Indústria alemã se compromete a reduzir emissões de carros a diesel

A Alemanha já foi alertada pela Comissão Europeia por seu nível de qualidade do ar, e agora a opinião pública parece defender a proibição do diesel

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postado em 02/08/2017 13:27

Berlim, Alemanha - Os empresários da indústria automotiva alemã se comprometeram, nesta quarta-feira (2/8), a criar uma atualização de software que diminua as emissões de gases poluentes de 5 milhões de veículos. Críticos apontam, contudo, que a medida é apenas paliativa após os escândalos do setor.

Os representantes das fabricantes se reuniram, nesta quarta, com lideranças do governo para buscar soluções concretas para reduzir os níveis de gases contaminantes e evitar a restrição à circulação de veículos a diesel - uma ameça em várias cidades da Alemanha. 

Diretores de Volkswagen, Daimler, BMW e Opel prometeram que o acerto reduziria as emissões de óxido de nitrogênio (NOx) em 25% a 30%. Não ficou claro, contudo, se os 5 milhões de veículos incluem os que já foram consertados após o escândalo de manipulação das emissões de gases poluentes da Volkswagen, em setembro de 2015.

Ambientalistas afirmam que a reunião não avançou o bastante. "O upgrade do software de motores a diesel que deveria reduzir as emissões de NOx em 25% é uma medida paliativa bem vinda para ajudar a aliviar as cidades poluídas pelo diesel. Mas essa não é uma solução a longo prazo para o problema da poluição do ar", afirmou Greg Archer do grupo de lobby Transport and Environment.

"Tampouco tornará o diesel limpo. Além disso, os fabricantes de veículos não estão sendo transparentes acerca dos detalhes do 'upgrade' ou se o recall se aplicará em toda a União Europeia e às vans, que também precisam", completou. 

Diesel proibido?
A crise do setor começou a aparecer em setembro de 2015, quando a Volkswagen admitiu ter instalado softwares ilegais em 11 milhões de veículos no mundo todo para manipular os testes de emissões de poluentes. As suspeitas e acusações de fraudes como essa se espalharam para outras construtoras alemãs, como a Daimler (fabricante da Mercedes-Benz) e a BMW.

O contexto ficou ainda mais nebuloso com a revelação de suspeitas de formação de cartel entre as construtoras do país, que teriam, segundo a revista Der Spiegel, se reunido durante duas décadas para decidir temas como a manipulação das emissões. 
A Alemanha já foi alertada pela Comissão Europeia por seu nível de qualidade do ar, e agora a opinião pública parece defender a proibição do diesel. Uma pesquisa realizada pelo Greenpeace mostrou que 57% dos alemães são favoráveis à interdição em cidades com baixa qualidade do ar. 

A apenas dois meses das eleições, o governo alemão quer ser duro com os fabricantes, mas ao mesmo tempo tem interesse em apoiar um setor que representa um quinto das exportações do país e 800 mil vagas de emprego. "Trata-se de criticar o que deve ser criticado, mantendo em mente que se trata da indústria estrategicamente importante para a Alemanha", destacou Ulrike Demmer, porta-voz da chancelaria alemã.

Sem 'demonizar o diesel' 
Nos últimos anos, fabricantes alemães passaram a investir mais em motores a diesel, já que eles emitem menos dióxido de carbono que os movidos a gasolina. 

Já os carros elétricos, apesar de serem ecologicamente corretos, são dependem da eletricidade, que, na Alemanha, nem sempre é limpa - cerca de 40% da produção do país vem da combusão de carvão. Por esses motivos, a chanceler Angela Merkel pede para não "demonizar o diesel".

O outro lado da moeda da tecnologia do diesel é que ela emite mais NOx, gases que contribuem para a formação de "smog" nas cidades, um nevoeiro de poluição responsável por diversas doenças respiratórias. A indústria automotiva se colocou "em uma situação muito difícil" e agora tem "uma grande responsabilidade para reconquistar a confiança", afirmou o ministro de Transporte, Alexander Dobrindt.
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