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Trump deve frear avanços na luta contra mudanças climáticas

Caso a perda de liderança dos EUA se confirme, isso causará um efeito nos países em desenvolvimento

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postado em 10/11/2016 11:41

AFP / Timothy A. CLARY


O novo presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, deve frear a luta contra as mudanças climáticas. A postura não deve afetar tanto a indústria ou a tecnologia, mas a cooperação política e internacional perderia um grande impulsionador com um potencial efeito dominó sobre as economias emergentes. É com essa preocupação que cientistas e ativistas veem a eleição do magnata. A informação é da Agência Ansa.

"Difícil prever o que ele fará de verdade. Mas, uma coisa é certa: não é de se esperar uma ação convicta como aquela de Barack Obama", afirma à Ansa Carlo Carraro, vice-presidente do grupo de trabalho do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), órgão ligado à Organização das Nações Unidas (ONU).

Caso a perda de liderança dos EUA se confirme, isso causará um efeito nos países em desenvolvimento.

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Para um dos membros do IPCC, Thomas Stocker, "seria crítica" uma postura de menos empenho norte-americano sobre o tema. Ele lembra que o plano para o desenvolvimento da infraestrutura, apresentado durante a campanha eleitoral, vai andar na "direção errada", privilegiando fontes fósseis de energia ou "reduzindo as metas ambientais nas atividades de fracking (método que possibilita a extração de combustíveis líquidos) e perfuração no Ártico".

Nas posições de Trump e de seus apoiadores, cita o climatologista Sandro Fuzzi, do Instituto de Ciências da Atmosfera e do Clima (CNR) da Itália, "há uma subestimação do problema ambiental". Por diversas vezes na campanha, o nova-iorquino disse que as "mudanças climáticas" eram um problema "inventado" pelos chineses para frear a economia dos Estados Unidos.

Porém, os EUA não poderão sair facilmente do acordo sobre o clima assinado pelo presidente Obama durante a Conferência do Clima de Paris, a COP21, como lembrou a presidente do evento e ministra do Meio Ambiente da França, Ségolène Royal.

O líder da organização não governamental (ONG) italiana Kyoto Club lembra que o documento assinado em Paris "não prevê sanções" para os países que não cumprirem as metas. Com isso, Trump pode não respeitar "esse empenho" mundial e, simplesmente, não atingi-lo.

Entre os principais pontos do Acordo de Paris está o compromisso de manter o aumento da temperatura global abaixo dos 2ºC em relação aos níveis pré-industriais e fazer esforços para limitar esse crescimento a 1,5ºC. Além disso, os signatários assumiram o compromisso de evitar o lançamento de gases que causem o efeito estufa, e os países mais ricos devem ajudar a financiar o combate às mudanças nas nações em desenvolvimento.

O diretor do Instituto de Pesquisa do Impacto Climático Postdam, Hans Joachim Schellnhuber, é mais pessimista. "O mundo agora deve andar sem os Estados Unidos na estrada para a diminuição dos riscos climáticos e da inovação nas energias limpas", concluiu.

 

 Por Agência Estado

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