Homem fere policial com martelo em frente à catedral Notre-Dame de Paris

Segundo o ministro francês do Interior, Gérard Collomb, o agressor gritou "isso é pela Síria" no momento do ataque e carregava uma identificação de "estudante argelino", documento cuja autenticidade está sendo verificada

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 06/06/2017 15:10

Um homem atacou um policial com um martelo, nesta terça-feira à tarde, antes de ser neutralizado por um disparo em frente à catedral Notre-Dame de Paris, em um contexto de forte ameaça terrorista três dias depois de um ataque em Londres.



Segundo o ministro francês do Interior, Gérard Collomb, o agressor gritou "isso é pela Síria" no momento do ataque e carregava uma identificação de "estudante argelino", documento cuja autenticidade está sendo verificada.

"Aparentemente o indivíduo estava sozinho", informou o ministro à imprensa, indicando que o agressor carregava "duas facas de cozinha".

Após a agressão, ele "reivindicou ser um soldado do califado" autoproclamado pelo grupo Estado Islâmico (EI), segundo uma fonte próxima à investigação.

O agressor, ferido, foi hospitalizado, indicou a polícia. Já o oficial agredido sofreu ferimentos leves, assinalaram fontes policiais. Um de seus colegas atirou contra o agressor depois que ele tentou atacá-los com um martelo.

As autoridades pediram ao público que se mantenha distante da área, um dos locais mais visitados da capital francesa, mas garantiu que a "situação estava sob controle" pouco antes das 15h30 GMT (12H30 de Brasília).

A Procuradoria antiterrorista de Paris abriu uma investigação.

 

Leia mais notícias em Mundo

 

"Estamos percebendo como temos passado de um terrorismo muito sofisticado para um terrorismo onde qualquer objeto pode servir para cometer agressões", observou o ministro do Interior.

"Escutei um homem gritar muito forte e depois as pessoas começaram a correr. Entraram em pânico. Ouvi dois disparos e vi um homem caindo no chão com muito sangue", contou à AFP Philippe, uma testemunha.

As ruas próximas à catedral estão isoladas. Policiais com coletes à prova de balas saíam da sede da polícia, que fica em frente à Notre-Dame, constatou um jornalista.

Mil pessoas bloqueadas


Pelo menos mil pessoas ficaram bloqueadas dentro da catedral no momento do incidente.

"As pessoas estão tranquilas, conversam, rezam, continuam a visita", disse à AFP André Finot, responsável pela comunicação da catedral.

"Esperamos ordens da polícia para deixá-los sair", prosseguiu.

A catedral de Notre-Dame, localizada no centro de Paris, é um dos locais mais visitados da Europa, com 13 milhões de visitantes por ano.

Esta agressão acontece três dias depois de um atentado em Londres, no qual sete pessoas morreram e 48 ficaram feridas por três homens que atropelaram várias pessoas com um veículo antes de esfaquearem transeuntes.

O ataque de Londres foi reivindicado pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI).

Em 22 de maio, um atentado com bomba deixou, 22 mortos e mais de 100 feridos durante um show em Manchester, no Reino Unido.

A França está em estado de alerta máximo após uma onda de ataques terroristas que fizeram 239 mortos desde 2015.

Em 20 de abril, na famosa avenida parisiense Champs Elysées, um francês de 39 anos matou um policial de 37 anos com dois tiros na cabeça e feriu dois outros agentes e uma turista alemã, antes de ser morto.

Em 13 de novembro de 2015, um comando extremista que jurou lealdade ao Estado Islâmico matou 130 pessoas em várias partes da capital francesa, no pior ataque em território francês.

O EI ameaça com frequência a França por sua participação na coalizão militar internacional anti-extremista no Iraque e na Síria.

A catedral de Notre-Dame já esteve no centro de uma investigação antiterrorista. Em setembro de 2016, as autoridades francesas desmantelaram um comando de mulheres jihadistas por trás de um ataque com carro-bomba abortado, encontrado perto de Notre-Dame.

Estas mulheres, que recebiam ordens de extremistas do EI na Síria segundo os investigadores, tinham ligações com os autores de vários ataques recentes na França.
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.