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Odebrecht vai pagar por atos ilícitos comprovados no Equador

Mesmo assim, não vai garantir imunidade para quem colaborar com as investigações, que até agora já levaram oito pessoas à prisão

Agência France-Presse
postado em 23/06/2017 17:42
A empreiteira Odebrecht se comprometeu a pagar e reparar os atos ilícitos que foram provados na investigação sobre o pagamento de propina a funcionários do governo do Equador, disse um executivo da empresa, nesta sexta-feira.

"A Odebrecht decidiu cooperar plenamente com o governo equatoriano e todas as ilegalidade e atos ilícitos ocorridos que foram comprovados e verificados. A Odebrecht vai pagar, reconhecer e reparar integralmente estes danos", disse o diretor-regional da empresa no Equador, Mauro Hueb.

"Estamos abertos, à disposição do Ministério Público para prover todas as informações necessárias" à investigação sobre a rede de subornos no país, após um acordo para facilitar as investigações, completou.

O acordo, contudo, não garante imunidade para quem colaborar com as investigações, que até agora já levaram oito pessoas à prisão. Entre os detidos, estão um tio do vice-presidente Jorge Glas e o ex-ministro de Energia Alecksey Mosquera.

[SAIBAMAIS]Na quinta-feira, o dono de uma empresa fornecedora da Odebrecht se entregou às autoridades e está sendo investigado.

O advogado Michael Munro foi contratado pela construtora para limpar sua imagem em vários países e explicou as ações implementadas pela empresa para alcançar práticas éticas e resgatar a confiança dos governos.

Munro pediu à imprensa "uma oportunidade de fazer reparos e corrigir o que está errado, demonstrando que a Odebrecht mudou e pode fazer as coisas da maneira correta".

A investigação da Odebrecht no Equador começou após a revelação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, em dezembro passado, de que a empresa pagou cerca de 33,5 milhões de dólares a funcionários equatorianos, entre 2007 e 2016.

Pagamentos de 40 milhões de dólares à Odebrecht estão bloqueados para garantir a indenização do Estado. O governo também está proibido de fazer contratos com a empresa.

De acordo com Hueb, a empresa brasileira atua em três obras no Equador: o poliduto Pascuales-Cuenca, o aqueduto La Esperanza e o metrô de Quito.

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