Kirchner e Macri medem forças nas primárias legislativas na Argentina

"A ex-presidente quer se mostrar como o único 'limite' a Macri, sem mudar o tom de sua campanha moderada", explicou à AFP o consultor Rosendo Fraga

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postado em 10/08/2017 17:48

A ex-presidente argentina Cristina Kirchner vai medir forças, neste domingo, com os candidatos governistas do presidente Mauricio Macri nas primárias obrigatórias, uma "eleição sem vencedores", que apenas vai confirmar as candidaturas para as legislativas de 22 de outubro.



Kirchner, de 64 anos, presidente do país entre 2007 e 2015, é pré-candidata ao Senado por um minúsculo partido de centro-esquerda que acabou de fundar. Seu poder eleitoral está na província de Buenos Aires, um distrito-chave com quase 40% do total de 34 milhões de votantes.

"A ex-presidente quer se mostrar como o único 'limite' a Macri, sem mudar o tom de sua campanha moderada", explicou à AFP o consultor Rosendo Fraga.

As primárias argentinas são consideradas uma extravagância. Não há uma verdadeira competição. As candidaturas para renovar o Congresso já estão decididas por cada partido.

Para Macri, de 58 anos, é seu primeiro exame eleitoral desde que assumiu há 21 meses, na metade do mandato.

"Apesar de as primárias não terem efeito institucional, sua maior consequência será simbólica. Macri quer acumular forças para assegurar a governabilidade, e a oposição quer dar um sinal ao governo de que ele está agindo errado", disse à AFP o sociólogo e consultor Ricardo Rouvier.

O congresso argentino é atualmente controlado por uma maioria opositora, dominado pelo kirchnerista Frente para a Vitória e aliados (36 senadores e 72 deputados), além de minorias de blocos progressistas e justicialistas.

 

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O bloco governista Cambiemos, com 17 senadores e 87 deputados, conseguiu aprovar leis e reformas a pedido de Macri, graças aos votos divididos de blocos peronistas.

Disputa nas urnas


Macri liderou uma campanha para apoiar seus candidatos e argumentar que essa é uma eleição entre seu modelo de abertura econômica ou uma "volta ao passado", como se refere à opção por Kirchner, que propõe maior protecionismo estatal.

O presidente é o primeiro político argentino de direita a chegar ao poder por via eleitoral, rompendo com a hegemonia de governos peronistas ou sociais-democratas radicais.

Ele conta com o apoio do empresariado e de 25% a 30% da população, segundo pesquisas.

"Uma parte dos cidadãos ainda apoia o Cambiemos (aliança macrista), mesmo sofrendo com todos os inconvenientes na economia, 'tarifaços', desemprego, inflação, etc", afirmou à AFP o consultor e economista Pablo Tigani.

O opositor Partido Justicialista (PJ, peronista) está isolado. Apenas um grupo de seguidores acompanha Kirchner na nova Unidad Ciudadana (UC), que se apresenta apenas apenas em Buenos Aires, onde fez campanha sem atos públicos.

"No domingo, se verá que o Cambiemos é a força nacional mais votada, com percentual de cerca de 30%. A dispersão do peronismo fará Cristina ser a segunda, com 15%", prevê Fraga.

Sem falar de economia


O macrismo evitou falar muito sobre economia durante a campanha. Desde que Kirchner deixou o poder, o desemprego subiu de 6% a 10% e a pobreza foi a 32% no país. A inflação disparou a 40% anual. Esse ano, deve ficar em 22%, segundo consultorias.

Fábricas como Pepsico e Atanor (petroquímica) fecharam. No ramo têxtil, as empresas sofrem com a abertura comercial de importação. Os bancos, contudo, registram lucros bilionários.

O banco Morgan Stanley levantou, em junho, incertezas por não retirar o país da categoria de "mercado fronteiriço". A notícia derrubou as expectativas do mercado local de subir um escalão na qualificação.

Outro tema de campanha foi a corrupção, com uma chuva de acusações de todos os lados.

Macristas acusam Kirchner de ter cobrado propinas disfarçadas em pagamento de aluguel de suas propriedades. Já os opositores se enfurecem com Macri, citado no escândalo de contas "offshore" Panama Papers.

Mas a população vota com o bolso, segundo especialistas, garantindo que Macri ainda tem crédito político, apesar do estancamento econômico.

"Em outubro, algumas vagas a mais no Congresso vão para o Cambiemos, mas ele vai seguir nas mãos da oposição", opinou Fraga.
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