Ex-presidente sul-coreana é indiciada oficialmente por suborno

Se a justiça determinar sua culpa, Park Geun-Hye pode ser condenada a até 10 anos de prisão, de acordo com especialistas

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postado em 17/04/2017 07:01 / atualizado em 17/04/2017 09:55

Ahn Young-Joon/AFP
 
Seul, Coreia do Sul - A ex-presidente da Coreia do Sul Park Geun-Hye foi indiciada oficialmente nesta segunda-feira por suborno no caso de corrupção que provocou seu impeachment e sua queda em desgraça. Park, que teve o afastamento confirmado em março e está detida, enfrenta acusações de suborno, coação, abuso de poder e divulgação de segredos de Estado, informaram os promotores em um comunicado.

"Indiciamos formalmente Park, com múltiplas acusações que incluem abuso de poder, coação, suborno e divulgação de segredos de Estado", destacaram os promotores ao fim das investigações. A queda em desgraça da ex-presidente começou em meados de 2016, quando foi revelado que sua amiga e confidente Choi Soon-sil, que nunca ocupou nenhum cargo oficial, aproveitou sua influência para fazer com que grandes empresas pagassem milhões de dólares.

Desta maneira, a confidente obteve 70 milhões de dólares para duas fundações que controlava, uma quantia que utilizou com fins pessoais. Também nesta segunda-feira, o presidente do grupo Lotte, o quinto maior conglomerado sul-coreano, foi indiciado pelo mesmo caso de corrupção que provocou a destituição da presidente da Coreia do Sul.

Shin Dong-Bin, 62 anos, é acusado pelo pagamento de quase sete milhões de dólares em subornos à ex-presidente Park Geun-Hye e a sua confidente. O escândalo que ilustra mais uma vez as relações insalubres entre os meios políticos e empresariais na quarta maior economia da Ásia, a ex-chefe de Estado, 65 anos, é acusada de ter concedido favores políticos a empresas que foram generosas com sua amiga Choi.

A crise afetou em cheio o maior grupo industrial do país, Samsung. O vice-presidente da empresa, Lee Jae-Yong, foi detido no mês passado em conexão com o mesmo caso. O escândalo, que explodiu no meio do ano passado, provocou gigantescas manifestações para exigir a saída da presidente, à medida que novas revelações eram divulgadas sobre o caso.

A Assembleia Nacional votou pelo impeachment de Park em dezembro, com o objetivo de retirar sua imunidade e permitir assim uma investigação. A decisão foi confirmada em 10 de março pela Corte Constitucional. Com a decisão judicial, Park se tornou o terceiro chefe de Estado detido por um caso de corrupção na Coreia do Sul. 

Os ex-presidentes Chun Doo-hwan e Roh Tae-woo cumpriram penas de prisão por este motivo nos anos 1990. E o presidente Roh Moo-hyun, eleito democraticamente, cometeu suicídio em 2009, depois que a justiça abriu uma investigação por corrupção contra ele e sua família. Park pediu desculpas diversas vezes pelo escândalo, mas nega ter cometido qualquer crime.

Se a justiça determinar sua culpa, Park Geun-Hye pode ser condenada a até 10 anos de prisão, de acordo com especialistas. A Coreia do Sul celebrará no dia 9 de maio eleições antecipadas. Moon Jae-In, ex-líder do Partido Democrático, o principal da oposição, é o favorito. Outro aspirante com chances de vitória é Ahn Cheol-Soo, do Partido do Povo.
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