Angela Merkel sob pressão após violência no G20

Um total de 213 policiais ficaram feridos e 143 pessoas foram detidas, de acordo com o último balanço

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postado em 08/07/2017 09:46 / atualizado em 08/07/2017 09:53

AFP / SAUL LOEB
As autoridades alemãs, com Angela Merkel à frente, estão sendo criticadas após os episódios de violência durante a cúpula do G20 em Hamburgo que mancham a imagem do país internacionalmente.

Em seu editorial, o jornal mais lido da Alemanha, o Bild, apontou neste sábado (8/7) a chanceler como responsável pelo "desastre", acusando-a de ter "falhado" em manter a lei e a ordem pública desde quinta-feira.

"A sensação de segurança que o Estado deve garantir deixou de existir em Hamburgo", ressaltou o jornal, colocando os líderes alemães em uma situação embaraçosa a menos de três meses para as eleições legislativas.

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"Os políticos devem assumir a total responsabilidade pelos policiais feridos e a destruição na cidade", criticou o líder local do sindicato da polícia BDK, Jan Reinecke, na revista Der Spiegel.

Merkel denunciou a violência "inaceitável", enquanto 20.000 manifestantes voltaram a se mobilizar neste sábado ao meio-dia, fazendo temer novos confrontos com as forças de segurança.

Perda do controle


O jornal conservador Die Welt mencionou uma "perda do controle" pelas autoridades, que deixaram alguns bairros de Hamburgo, a segunda maior cidade do país com 1,7 milhões de habitantes, se transformar em zonas livres para os militantes violentos.

A situação era calma esta manhã na cidade, mas as autoridades temem novos incidentes à margem do protesto que já reúne 20.000 pessoas.

O espetáculo nesta grande cidade portuária é realmente muito distante da imagem de "porta para o mundo" dinâmica e internacional apresentada pelos líderes alemães antes da cúpula.

Um total de 213 policiais ficaram feridos e 143 pessoas foram detidas, de acordo com o último balanço. E o número de manifestantes feridos ainda não é conhecido com precisão. Na sexta-feira, a polícia precisou pedir reforços.

Os bairros de Schanzenviertel e St. Pauli, redutos da contestação de extrema-esquerda, se transformaram na sexta à noite em áreas de "caos urbano" e "campo de batalha", nas palavras da imprensa alemã.

Uma unidade de intervenção especial da polícia foi chamada para ajudar a controlar a situação.

Barricadas foram erguidas nas ruas. Vândalos, vestidos de preto e com os rostos cobertos, arrancaram placas de sinalização para fazer projéteis. Atearam fogo em veículos, lançaram garrafas de cerveja e pedras e devastaram os bens públicos.

Supermercado saqueado

Um supermercado foi saqueado, de acordo com a televisão, e outras lojas vandalizadas pelos desordeiros, de acordo com a polícia, com barras de ferro.

Alguns ativistas de extrema-esquerda se distanciaram da violência. Mas há semanas, os simpatizantes do movimento anarquista e autônomo prometem um "inferno" nesta cidade, reduto histórico da contestação violenta contra o Estado.

Os bairros onde os episódios de violência ocorreram estão localizados dez minutos a pé do centro de convenções que recebe os líderes dos 20 países mais ricos do mundo.

"Hamburgo nunca deveria ter sido escolhida como cidade anfitriã desta cúpula", criticou Reinecke. Uma opinião partilhada por muitos meios de comunicação, incluindo Der Spiegel, que considera que "os piores temores se tornaram realidade e lançaram uma sombra escura sobre a cúpula".

Na quinta-feira à noite, confrontos eclodiram entre a polícia e manifestantes.

A polícia, que parou o cortejo depois de algumas centenas de metros, foi rápida em pulverizar contra a multidão gás lacrimogêneo e colocar em ação seus canhões de água.

Ela "agiu com tanta virulência que as pessoas entraram em pânico", escreveu Der Spiegel. Resultado: manifestantes potencialmente violentos formaram pequenos grupos dispersos e incontroláveis.
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