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Vitória de Trump deve reforçar a agenda de partidos da direita na Europa

Legendas ultraconservadores esperam aumentar a base de apoio e o protagonismo no cenário político

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postado em 21/11/2016 06:00 / atualizado em 21/11/2016 00:13

Rodrigo Craveiro

AFP / DON EMMERT

Durante a corrida eleitoral, ele prometeu construir um muro para impedir que imigrantes latinos chegassem aos Estados Unidos; anunciou que baniria a entrada de muçulmanos no país; e avisou que deportaria os 11,5 milhões de estrangeiros ilegais para suas nações de origem. As propostas de campanha de Donald Trump pareciam um sonho para os partidos da extrema-direita na Europa, ávidos por um lugar ao sol e por impor suas próprias agendas. A vitória inesperada do magnata do Partido Republicano não poderia ter ocorrido em melhor hora: no próximo ano, França, Alemanha, Holanda e Áustria realizam eleições cruciais para as pretensões dos ultraconservadores.

As lideranças das legendas que compartilham políticas de anti-imigração e islamofóbicas rasgaram elogios ao presidente eleito dos Estados Unidos. A francesa Marine Le Pen, da Frente Nacional (FN); o holandês Geert Wilders, do Partido para a Liberdade (PVV); e a alemã Frauke Petry, da Alternativa para a Alemanha (AfD), veem a conjuntura americana favorável para replicarem os seus valores e ganharem popularidade. Diretor do Departamento de Ciência Política da Universidade de Salzburgo (Áustria), Reinhard Heinisch admite que a vitória de Trump representa um impulso para esses partidos. “O republicano, suas mensagens e seu eleitorado se assemelham ao populismo de extrema direita da Europa. Os temas comuns são identidade, imigração, globalização e as elites que roubaram o país do povo”, explicou ao Correio.

Segundo Heinisch, as facções ultraconservadoras europeias têm apresentado um crescimento mesmo antes da eleição do norte-americano. “Na Alemanha, a AfD vem ganhando espaço. A nação terá um pleito nacional em 2017, e a popularidade de Merkel tem despencado. Na França, Marine Le Pen provavelmente se sairá bem na votação para presidente. Polônia e Hungria já são governadas por partidos nacionalistas de extrema direita. Na Áustria, o Partido Liberdade lidera as pesquisas, com 33% de preferência, por mais de dois anos, e está à frente dos dois principais partidos. Em meu país, entre os assuntos prementes, estão a imigração, os refugiados, a economia anêmica e o livre comércio.”

Heinisch prevê que, na França, a FN se aprofundará no espectro dos candidatos. Ele acredita que o ex-presidente Nicolas Sarkozy, candidato pelo partido Os Republicanos, penderá para a direita, a fim de competir com Marine Le Pen. Assim como nos EUA, o analista aposta em uma campanha “desagradável”. “A Europa será alvo para a extrema direita, que tem recebido apoio da Rússia. Na Alemanha, a AfD entrará na Bundestag (parlamento) e ganhará status de partido médio, captando eleitores da União Democrata Cristã (CDU) e, ironicamente, da extrema esquerda.”

Rejeição

De acordo com o holandês Cas Mudde, professor da Faculdade de Assuntos Públicos e Internacionais da Universidade da Geórgia (EUA), a vitória de Trump cria a impressão sobre a existência de um zeitgeist (“sinal dos tempos”, em alemão) populista e que a política “normal” tem sido rejeitada pela “maioria silenciosa”. “Os partidos de direita radicais da Europa usarão essa impressão para argumentar que formam o partido moderno real. Também adotarão o triunfo de Trump para questionar as pesquisas em seu país, ao argumentarem que o apoio recebido tem sido subestimado e que são uma alternativa política viável”, comenta. A ruptura com o establishment de Washington teria sido uma das razões para a chegada do magnata à Casa Branca.

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