação mais forte com Trump se ele chegar à Casa Branca?

"Eu não me surpreenderia se houvesse um êxodo em massa", disse Charmaine Smith, um eleitor afro-americano no Harlem. E para aqueles que não podem deixar o país, ele lembra: "você só precisa aguardar quatro anos".

 

Por France Presse 

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