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Rebeldes perdem controle do nordeste de Aleppo frente avanço do governo

"São os piores dias desde o início do cerco. A situação é catastrófica. Há um êxodo em massa e o ânimo está no chão", disse Ibrahim Abu Laith, porta-voz dos Capacetes Brancos, o serviço de socorristas na zona rebelde de Aleppo.

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postado em 28/11/2016 15:52


Alepo, Síria
- O exército sírio retomou nesta segunda-feira o controle dos bairros do nordeste de Aleppo e avança para, o que parece, uma vitória total em uma das batalhas mais importantes e simbólicas da guerra civil na Síria.

Milhares de civis fugiam dos bombardeios e dos combates nas ruas, e procuravam refúgio em áreas mais seguras, após terem resistido durante quatro meses ao cerco imposto pelo governo.

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"São os piores dias desde o início do cerco. A situação é catastrófica. Há um êxodo em massa e o ânimo está no chão", disse Ibrahim Abu Laith, porta-voz dos Capacetes Brancos, o serviço de socorristas na zona rebelde de Aleppo.

"Não há comida, nem água, nem abrigo, nem meios de transporte (...) As pessoas dormem na rua", acrescentou com a voz cansada.

Entre os que fugiram, milhares de habitantes se dirigiram para as zonas controladas pelo governo. Outras famílias se refugiaram em bairros que permanecem nas mãos dos rebeldes, onde os moradores deram cobertores para se protegerem do frio durante a noite.

Luta desigual


As tropas de Bashar al-Assad aproveitaram um maior poderio militar e a ajuda de seus aliados estrangeiros para reconquistar nesta segunda-feira o nordeste de Aleppo, de acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Ao perder um terço do leste de Aleppo, os rebeldes sofreram "sua maior derrota desde que se apoderaram da metade da cidade em 2012", disse o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

Eles desmontaram diversas ofensivas do governo no último ano, mas desta vez não conseguiram frear a ampla operação terrestre e aérea lançada em 15 de novembro pelo exército e pelos combatentes estrangeiros que os apoiam.

A luta é muito desigual porque "enfrentamos o Irã e a Rússia (...), milícias vindas do mundo inteiro", lamentou Yasser al-Yussef, responsável do grupo rebelde Nuredin al Zinki, um dos principais de Aleppo.

"A aviação destrói tudo metodicamente, zona por zona", denunciou no domingo. E os rebeldes não têm armas de luta antiaérea.

A tomada de Aleppo pelo governo seria "um ponto de inflexão" no conflito que assola o país há cinco anos e meio, já que este passaria a controlar as cinco principais cidades sírias, considera Fabrice Balanche, especialista em Síria do Washington Institute for Near East Policy.

Essa vitória enviaria, também, o sinal de que "a oposição é incapaz de obter um sucesso importante no âmbito militar" e de se apresentar como uma "alternativa" frente a Damasco, opina.

A perda do leste de Aleppo também seria uma derrota para os aliados da oposição, entre eles a Arábia Saudita, Catar e Turquia, assim como os países ocidentais. Reforçaria, entretanto, aqueles que apoiam o governo, em primeiro lugar a Rússia, que contribuiu muito para o retrocesso dos rebeldes desde o início de sua intervenção em setembro de 2015.

A comunidade internacional permaneceu em silêncio sobre a evolução dos combates nos últimos dias, apesar de nesta segunda-feira Londres ter pedido um cessar-fogo.

"Necessitamos um cessar-fogo imediato em Aleppo e o acesso de agentes humanitários imparciais para garantir a proteção de civis vulneráveis", disse o ministro das Relações Exteriores britânico, Boris Johnson, em um comunicado.

Damasco qualificou nesta segunda-feira de "campanha falaciosa" as acusações dos "países ocidentais" sobre o suposto uso de armas químicas pelo governo durante a guerra.

Bairro por bairro


Quase 10.000 civis fugiram durante o fim de semana, 6.000 para o território curdo de Sheikh Maqsud e os demais para zonas controladas pelo governo, informou o OSDH.

"É o primeiro êxodo deste tipo no leste de Aleppo em quatro anos", afirmou Rami Abdel Rahmane.

Os moradores sofrem com a falta de mantimentos e remédios em consequência do cerco imposto pelo governo, assim como pelos bombardeios incessantes de aviões sírios e russos, criticados pela ONU.

A ofensiva iniciada em 15 de novembro provocou a morte de 225 civis, incluindo 27 crianças, nos bairros do leste de Aleppo, segundo o OSDH.

Os bombardeios rebeldes contra os bairros controlados pelo governo mataram 27 civis.

O avanço das tropa do governo se intensificou no sábado com a captura do bairro de Massaken Hanano, o maior do leste de Aleppo.

Essa vitória permitiu ao exército avançar para os bairros de Sakhur, Haydariyah e Sheikh Khodr, conquistados nesta segunda-feira, e dividir a zona rebelde em duas, de acordo com a imprensa oficial síria.

Por France Presse

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