Custo do regresso dos aposentados britânicos pelo Brexit faz soar o alerta

No âmbito do programa da UE conhecido como S1, os aposentados europeus podem se instalar em qualquer um dos 28 países do bloco e gozar dos mesmos cuidados médicos que os cidadãos locais

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postado em 31/05/2017 08:47

Londres, Reino Unido - O retorno de aposentados britânicos que vivem na União Europeia, em sua maioria na Espanha, dobraria os custos com atendimento médico e obrigaria a contratação de mais trabalhadores da saúde, adverte um relatório divulgado nesta quarta-feira. Em seu relatório The Nuffield Trust, a Fundação Nuffield, uma organização britânica independente focada em questões de saúde, afirma que 190.000 aposentados britânicos vivem na União Europeia.


No âmbito do programa da UE conhecido como S1, os aposentados europeus podem se instalar em qualquer um dos 28 países do bloco e gozar dos mesmos cuidados médicos que os cidadãos locais. Seu Estado paga os custos para o país onde estão instalados.

"Se os aposentados britânicos perderem sua cobertura médica na UE e tiverem de voltar para o Reino Unido para receber os cuidados que necessitam, os custos anuais poderiam subir até 1 bilhão de libras por ano" (1,143 bilhão de euros, 1,278 bilhão de dólares), exatamente o dobro dos 500 milhões atuais, aponta o relatório. "Ainda mais difícil seria encontrar pessoal e leitos para essas pessoas", afirma o relatório.

De acordo com a estimativa seriam necessários ao menos 900 leitos hospitalares e 1.600 enfermeiros, "além de médicos, outros profissionais da saúde e de apoio". Tudo isto num contexto de saturação da saúde pública britânica, que não consegue preencher todas as vagas de emprego e sofre problemas financeiros.

Atualmente, existem 900.000 britânicos que vivem em países da União Europeia, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (ONS), um terço deles (308.805) na Espanha, seu primeiro destino europeu. O relatório conclui que, após o Brexit, "não vai ser fácil manter os acordos sanitários recíprocos como o S1", porque são parte do sistema de coordenação da segurança social da UE, que por sua vez é uma consequência e fundamento do sistema de livre circulação dos trabalhadores.

A primeira-ministra britânica Theresa May já deixou claro que pretende que o Reino Unido abandone o tratado de livre circulação - de trabalhadores europeus, bens e serviços - para controlar a imigração. "Quero acordos recíprocos, para que os direitos (dos aposentados britânicos na UE) sejam garantidos", disse May à Sky News ao ser questionada sobre o relatório.
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