Oposição da Venezuela intensifica protestos contra reforma da Constituição

Governo de Nicolás Maduro convocou eleições para governadores em dezembro e acelerou o processo da Assembléia Constituinte

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postado em 24/05/2017 17:47

Em meio a uma nova onda de protestos violentos que já deixou 17 mortos nos últimos dias, a oposição ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pediu nesta quarta-feira a intensificação das manifestações contra a reforma constitucional pretendida pelo governo.
 
 
A coalizão oposicionista convocou protestos em três pontos de Caracas, e o objetivo é chegar à sede do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) para tentar reverter a decisão do órgão de convocar eleições para governadores em dezembro e de acelerar o processo da Assembleia Constituinte promovida por Maduro. Os opositores tentam desde o ano passado emplacar um referendo revogatório para remover o presidente e reclamam que a formação da assembleia que irá discutir a nova Constituição favorece os chavistas.

A zona central da capital venezuelana amanheceu tomada pela Polícia e a Guarda Nacional, inclusive com tanques nas ruas. Nos últimos meses, a oposição já tentou algumas vezes chegar ao centro de Caracas, onde está a sede do governo, mas os agentes de segurança têm conseguido impedir as marchas.

"Não caiamos na armadilha das eleições para governadores", disse ontem o presidente da Assembleia Nacional, o deputado Julio Borges, que também chamou o processo constituinte de "golpe de Estado". O Congresso venezuelano, formado por maioria opositora, já concordou em convocar um referendo para consultar a população sobre a reforma da Constituição e a permanência de Maduro até 2018.

O presidente entregou às autoridades eleitorais, na última terça-feira, as regras para a escolha dos 540 membros da Constituinte. O CNE aprovou a proposta em questão de horas e convocou para julho a formação da assembleia. Segundo juristas e a oposição, a divisão da eleição por territórios e setores contraria o preceito de votos universais, diretos e secretos. 

Desde o início dos protestos, há dois meses, já houve pelo menos 55 mortes e mais de mil feridos, além de várias centenas de prisões.
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