Juízes franceses investigam viagem de Macron a Las Vegas em 2016

Business France, o órgão público dirigido na época pela atual ministra do Trabalho Muriel Pénicaud, é suspeito de ter violado as regras sobre mercados públicos ao não abrir concorrência para a organização do evento

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postado em 07/07/2017 10:01

 AFP / Fred Tanneau - 01/07/2017


Juízes de instrução franceses vão investigar um suposto caso de favorecimento na organização de uma viagem do presidente Emmanuel Macron, então ministro da Economia, a Las Vegas em janeiro de 2016, anunciou nesta sexta-feira (7/7) a Procuradoria de Paris.

"Em vista dos primeiros elementos da investigação preliminar" aberta em 13 de março, a Procuradoria de Paris decidiu abrir nesta sexta-feira um inquérito por crime de favoritismo.

O caso se concentra na noite de 6 de janeiro de 2016 em Las Vegas, no Consumer Electronics Show (CES), um grande evento mundial de inovação tecnológica, durante o qual Macron se reuniu com líderes de startups francesas.

Business France, o órgão público dirigido na época pela atual ministra do Trabalho Muriel Pénicaud, é suspeito de ter violado as regras sobre mercados públicos ao não abrir concorrência para a organização do evento, confiada à empresa Havas em dezembro de 2015.


Uma auditoria realizada pelo escritório E&Y, revelada pelo jornal Libération, também observa que não houve "nenhuma comanda de pedido, nenhum orçamento, nenhum contrato assinado e nenhuma nota emitida", uma situação que poderia "comprometer a responsabilidade penal dos responsáveis".

Suspeita-se que Pénicaud esteve ciente do que aconteceu. Os investigadores encontraram em 20 de junho, durante uma busca realizada nos escritórios da Havas e Business France, um e-mail de 11 de dezembro de 2015, sugerindo que Pénicaud pode ter sido informada do caso.

Pénicaud poderá ser indiciada se os juízes encontrarem "provas graves ou consistentes" contra ela. A investigação também vai examinar o papel desempenhado por alguns membros do gabinete de Macron no ministério da Economia. Emmanuel Macron e seu gabinete "são totalmente inocentes", assegurou em 8 de março o então ministro das Finanças Michel Sapin, após a revista satírica Le Canard Enchaîné fazer as primeiras revelações sobre o caso.
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