Estudante libertado pela Coreia do Norte sofre de grave lesão neurológica

A família do jovem de 22 anos denunciou que ele foi aterrorizado e brutalizado pelo regime de Kim Jong-Un

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postado em 15/06/2017 13:32

Washington, Estados Unidos -Otto Warmbier, o estudante americano libertado pela Coreia do Norte esta semana e que caiu em coma enquanto estava na prisão, sofreu uma "grave lesão neurológica", afirmou nesta quinta-feira um porta-voz do hospital onde se encontra internado.

A família do jovem de 22 anos denunciou que ele foi aterrorizado e brutalizado" pelo regime de Kim Jong-Un. 

"Não há outra desculpa para forma que foi tratado", afirmou o pai, Fred, em coletiva de imprensa com Kelly Martin, porta-voz do centro médico da Universidade de Cincinnati. 

"Otto está numa condição estável, mas sofreu uma grave lesão neurológica", afirmou o especialista.

Mais cedo, a agência oficial norte-coreana KCNA informou que Otto Warmbier, que chegou na quarta-feira em coma aos Estados Unidos depois de um ano e meio detido na Coreia do Norte, foi libertado por razões humanitárias.

"Otto Frederick Warmbier, que estava fazendo trabalhos forçados, foi reenviado para seu país em 13 de junho de 2017 por motivos humanitários em virtude da decisão da Corte Central da RPDC", indicou a agência, falando o nome oficial da República Popular Democrática da Coreia.

Warmbier, condenado a 15 anos de trabalhos forçados por "atividades hostis", foi repatriado para Cincinnati, cidade do norte dos Estados Unidos onde sua família reside.

A família do jovem anunciou sua libertação, em um contexto de grande tensão entre os Estados Unidos e Pyongyang e a poucos dias da visita do novo presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-In, à Casa Branca, em 29 e 30 de junho.

O rapaz está em coma desde março de 2016, mas só agora a família ficou sabendo.

Segundo o jornal The Washington Post, Otto Warmbier teria contraído uma forma de botulismo pouco depois de seu julgamento em março de 2016 e recebeu uma dose de sonífero que fez com que entrasse em coma.

O negociador americano Bill Richardson, que participou das conversações para a libertação do estudante, disse que a Coreia do Norte "deveria explicar claramente as causas do coma".

O Supremo Tribunal da Coreia do Norte condenou em março de 2016 Otto Warmbier depois que ele reconheceu ter roubado um cartaz com um slogan político no hotel onde ele estava hospedado em Pyongyang.

Ele estava na Coreia do Norte para uma excursão organizada pela agência chinesa Young Pioneer Tours. Ele foi preso no dia em que o grupo deveria retornar a Pequim em 2 de janeiro de 2016.

Apresentado à imprensa estrangeira e diplomatas poucas semanas depois, declarou, aos prantos, ter cometido "o pior erro da minha vida".

A diplomacia americana havia pedido à Coreia do Norte que o perdoasse, considerando a sentença excessivamente dura, e havia acusado Pyongyang de usar o jovem como moeda de troca de uma chantagem política.

Ao menos 17 americanos foram presos na Coreia do Norte nos últimos dez anos. Três seguem em detenção.

O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, disse na terça-feira que vai trabalhar pela libertação dos outros três americanos detidos na Coreia do Norte.

Ele anunciou que sanções estão sendo estudadas contra países terceiros que comercializem com a Coreia do Norte.

As relações entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte estão extremamente tensas desde a posse de Donald Trump, em razão das aspirações nucleares norte-coreanas.

Pyongyang realizou dezenas de disparos de mísseis e dois testes nucleares desde o início de 2016 com o objetivo de desenvolver um míssil capas de atingir o território americano.
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