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Obama inicia viagem de despedida a uma Europa preocupada com efeito Trump

Nem o governo, nem os grandes partidos, nem a imprensa previram a vitória de Trump, um novato na política

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postado em 13/11/2016 12:26 / atualizado em 13/11/2016 12:52

O presidente americano, Barack Obama, inicia nesta segunda-feira seu último giro pela Europa, onde tentará acalmar os aliados dos Estados Unidos, após a eleição de Donald Trump como chefe de Estado.

Após denunciar energicamente, durante a campanha eleitoral, o risco de uma presidência de Trump, Obama terá, agora, que reduzir a preocupação de seus colegas europeus envolvendo o futuro da democracia americana, visando a uma transição tranquila.

"O objetivo da viagem é tranquilizar todos explicando que os Estados Unidos tiveram uma campanha eleitoral difícil, mas que isso já passou. Só que, agora, temos apenas um cenário diferente", resumiu Heather Conley, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.

Nem o governo, nem os grandes partidos, nem a imprensa previram a vitória de Trump, um novato na política. O magnata do ramo imobiliário e populista preocupou a Europa durante sua campanha, em que questionou velhas alianças, como a Otan, o acordo mundial de Paris sobre as mudanças climáticas e o acordo nuclear com o Irã, fechado após longas e difíceis negociações.

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Também causaram preocupação os elogios de Trump ao presidente russo, Vladimir Putin.

Entre as dúvidas que a futura política externa dos Estados Unidos gera, muitos países europeus se perguntam que impacto terá em sua região a vitória do multimilionário, de 70 anos.

"Estão muito preocupados, porque essas mesmas forças populistas e nacionalistas, seja pela imigração ou pelo livre-comércio, são, também, expressões políticas muito fortes na Europa", assinalou Heather, citando a proximidade de vários processos eleitorais, como as eleições presidenciais francesas, que acontecerão em 2017.

Em sua primeira escala, na Grécia, terça-feira, Obama se reunirá com o presidente Prokopis Pavlopoulos e o premier Alexis Tsipras, diante de quem reconhecerá "a generosidade extraordinária do governo e do povo gregos" diante da crise dos refugiados e migrantes.

As raízes do populismo

Em um dia carregado de simbolismo, Obama visitará na quarta-feira o Partenon de Atenas e fará um discurso sobre os desafios da globalização.

Sua equipe antecipou que, levando em conta o resultado das eleições americanas e do voto britânico a favor do Brexit, fará uma reflexão sobre os motivos por que tantas pessoas "têm a sensação de não terem sido beneficiadas" pelo avanço de seus países.

No fim de setembro, na ONU, quando era vista como pouco provável uma vitória de Trump, Obama pediu que se levasse em conta a frustração da qual se alimenta o populismo, e que não se sucumba a um "capitalismo sem alma".

"O mundo está, em muitos sentidos, menos violento e mais próspero do que nunca. No entanto, nossas sociedades estão marcadas pela incerteza, o mal-estar e o confronto", assinalou. "É um paradoxo que define o nosso mundo."

Também destacou que um mundo em que 1% da humanidade concentra tanta riqueza quanto os 99% restantes "jamais será estável".

Em sua sexta visita à Alemanha como presidente, Obama irá se reunir com a chanceler Angela Markel, sua "parceira mais próxima ao longo de seus mandatos", assinalou Ben Rhodes, assessor de Segurança Nacional.

Após os comícios, a governante alemã lembrou a Trump os critérios que guiam a cooperação entre os dois países: "democracia, liberdade, respeito aos direitos humanos e dignidade do homem, independentemente de sua cor de pele, religião, sexo, orientação sexual ou posição política".

Obama também aproveitará a viagem para se reencontrar com o presidente da França, François Hollande, a premier britânica, Theresa May, e o italiano Matteo Renzi.

O presidente americano concluirá a viagem com uma escala no Peru, onde participará do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec).


 Por France Presse

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